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Polícia investiga captação irregular de água do Rio Piancó

Meio Ambiente Comentários 24 de outubro de 2014

Informações da Saneago indicam que donos de terras atuam durante a noite na retirada de água para a irrigação de plantações de hortaliças nas proximidades do Clube das Acácias. A consequência é a diminuição da vazão do rio, prejudicando o abastecimento em vários bairros anapolinos


A Polícia Civil, por meio do 2º DP e do Grupo Especial de Combate a Crimes contra o Meio Ambiente, promoveu, na quinta-feira, 23, uma diligência nas proximidades do Clube das Acácias, onde passa um dos braços do Rio Piancó, responsável pelo abastecimento de água na Cidade. O objetivo foi verificar a captação irregular de água do manancial para a irrigação de terras onde há o cultivo de hortaliças. “Estamos averiguando a captação irregular de água no Rio Piancó, tendo em vista que a Saneago não tem conseguido fazer o abastecimento da Cidade em razão do volume (baixo) de água do Rio”, declarou o delegado Carlos Silveira.
Ele afirmou que “esses motores colocados ao longo do Rio Piancó e que estão retirando água sem a outorga, caracterizam crime ambiental. Tem que ter todo o projeto de viabilização técnica, um estudo para averiguar que tipo de motor, o tipo de agricultura, a vazão, a quantidade de água que pode ser retirada, o horário em que este motor pode ser ligado. As pessoas não podem sair colocando bombas a fim de captar água aleatoriamente”. A denúncia na Polícia Civil foi feita pela própria Saneago e por informantes anônimos.
Todos os proprietários de terras ao longo da área em questão serão intimados a depor, conforme declarou o delegado Carlos Silveira. As primeiras intimações começaram a ser entregues na quinta-feira, durante a diligência, que foi acompanhada pelo Jornal Contexto. “Se não tiverem a outorga ou se as bombas estiverem sendo usadas em desconformidade, tudo isso caracteriza crime ambiental, gera processo e é encaminhado ao Poder Judiciário. Eles vão responder a um procedimento criminal”, explicou o delegado. A autoridade policial informou que uma investigação será feita para verificar a existência de crime ambiental.
Proprietários
O dono de uma das glebas, ouvido pelo Jornal Contexto, que arrenda a sua área para outra pessoa, Renato Nunes não acredita que haja captação irregular de água: “A nossa parceria funciona da seguinte forma: eles (que utilizam a terra) trabalham aqui na terra e nós fazemos uma troca. Eu cedo a terra e eles trabalham adubando o solo, reformando toda a área, basicamente é isso. Imagino que não (seja irregular a captação de água do Piancó por quem arrenda a terra). Tudo isso a gente fez um contrato anterior para poder dar uma segurança para mim. ‘Vocês podem trabalhar na área, mas eu quero estar livre de qualquer penalidade’. Para a gente trabalhar dentro dos conformes”, informou.
Saneago
De acordo com informações da Saneago, houve diminuição da vazão no manancial do Rio Piancó, principalmente no trecho que abastece a Vila Formosa, o Anápolis City e o Jundiaí Industrial. Fazendas próximas ao Clube das Acácias utilizam a água para a irrigação de terras onde há o cultivo de hortaliças. A diminuição da vazão, conforme a empresa estatal, é de aproximadamente 860 litros por segundo, passando de 860 para 600 litros por segundo.
A coleta irregular de água, ainda de acordo com a Saneago, ocorre durante a noite. Neste período, a empresa é forçada a desligar alguns de seus motores que bombeiam água para a Estação de Tratamento no Jardim das Américas. A causa deste procedimento é a diminuição da vazão de água. Caso continuassem ligados, os motores não suportariam e se estragariam.

Autor(a): Felipe Homsi

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