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População assustada com a crescente onda de violência

Segurança Comentários 02 de dezembro de 2012

Assassinatos em série causam grande repercussão em Anápolis. A polícia procura dar uma resposta à sociedade


No último final de semana, a cidade de Anápolis passou por um verdadeiro momento de terror. Sete vítimas foram executadas, dentre elas um Tenente da Polícia Militar. A população assustada busca respostas para sanar o problema da segurança pública, que se complica a cada dia. Números apontam o crescimento da violência que percorre não só pela cidade, mas também por todo o Estado de Goiás.
A violência aumenta em Anápolis a cada ano. A cidade tem sido palco de muitos atos da violência. Neste caso, em menos de 48 horas muitas vítimas foram atingidas, um número que assusta também a Corporação da Polícia Militar.
Um marginal que estava no sistema prisional da cidade, foi solto na sexta-feira, segundo o Coronel Alexandre Elias, do 3º Comando Regional da Polícia Militar de Anápolis (3º CRPM), ele pode ser um dos suspeitos do crime. “O rapaz que foi solto na sexta-feira carrega com ele uma ficha criminal gigantesca tanto no tráfico, quanto em homicídios. Coincidentemente, foi divulgado na manhã de sexta, que policiais em Anápolis seriam assassinados, pois alguém ligou na rádio local e teria anunciado a ação. Durante o dia ouvimos estes rumores e coincidência ou não, perdemos então no final da noite de sábado o Tenente Leandro. Seu ataque confirmou a ameaça veiculada na transmissora”, fala.
Na sequencia do assassinato do Tenente, começou então a aparecer em diferentes localidades novos homicídios. A situação parecia sair do controle. De acordo com o Coronel Elias, existe uma hipótese de que as vítimas eram conhecidas do autor por causa da forma como foram executadas. “Levamos a crer que pode ser da mesma autoria. Ele sabia o local e aonde essas pessoas se encontravam. Às 4 horas perto do Serra Dourada fez-se a primeira vítima, 1 hora e 40 minutos após ocorreu no bairro JK e 10 minutos depois na Vila União, sendo o terceiro homicídio na sequencia”, conta.
As drogas são o principal fator influenciador desses surtos de violência na cidade. No entanto, não é o seu efeito que está levando os bandidos a praticarem os atos, mas sim, a imposição de poder. Alexandre fala que existem muitos acertos a serem feitos entre os bandidos, sendo assim, eles buscam meios para demonstrar a sua autoridade. “Tudo é questão das drogas. Eles não estão matando por causa de 10 reais. Mas para impor medo nos demais usuários. Provavelmente existem vários usuários que devem para os traficantes, então, eles matam um ou dois, para intimidar os outros para que eles paguem e não haja essa conduta por parte dos usuários”, explica.
Somente neste ano, 136 casos de homicídios foram registrados até agora, ou seja, 56% a mais relativo aos anos anteriores. Algumas questões sobre a Lei N°11.403 que trata de políticas públicas já estão sendo discutidas pela PM, sobre o tráfico e uso de drogas. Algumas alterações nessa Lei prejudicaram a forma de repressão nesses delinquentes e acabou gerando mudanças no serviço dos policiais.
O Coronel aponta que há uma dificuldade de procedência depois que os usuários de drogas são levados aos departamentos. Novas atitudes devem ser repensadas pelos governantes, pois a situação se complica e favorece muitas vezes os bandidos. “É necessário que haja um reflexo. O usuário é apenas conduzido à delegacia e passa por um procedimento. Quando chega ao judiciário não existe uma pena a ser aplicada, ou um amparo legal que o obrigue a fazer um tratamento. Então, vai virando uma bola de neve, onde cada vez mais se aumenta o número desses usuários”. Ele ainda comenta que, se pegarmos a ficha dos que morreram no final de semana, fora a do Tenente Leandro encontraremos, em todas, registros de passagens por tráficos e homicídios, e ainda, histórico de vida e familiar envolvendo esses e outros crimes.
A segurança Pública deve ser iniciada pela prevenção e não deve ser tratada simplesmente como uma medida de vigilância e repressão. Devem-se envolver instrumentos como, justiça, defesa dos direitos, saúde e a questão social.
Sendo a ordem pública um estado de calma e tranquilidade em concordância com as leis, a preservação do direito do cidadão só será ampla se o conceito de segurança pública for aplicado. O resultado de tudo o que está ocorrendo, infelizmente em quase todos os casos é a resposta de uma criação mal trabalhada. Nos dias atuais percebe-se que as crianças estão sendo educadas sem limites, o que irá refletir na segurança pública daqui alguns anos. “Em Anápolis, não só na segurança, mas, na questão da família, nós estamos vendo crianças sendo criadas sem limites, princípios e valores. Não existe para eles vivência religiosa, pois a igreja realiza um papel importante. Nas escolas, infelizmente sabemos que existem excelentes profissionais trabalhando, mas ainda o sistema é deficiente no nosso país, ou seja, tudo isso vai redundar em problemas que afetarão mais tarde a segurança pública”, fala o Coronel.
É preciso repensar a nossa sociedade e entender que problemas com a violência muitas vezes não se afunilam na falta de policiamento. E, para frear essa escalada de violência, ações serão tomadas. A PM trabalhou muito em 2012, até então 27 mil abordagens foram realizadas, 350 flagrantes foram pegos e 250 armas de fogo foram tiradas das ruas. “Da parte policial podemos melhorar muito, mas não adianta melhorar só o trabalho da Polícia Militar e o da Polícia Civil, existe todo um sistema que precisa ser melhorado. Existe uma cobrança de que a solução deve vir só da parte da Polícia. Como eu disse anteriormente, a base para evitar a violência começa na família, passa pela igreja, escola e sociedade. Engana-se quem pensa que o problema da violência vai ser resolvido pela policia apenas”, diz.

Desenvolvimento
Com o grande desenvolvimento econômico de Anápolis, o sistema gera grandes fontes de dinheiro. Essa movimentação pode ser um ponto preocupante, pois onde há progresso, há, também, aventureiros de plantão. O Coronel Alexandre Elias constata que Anápolis é muito feliz com o seu desenvolvimento econômico, mas é preciso atenção quanto ao que se pode atrair com esse desenvolvimento. “Todo esse aumento na economia não trará só alegrias, atrairá também pessoas mal intencionadas, com condutas de crime. Isso acaba intensificando essa prática criminosa na Cidade. Aspectos negativos também são atraídos pelo crescimento, e Anápolis certamente está sofrendo desta consequência”, ressalta.
Uma diversidade de comportamentos ou atos individuais em geral é coberta pela violência. Com a véspera natalina se aproximando, fica o alerta do Coronel a todos que aproveitam a época para fazer compras. Segundo ele, as verdadeiras tradições do natal estão em decadência. “O natal deveria repercutir nas pessoas o cristianismo, boas práticas, mas o que se leva em conta pela maioria das pessoas são as compras e os presentes, já as questões espirituais muitas vezes ficam em segundo plano. As pessoas que saírem para comprar, devem tomar cuidado para não ostentar o dinheiro e os valores em público. Utilize mais o cartão de crédito para evitar que você conte ou encha a sua a carteira de dinheiro, isso é um chamariz. Cuidado com jóias e aparelhos celulares chamando atenção dos marginais”, avisa.


Caso do garoto Brendo teve ampla repercussão
Há uma espécie de clamor popular por um trabalho mais efetivo da segurança pública nos bairros de Anápolis. Tem-se como certo que o produto desses roubos é canalizado para o narcotráfico, principalmente o comércio de crack, muito comum nos bairros mais afastados. Geralmente são pequenas quantias levadas pelos assaltantes.
Um caso desse tipo, que chocou todo o país em julho deste ano, foi o do assassinato de Brendo Ribeiro, quando um menor, de dezesseis anos, invadiu uma locadora em Anápolis para realizar um assalto e disparou acidentalmente no jovem de dezessete anos que veio a óbito. O menor infrator foi condenado a uma medida sócio educativa, sentenciado a ficar detido por três anos, sendo essa a pena máxima prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Na época do julgamento, o Juiz da Vara da Infância e Juventude, Carlos Limongi Sterse, em entrevistas à imprensa, comentou que toda vez em que há um caso envolvendo menor em ato violento, a questão da redução da maioridade penal vem à tona. Ele ponderou que não é a redução da maioridade, em si, que vai resolver o problema da violência e opinou que acredita na evolução do sistema socioeducativo, uma vez que o Estatuto da Criança e do Adolescente responde, de forma adequada, para a maioria dos atos infracionais.
No mês passado a família de Brendo realizou uma manifestação pelas ruas da Cidade, levantando a bandeira pela diminuição da maioridade penal, para que haja uma mudança no código penal, a fim de que o menor possa responder pelo crime que cometeu não na medida sócio educativa.

Autor(a): Diego Bartelli

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