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PIB: Pesquisa aponta pior resultado em cinco anos

Economia Comentários 02 de outubro de 2015

Levantamento feito pelo Instituto Mauro Borges aponta que os três setores básicos da economia


O PIB goiano no segundo trimestre de 2015 contraiu 1,9%, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, pior resultado dos últimos cinco anos. O valor adicionado (VA) das atividades recuou 2,2% e os impostos sobre produtos líquidos de subsídios tiveram queda de 0,2%. Todas as grandes atividades tiveram recuo quando confrontadas com o mesmo período do ano anterior, tendo o setor agropecuário apresentado a maior queda (-5,9%) seguido pela indústria (-1,7%) e pelos serviços (-1,5%)


 


Agropecuária


O resultado apresentado pela agropecuária refletiu principalmente o atraso no plantio devido à demora da chuva, além dos baixos preços no mercado no momento do plantio, caso da cultura de milho, que reduziu a sua área plantada em 2,9%. Além disso, também caiu a produção de soja, principal cultura goiana, devido à queda na sua produtividade (-7,5%), e o sorgo, no qual Goiás é o principal produtor nacional, também reduziu sua produção. Na realidade, todas as culturas temporárias tiveram queda na sua produção (soja, milho, feijão, algodão, tomate e cana-de-açúcar).


Conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), posição de julho de 2015, a safra de grãos não teve bom desempenho, com queda de 3,6%. Os maiores recuos ocorreram em: algodão -36,3%, arroz -21,0% e sorgo -19,8%. Soja, milho e cana-de-açúcar também recuaram, mas com taxas menores: -2,6%, -1,8% e -2,9%, respectivamente, o que contribuiu para a forte queda na agropecuária goiana nesse segundo trimestre. Na pecuária, o rebanho de bovinos e o efetivo de suínos não tiveram crescimento expressivo no trimestre, sendo de 0,5% e 0,6%, respectivamente.


 


Indústria


O setor industrial de Goiás teve queda de 1,7% no segundo trimestre de 2015. Exceto construção civil, todos os demais segmentos que compõem o setor industrial, ou seja, indústria de transformação, indústria extrativa e produção e distribuição de eletricidade, gás e água (Siup) contribuíram negativamente para a formação da taxa global da indústria.


A construção civil que apresentou recuo no primeiro trimestre começa a dar sinais de recuperação. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE), as vendas no mercado varejista de material de construção expandiram 1,6% no segundo trimestre e 3,3% no semestre. Também estão em andamento importantes obras públicas de infraestrutura, como o aeroporto de Goiânia e rodovias e ferrovias. Outro elemento que sinaliza recuperação do setor é o índice de Expectativas da Construção (IE-CST)1, que registrou alta de 0,7% em agosto em nível nacional, o que acaba também acontecendo em nível regional.


A indústria extrativa reduziu sua produção pressionada pela queda na extração de minérios de cobre, amianto e fosfatos de cálcio naturais. No Siup houve queda na geração de energia. No segundo trimestre, tanto a indústria extrativa, quanto a de transformação apresentaram recuo de 2,2% e 3,8%, respectivamente.


Na transformação, segundo Pesquisa Mensal da Indústria (PIM-pf/IBGE), no trimestre, o segmento de produtos farmoquímicos e farmacêuticos apresentou a maior variação negativa, especialmente na fabricação de medicamentos. Dificuldades ainda relacionadas à depreciação da moeda nacional e consequente encarecimento nos custos de importação de matérias-primas, além do arrefecimento da economia, são fatores que têm inibido a expansão dessa atividade em Goiás.


Por outro lado, a produção de biocombustíveis (etanol) sobressaiu aos demais segmentos, devido à competitividade nos preços em comparação com a gasolina. Adicionalmente, houve a decisão das usinas em voltar sua produção para o álcool etílico reduzindo assim a produção de açúcar.


Os fatores condicionantes para este comportamento negativo da indústria (Transformação) estão relacionados à depreciação da moeda nacional e consequente o encarecimento nos custos de importação de matérias-primas, além do baixo nível de confiança dos empresários. Segundo o Índice de Confiança da Indústria (ICI) de agosto, da Fundação Getúlio Vargas, recuou 1,6% m/m (de 69,1 para 68,0 pontos), atingindo o menor nível da série histórica. Segundo a Fundação, demanda interna fraca e os estoques excessivos são os principais impactos negativos sobre as expectativas para os próximos meses.


 


Serviços


No setor de serviços houve variação de -1,5% no 2º trimestre acompanhou o comportamento de queda da agropecuária e indústria. A atividade de serviços nos últimos anos vinha sustentando o crescimento econômico de Goiás. Essa situação mudou, pois, a partir de 2015, o setor começa a perder fôlego acumulando resultados negativos a cada trimestre.


No segundo trimestre de 2015 o setor recuou novamente devido ao movimento de queda do segmento do comércio, principal influência negativa na taxa global, seguido pela atividade de transportes e serviços prestados às empresas.


Conforme os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE), a desaceleração no varejo goiano tanto no trimestre quanto no semestre foi em decorrência da queda nas vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (15,2%) e Móveis e eletrodomésticos (-12,6%). Cabe mencionar que esse resultado decorre da perda do poder de compra da população devido à inflação elevada, além da redução da massa de rendimento dos trabalhadores e menor ritmo de crescimento do crédito, impactando na decisão de consumo da população.


O segmento de Material de construção, que compõem o varejo ampliado, se manteve com taxa positiva (1,6%), ao passo que as vendas de Veículos, motocicletas, partes e peças continuaram em declínio (-22,3%), devido à retirada gradual dos incentivos via redução do IPI do menor ritmo na oferta de crédito e pelo maior comprometimento da renda familiar com outros tipos de despesas. Assim, pode-se considerar que houve um represamento do consumo de bens duráveis durante a crise.


No segmento de Transporte houve recuo tanto no modal terrestre quanto no aéreo em virtude do cenário de contração na economia. O certo é que, os modais de carga são as primeiras atividades a serem impactadas com o arrefecimento da economia.


O recuo nos serviços prestados às empresas, da mesma forma, foi em decorrência do fraco desempenho da indústria e da agropecuária, o que afeta negativamente a demanda por esse tipo de serviço.


Assim, a contração na economia goiana pode ser confirmada pela desaceleração de um conjunto de indicadores: queda na produção industrial, na produção agrícola, nas vendas no varejo, crescimento da taxa de desemprego além do recuo na balança comercial. No mercado de trabalho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua


(PNAD-C/IBGE), em Goiás, no 2º trimestre de 2015, a taxa de desocupação foi de 7,3%. Houve aumento de 1,9 ponto percentual quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior (5,4%). O indicador é reflexo do arrefecimento da economia que em períodos de contração afeta a geração de novas oportunidades no mercado de trabalho e reduz os postos já existentes, dado que algumas empresas preferem encerrar a produção e iniciar o processo de demissão dos trabalhadores ou aplicar férias coletivas. (Fonte: Instituto Mauro Borges/Segplan-GO)

Autor(a): Da Redação

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