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População assustada com elevado número de assassinatos

Violência Comentários 22 de junho de 2012

A maioria dos crimes está relacionada ao narcotráfico (compra, venda e uso de drogas, principalmente de crack) de acordo com dados oficiais


O assassinato do desempregado Itamar Pereira Lopes, 28 anos, conhecido por “Neguinho”, com várias passagens na polícia pelo crime de furto (Art.155 do Código Penal) foi o de número 64 este ano em Anápolis. Ele foi abatido a tiros quando estava em frente à casa de uma amiga, no Residencial Vera Cruz, periferia de Anápolis. Segundo as primeiras informações, ele devia dinheiro ao tráfico. Seria um crime a mais, não fosse a contabilidade desse tipo de violência. Para se ter uma ideia, durante todo o ano de 2011 foram cometidos 89 assassinatos em Anápolis. Antes de se encerrar o primeiro semestre de 2012, a expectativa é de que esta marca, a continuar o ritmo de ocorrências, vai ser superada em pouco tempo. As polícias (Civil e Militar) atribuem estes dados preocupantes ao elevado consumo de drogas. “O dependente compra a droga, não paga e é morto. Esta é uma triste constatação, não só de Anápolis, mas de todo o Brasil, infelizmente”, comentou um policial militar já acostumado a atender ocorrências semelhantes à da noite do dia 20. A população está apavorada.
Segundo se informa nos meios policiais, existe uma espécie de ‘código de honra’ no submundo do narcotráfico. “Quem não paga, morre. Independente de posição social, valor da dívida ou periculosidade. E, nós, não temos muito o que fazer. Não há como adivinhar quem está devendo para o traficante, quem tomou a ‘boca de fumo’ do outro, ou quem delatou os vendedores de drogas. Quando a gente toma conhecimento, o crime já foi cometido. Sem contar os desdobramentos disso. Quando o devedor sente que está marcado para morrer, faz de tudo para quitar o débito. Ele furta, assalta e, se preciso, mata, para conseguir o dinheiro porque sabe que se não pagar, ele morre”, disse este mesmo policial, que prefere ficar no anonimato.
Repressão
O GENARC (grupo de repressão ao narcotráfico) em Anápolis tem trabalhado exaustivamente no combate a esse tipo de delito. As apreensões de drogas, crack e maconha, principalmente, aumentaram muito nos últimos tempos. Mas, de acordo com os próprios agentes, “não se intercepta nem 10 por cento do que é traficado. Esse tipo de crime é muito organizado. A droga já sai do fornecedor com endereço certo. Depois, a distribuição é sistemática, de difícil percepção. Às vezes uma pessoa aparentando total inocência é agente na entrega de drogas. Estão nesse meio, mulheres; pessoas idosas; adolescentes e, até, crianças. Muitas das vezes até nos surpreendemos ao ver quem está metido nesse crime. Em muitos casos são pessoas acima de qualquer suspeita e utilizam todos os meios possíveis e imaginários de veículos, principalmente motocicletas. Sem contar a agravante de que, com as brechas na lei, os traficantes estão pulverizando a distribuição, ou seja, entregando a droga em pequenas quantidades. Quando são detidos, alegam que o entorpecente é para uso próprio e, assim, não sofrem os processos mais enérgicos da lei”, declarou um agente civil.
A esmagadora maioria desse tipo de crime é praticada nos bairros mais afastados, onde a presença da Polícia nem sempre é constante. E, para dificultar, não existem regiões específicas para que eles aconteçam. “Este ano já mataram no Filostro (Conjunto Filostro Machado); na Fabril (Vila); no Vivian Parque, na Santa Isabel (Vila); no Munir Calixto (Residencial); na Vila Norte, na Lapa (Bairro) e até, no centro da Cidade” justificou o mesmo policial.

Autor(a): Nilton Pereira

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