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Polícia Civil cria grupo especial para investigar desaparecidos

Segurança Comentários 04 de maio de 2012

Somente nos três primeiros meses deste ano, foram registrados 55 desparecimento de pessoas maiores de 18 anos. A PC solucionou cerca de 65% dos casos


A investigação sobre o desaparecimento de pessoas ganhou reforço em Goiás. A criação do Grupo Especial de Investigações de Desaparecimento de Pessoas (GDP) da Polícia Civil é o primeiro passo para futuramente instalar a primeira delegacia especializada nesse assunto. Simultaneamente ao GDP, o Estado tem investido em tecnologia e adotado ações conjuntas com diversas instituições para elucidar esses crimes.
Até então, os desaparecimentos eram investigados pela Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios. Não havia uma equipe específica para tratar de tais sumiços. Agora a PC tem um quadro de servidores exclusivo para solucionar essas ocorrências. Segundo o delegado titular do GDP, Marco Antônio Assis de Araújo, o grupo foi criado devido à demanda existente.
Nos primeiros três meses deste ano a Polícia Civil registrou o desaparecimento de 55 pessoas maiores de 18 anos. Eram 38 homens e 17 mulheres. A PC solucionou 65,4% dos casos, ou seja, encontrou 36 pessoas (25 homens e 11 mulheres). No mesmo período do ano passado foram registrados 63 desaparecimentos.
O GDP trabalha especificamente na localização desses indivíduos. Por exemplo, quando a equipe encontra o corpo de alguém que havia sumido, a investigação é repassada à Delegacia de Homicídios. Quando o desaparecimento é no interior do Estado, o GDP apóia a investigação da delegacia local. “Nosso trabalho é conjunto. Sempre estamos ligados ou à Homicídios, ou à Delegacia de Investigações Criminais e assim por diante”, comenta Araújo. Ele acrescenta que a integração com a Polícia Técnico-Científica e Superintendência de Direitos Humanos também é fundamental.

Motivação
De acordo com o Grupo Especial de Investigações de Desaparecimento de Pessoas, a maioria dos casos trata-se de auto desaparecimento. Ou seja, por alguma razão a pessoa sai do seu meio de convivência e não informa seu paradeiro. Conflitos familiares e problemas financeiros justificam esses sumiços voluntários.
O delegado Marco Antônio Assis de Araújo lembra do desaparecimento de um empresário goiano recentemente localizado pelo GDP. Ele sumiu no dia 11 de abril e em menos de 24 horas a PC de Goiás o encontrou. O homem intermediava venda de fazendas e após ser lesado por um agiota teve prejuízo de mais de R$ 150 mil. “Ele surtou com o problema financeiro e sumiu. O localizamos em Aracaju”, comenta.
A dependência química figura em segundo lugar como motivação para o desaparecimento de pessoas. Há cerca de 20 dias a PC localizou um rapaz que foi preso por traficantes em uma festa onde ele estava usando drogas. Os criminosos exigiam que o rapaz assinasse documentação repassando sua motocicleta para eles. Ele ficou 48 horas sumido.

Tecnologia
O Governo de Goiás está investindo em tecnologia para solucionar desaparecimentos ocorridos no Estado. Ainda em fase de estudo e implantação está o banco de DNA. Nele, serão armazenadas amostras de material genético de corpos não identificados e familiares de pessoas desaparecidas. O novo sistema possibilitará que o DNA de um familiar seja comparado a todos os cadastrados no banco. Com isso, o tempo-resposta dessa checagem diminui. Até então, essa comparação era feita pessoa por pessoa. Por exemplo, quando se localizava um corpo em avançado estado de decomposição somente era possível a checagem de DNA com alguma vítima pré-estabelecida. Agora, o novo sistema possibilita que essa verificação ocorra simultaneamente com todo o material genético cadastrado no banco. Goiás possui mais de 100 corpos sem identificação.
Um grupo de trabalho também se reúne periodicamente para agilizar essas investigações, avaliando ações bem sucedidas e novos métodos para êxito na localização de desaparecidos. Entre os que integram essa equipe estão representantes de Delegacias Especializadas, Superintendência de Direitos Humanos da Secretaria de Segurança Pública e Justiça (SSPJ), Polícia Técnico-Científica, Instituto Médico Legal, Semira, Gerência de Informática da SSPJ, entre outras instituições.

Registros
O delegado Marco Antônio esclarece que não há um período mínimo para o registro do sumiço de pessoas. “Existe o mito de que são necessárias 48 horas para registrar o desaparecimento, mas isso não é verdade. Desde que o desaparecido tenha saído de sua rotina diária é possível fazer o registro”, explica.
Para quem estiver em Goiânia, a ocorrência pode ser registrada na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios. No local é feita a triagem e entrevista com os parentes da vítima. “É importante que os parentes colaborem e não escondam nada da polícia. Levar a foto da pessoa ajuda muito também”, pontua Araújo. São levantadas as hipóteses para o desaparecimento e acionadas as delegacias parceiras.
No interior do Estado o desaparecimento pode ser relatado nas delegacias locais. E caso não haja a possibilidade de deslocamento, é possível fazer o registro online. Por meio da Delegacia Virtual o familiar consegue inserir o fato e até mesmo a fotografia da vítima. Também por meio da página virtual da Polícia Civil, qualquer pessoa pode visualizar as fotos de pessoas desaparecidas, e-mails e telefones para denúncias.

Motivações de desaparecimento de pessoas
1º Auto desaparecimento
2º Dependência química
3º Afastamentoabandono do convívio familiar
4º Transtorno mental
5º Evasão de custódia legal
6º Cooptação para práticas criminosas
7º Doenças (esquizofrenia, depressão)
8º Acidentes de trânsito
9º Sequestro
10º Homicídio
11º Suicídio
12º Desaparecimento enigmático (quando não tem qualquer tipo de relacionamento inicial entre circunstâncias e motivação
(Fonte: Polícia Civil)

Autor(a): Da Redação

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