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Polêmica entre médicos vira caso de polícia

Geral Comentários 17 de maio de 2013

Neurocirurgião Paulo Taveira denunciou que foi colocado dentro de uma viatura policial por cerca de 30 minutos e que passou por constrangimentos


Um caso atípico movimentou o plantão policial no último domingo, 12. O médico neurocirurgião Paulo Roberto Taveira foi detido e colocado dentro de uma viatura da Companhia de Policiamento Especializado (CPE, antigo GOE), no Hospital de Urgências, onde trabalha. A detenção teria sido feita a pedido do, também, médico Afonso Henrique Teixeira Magalhães, diretor do Hospital Municipal, com a justificativa de que o colega havia negado atendimento a dois pacientes graves que chegaram ao Hospital Municipal “Jamel Cecílio” (HMJC), vítimas de acidente. Um com traumatismo encefálico-craniano acompanhado de hemorragia e o outro com acidente vascular cerebral e precisavam de atendimento especializado.
O neurocirurgião Paulo Taveira relatou o fato em sua página de relacionamento no Facebook. Segundo ele, no domingo, estava no Hospital de Urgências prestando assistência a uma criança vitimada em um acidente de trânsito na BR-414, sendo que, no sinistro, o pai da criança viera a óbito, devido à violência da batida. O médico disse que teve de interromper o atendimento com a abordagem feita pelo Tenente Valente, da CPE, o qual ordenou que fosse colocado incomunicável dentro da viatura por cerca de meia hora, fato este - destacou o médico, em entrevista na manhã de quinta-feira, 16, à Rádio Manchester - presenciado por vários de seus colegas no hospital, por funcionários e pacientes, causando-lhe grande constrangimento.
Paulo Taveira assinalou que a ordem ao policial partiu do médico Afonso Magalhães e disse estranhar o fato de o policial receber ordem do profissional. “Ainda não sei qual é a íntima e personalíssima amizade entre os dois”, declarou o médico no site de relacionamento. Aos 56 anos de idade, Taveira conta que nunca passou por situação semelhante e que, no dia do acontecimento, não teve mais condições de trabalhar, foi para casa e trancou-se no quarto. Devido ao seu estado, teve de ser medicado e, só então, narrou o que aconteceu para os seus familiares.
Na entrevista à emissora de rádio, Taveira informou que conversou com outro médico do Hospital Municipal acerca dos dois pacientes e que após atender a criança cuidaria do caso, já que o da menina era, também, grave. O médico disse que o colega chegou com os policiais falando em tom de voz alterada e queria levá-lo ao Hospital Municipal. “Ele ficou bravo, falando que eu estava fazendo galhofa com ele”, relatou, acrescentando que não teve ao menos a oportunidade de usar o telefone celular para buscar auxílio. “Já fui diretor do Hospital Municipal, secretário de Saúde do Município e nunca vi uma coisa dessa”, ponderou.
O caso foi parar na polícia e rendeu um Termo Circunstanciado de Ocorrência no 5º Distrito Policial, sob o comando do delegado Álvaro Cássio, que responde também pela 3ª. Regional da Polícia Civil. Ele informou que irá ouvir outros médicos e funcionários do Hospital de Urgências e depois os demais envolvidos, no caso, os policiais que fizeram a abordagem e o diretor do Hospital Municipal, para a instrução do inquérito policial. Paulo Taveira revelou que pretende também levar o caso à Justiça e ao Conselho Regional de Medicina.
Outro lado
Também em entrevista à Rádio Manchester, o médico Afonso Henrique Teixeira Magalhães Issa, diretor do Hospital Municipal, deu a sua versão ao fato, relatando que os dois pacientes chegaram à unidade apresentando traumatismo encefálico e acidente vascular cerebral, sendo que em casos como este, o procedimento é encaminhar para a unidade de referência, ou seja, o Hospital de Urgências. Conforme disse, não houve e não há “nenhum problema institucional com o Hospital de Urgências, mas um problema pontual com o médico Paulo Taveira” que, conforme argumentou, negou-se a receber o encaminhamento dos pacientes que corriam risco grave de morte, para fazer a avaliação presencial.
O diretor do HMJC destacou que os pedidos haviam sido encaminhados há 24 horas e, portanto, antes do caso com a criança, “que ele tinha mesmo de atender, mas poderia fazer depois”. O médico Afonso Henrique afirmou que não deu ordem de detenção do colega, mas que pediu orientação para que a polícia interviesse diante daquela ocorrência “de omissão de socorro”. Para ele, Paulo Taveira, ao se recusar a fazer a avaliação presencial dos pacientes, como profissional especializado, estaria infringindo o Código de Ética Médica. Também, disse que o médico que atendeu aos pacientes, Dr. Caio, fez um relatório em que afirma a negativa. “Fui pedir atendimento, não fui prender”, defendeu-se. Afonso Henrique salientou que vai prestar todos os esclarecimentos que forem necessários e que vai cooperar para a elucidação desse caso, que ganhou ampla repercussão pela imprensa, por envolver dois profissionais da área médica. “A população é que não pode ser prejudicada. Ela tem de ser atendida de direito e de forma digna”, pontuou.

Reunião
Ainda na quinta-feira, 16, o secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Teixeira, teve um encontro com o comando da CPE e com o Tenente Valente. Este solicitou que nenhuma informação fosse dada, uma vez que prestará todos os esclarecimento acerca do fato em juízo. O secretário ressaltou que o diretor do Hospital Municipal “Jamel Cecílio” é um profissional que tem extremo zelo com o Hospital e com os paciente e que o mesmo conta com o seu apoio e irá aguardar os desdobramentos do caso.

Autor(a): Claudius Brito

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