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Policiais federais vão pendurar as algemas em Goiás

Segurança Comentários 07 de fevereiro de 2014

Ato é um protesto contra o Governo Federal, em relação à ausência de regulamentação da carreira por meio de lei


Nesta sexta-feira,07, Agentes Federais de todo o país vão participar de protestos em frente às unidades da Polícia Federal e irão pendurar, literalmente, as algemas. O ato é uma manifestação contra o boicote imposto pelo atual Governo, considerado um castigo pelas operações anticorrupção que abalaram o Poder Executivo na última década.
Em Goiás, o ato acontece das 09h às 11h em frente à sede da Superintendência Regional da PF, em Goiânia, e na Delegacia de Polícia Federal em Jataí. Os policiais lotados em Anápolis participarão da mobilização em Goiânia. No período vespertino, das 15h às 17h, ocorre novo ato e panfletagem no Aeroporto Santa Genoveva.
Além do boicote contra o Governo, os agentes da Polícia Federal cobram, entre outras coisas, a restruturação da carreira com a regulamentação em lei federal. A categoria negociava com o governo federal a criação de uma lei para oficializar a mudança, mas, em 2012, a discussão foi paralisada. A administração da presidente Dilma Rousseff ofereceu, então, 15% de aumento, mas condicionado ao fim das campanhas salariais. Os agentes não aceitaram.
De acordo com a Fenapef (Federação Nacional das Polícias Federais), não haverá paralisação no atendimento ao público, tanto na emissão de passaportes ou o ingresso dos pedidos de cidadania brasileira, segundo a Federação, apenas as investigações devem diminuir.

Estado de greve
Na última quarta-feira,05, agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal de 21 Estados e do DF (Distrito Federal) decidiram, em assembleias, entrar em estado de greve. Até o momento, já decretaram o estado de greve os servidores dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Ceará, Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte.
O estado de greve indica que a categoria pode parar a qualquer momento, sendo um indicativo para o governo de que a categoria está disposta a paralisar as atividades caso as negociações não avancem.

Contextualização
Há várias décadas sem uma lei orgânica que reconheça suas atribuições que exigem formação acadêmica, Agentes, Escrivães e Papiloscopistas da PF, segundo Sindicato dos Policiais Federais em Goiás – SINPEFGO, se tornaram os únicos cargos públicos que, na história do Brasil, amargam um congelamento salarial de sete anos, com perdas inflacionárias que já acumulam uma deterioração superior a 40%.
Um dos efeitos mais sensíveis do sucateamento salarial é a desvalorização da carreira dos Agentes, Escrivães e Papiloscopistas da PF, e a constatação de que uma carreira antigamente reconhecida, foi desvalorizada em relação às demais. Atualmente, muitos ingressam provisoriamente, e continuam estudando para outros concursos, que também exigem formação acadêmica, mas são carreiras não depreciadas pelo atual Governo.
Estatísticas oficiais do Ministério do Planejamento demonstram a impressionante queda no número de Agentes Federais em todo o país, no decorrer do ano de 2013, logo após a realização de um concurso para 500 novas vagas: (Veja imagem em anexo)
Somente no ano passado, 230 agentes federais desistiram da profissão ou penduraram as chuteiras, ou melhor, as algemas. Dos cargos esvaziados, metade desistiu no início da carreira, e o restante se aposentou. E é perceptível a mudança de comportamento dos policiais mais antigos, que não esperam sequer um dia a mais para se aposentarem, mesmo com os incentivos oferecidos.
Conforme informações do Ministério do Planejamento, existem aproximadamente três mil cargos policiais autorizados por Lei, mas ainda não ocupados na PF. Dirigentes sindicais protestam contra uma política de Segurança Pública que não valoriza os servidores que combatem o crime organizado, o tráfico de drogas, armas e a corrupção em nosso país. (Com informações do SINPEFGO)

Autor(a): Da Redação

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