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Polícia Civil parada por salários e melhor estrutura

Justiça Comentários 12 de julho de 2009

A paralisação soa como alerta, na medida em que revela a precariedade da estrutura das delegacias e a falta de pessoal para realizar serviços relevantes à sociedade na luta contra o crime


A greve da Polícia Civil - que reivindica reposições salariais de 2005 a 2009 e um pagamento residual de R$ 400 - traz à tona, novamente, os graves problemas enfrentados pela corporação em Anápolis, devido à acanhada estrutura física e a falta de delegados, escrivãos, agentes e outros servidores, para atender à demanda de serviços essenciais ao combate à criminalidade no Município. A paralisação, entretanto, foi considerada ilegal pela Justiça. A categoria recorreu e aguarda o mérito da decisão do Judiciário. A Secretaria de Segurança Pública ameaça com o corte de ponto.
Em matéria publicada pelo CONTEXTO na edição 217 (05 a 11 de junho último), o delegado titular do 3º DP, Glaysson Charles Rezende Reis, já denunciava a falta de delegados e outros agentes da Polícia Civil para realizar os plantões, ocasionando cargas excessivas que comprometem o resultado da instituição. Ou seja, o trabalho de investigação e o fornecimento de provas para o Poder Judiciário para colocar na cadeia aqueles que cometeram crimes. Além disso, o delegado também enfatizou o problema de a cidade contar com apenas uma central de flagrantes. Isto, conforme observou, faz com que os procedimentos fiquem morosos, causando transtornos, inclusive, para os policiais militares que são obrigados a enfrentar uma longa espera para o devido registro dos delitos.
Com a greve dos policiais civis, outros problemas vêm à tona. Dentre eles, a alocação de algumas delegacias. O prédio do 2º Distrito Policial, por exemplo, pertence à Prefeitura Municipal, que já solicitou o desalojamento. O 5º Distrito Policial funciona de forma precária dentro do Terminal Rodoviário “Josias Moreira Braga”, local considerado inadequado para uma instalação dessa natureza, devido ao grande fluxo de pessoas que passam pelo local diariamente. O 7º DP funciona no prédio de uma escola, o CAIC do Conjunto “Filostro Machado Carneiro”.
O representante da União Goiana dos Policiais Civis (Ugopoci) em Anápolis, Paulo Renato, citou estes dois problemas. Mas, segundo ele, em quase todos os distritos policiais, a estrutura não é das melhores. Em algumas delegacias - frisou o sindicalista - falta até material de consumo.
Além da questão salarial - afirmou Paulo Renato - a categoria também está reivindicando melhorias de condições de trabalho. Em Anápolis, destacou, as viaturas não dispõem de sistema de radiocomunicação e muitas delas estão em condições ruins. Faltam, ainda, coletes à prova de balas, munição e equipamentos auxiliares aos procedimentos de investigação, como filmadoras e máquinas fotográficas digitais. Também há poucas viaturas descaracterizadas.

Homicídios
“Hoje temos um acumulo de aproximadamente 300 inquéritos por delegacia”, frisou o representante da Ugopoci, acrescentando que o município também carece de delegacias especializadas para atuar em casos específicos, como homicídios. “Mas nós precisamos, primeiramente, é da valorização profissional”, sentenciou, apontando que também há um ponto importante nas reivindicações, que é a criação do Banco de Horas da Polícia Civil, assim como já existe o Banco de Horas da PM, remunerando os policiais que trabalham em parte das suas respectivas folgas. O que contribuiu para aumentar o efetivo nas ruas e desafogar o trabalho.
De acordo com a Ugopoci, com a greve foram mantidos apenas 30% dos serviços, para se cumprir a legislação. Estão sendo registradas, apenas, as ocorrências de flagrantes de crimes hediondos, e TCO’s de flagrantes. Os serviços de investigação estão paralisados. E, de acordo com Paulo Renato, o Governo Estadual não tem sinalizado qualquer indicativo para uma negociação com uma categoria e já ameaça, até, cortar os salários em relação aos dias parados.

Autor(a): Cláudius Brito

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