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Pesquisa mostra situação das trabalhadoras no Daia

Economia Comentários 30 de maro de 2012

Levantamento realizado por pesquisadoras da UEG revela que há, ainda, discriminação de gênero sexual. Apesar de terem elevado grau de instrução, poucas são as que estão em altos cargos


O Boletim de Conjuntura Econômica do mês de março, produzido pela Superintendência de Estatísticas, Pesquisas e Informações Socioeconômicas e divulgado pela Secretaria Estadual de Gestão e Planejamento, traz uma pesquisa inédita sobre as características das mulheres trabalhadoras no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). O trabalho foi realizado por Joana D’arc Bardella Castro, economista, doutoranda em Economia pela UNB e Mestre em Economias de Empresas pela UCB- Brasília, professora pesquisadora da Universidade Estadual de Goiás e pela professora Camila Vito Silva, também, economista da UEG.
As pesquisadoras apontam que o levantamento sobre as condições das trabalhadoras do Daia é uma pesquisa quantitativa de campo com aplicação de questionário a 298 mulheres, cujo método foi o hipotético dedutivo. O universo estudado foi estabelecido segundo informações da Relação de Informações Sociais (RAIS) para a indústria de transformação. “Visto que a atual divisão sexual do trabalho está presente nas relações sociais brasileiras, o principal objetivo deste estudo foi verificar como isto incide no Daia - Anápolis”, destacam Joana D’arc e Camila Vito, na exposição da justificativa do trabalho.
A pesquisa traz informações referentes à faixa etária, ao estado civil, à raça, ao grau de instrução e ao número de filhos das mulheres entrevistadas. No primeiro item, a constatação inicial é de que a População Economicamente Ativa (PEA) feminina do Daia é jovem. Do total, 72% das mulheres situam-se na faixa etária entre os 15 e 30 anos, sendo que a maior incidência está na classe que abrange dos 21 aos 25 anos, com a participação de 98 mulheres.
Há, segundo o levantamento, maior participação de mulheres não casadas, ou seja, solteiras, divorciadas e viúvas, com percentual agregado na ordem de 58%, contra 41,6% de mulheres cônjuges - casadas e que vivem em situação marital. Em relação à quantidade de trabalhadoras distribuídas conforme idade e estado civil, a pesquisa demonstra que a maior fração correspondente às solteiras inclui-se, também, na faixa etária com maior número de mulheres - dos 21 aos 25 anos. “Assim, supõe-se que o grande volume de mulheres solteiras decorre da idade predominante das trabalhadoras, que é púbere”, avaliam as pesquisadoras.
Filhos
Quase 60% das mulheres trabalhadoras, de acordo com os dados apresentados, não têm filhos e quase 20% têm, apenas, um filho. “Tal cenário é a reprodução das taxas brasileiras tanto de fecundidade, quanto de natalidade, que, ao longo do tempo, vêm sofrendo decréscimos progressivos. Estes fenômenos, tanto locais, quanto nacionais, merecem atenção especial, pois, em muitas vezes, são considerados como uma das barreiras à inserção da mulher no mercado de trabalho. Obstáculos que nascem nas relações do seio familiar e reproduzem-se nos processos seletivos das empresas”, ponderam Joana D’arc e Camila Vito.
Quanto ao levantamento de informações sobre a raça, designada pela cor da pele, os números apresentaram predominância de mulheres pardas, com 41,6%, seguidas pelas mulheres brancas, com 38,7% e pelas negras, com 19,7% do total da amostragem. O alto índice de mulheres ditas “amarelas”, entretanto, pode ter sido revelado em face de deficiência de informação, “em que o mesmo trata de pessoas de origem asiática, mas pode ter sido interpretado como o tom amarelado da pele (que seria pardo) e não à etnia em si”. Diz a pesquisa.
Quanto ao item de escolarização da População Economicamente Ativa de mulheres do Daia, a pesquisa revela que 27,85% das trabalhadoras possuem nível superior incompleto; 23,83% têm nível médio completo e 18,12% o ensino superior completo, perfazendo, somente nestas três classes, um total de cerca de 70% da amostra com mais de 12 anos de estudo. “Assim, nota-se que as mulheres trabalhadoras do DAIA possuem elevado grau de escolarização”.

Mulheres contribuem mais com renda familiar
No que diz respeito à situação do domicílio, a pesquisa aponta que 133 pessoas afirmaram residirem em moradia própria, quitada, o que totaliza 45% da amostra. Em segundo lugar estão as famílias que pagam aluguel, com o percentual de 31% das mulheres. Em comparação com o estado civil das trabalhadoras tem-se o seguinte resultado: 56,8% das solteiras moram em casa própria quitada; 30,6% das mulheres casadas habitam em moradia própria quitada e 28,7% em casa alugada; exatamente 50% das mulheres em situação marital residem em casa alugada; 42,9% das divorciadas vivem em moradias alugadas; e, 66,7% das viúvas moram em residência própria quitada. “Estes dados indicam que, nem sempre quando o orçamento familiar é conjunto com o de um companheiro, tem-se padrão de vida mais elevado, pois as mulheres cônjuges, em seus dois estratos, não possuem residência própria. O aumento da receita pode levar ao aumento dos gastos”, afirma a pesquisa.
A renda familiar predominante na PEA feminina do DAIA (34%) situa-se entre R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00. A segunda renda com maior incidência está entre os R$ 2.001,00 e R$ 3.000,00. Os valores da renda familiar são considerados reduzidos ao se levar em conta o número de residentes predominante nos domicílios das trabalhadoras do DAIA: em 29,2% das residências há quatro moradores. Sendo assim, a renda média per capita será equivalente a R$ 375,13.
Estes números justificam a informação de que 10% da PEA feminina são beneficiárias de algum programa social do governo. Os baixos valores da renda familiar, também, podem ser o reflexo dos salários inferiores aos quais as trabalhadoras femininas estão sujeitas. A remuneração auferida por, aproximadamente, 75% das trabalhadoras do Daia equivale a até três salários mínimos, sendo que 16% têm renda de até um salário e 59% recebem de um a três salários mínimos. Apesar das remunerações rebaixadas, 86% das trabalhadoras contribuem com o orçamento doméstico, das quais 118 mulheres colaboram com menos da metade do salário; 55, com metade do salário e o mesmo número para mulheres que ajudam com mais da metade do salário. E, por fim, 28 mulheres repassam todo o salário para cobrir despesas domésticas.

Jornada dupla
A maioria das mulheres trabalhadoras do Daia exerce, no mínimo, duas horas de trabalho doméstico durante o dia. Em relação aos companheiros, 48,12% das mulheres cônjuges afirmaram que os mesmos não contribuem em nada com a divisão das tarefas domiciliares. “Com isso, pode-se afirmar que a trabalhadora do Daia exerce dupla jornada de trabalho, pois, além de permanecer mais de 10 horas diárias em função do emprego (trajeto e trabalho efetivo na empresa), dispensa mais algumas horas de seu dia para os afazeres domésticos que, na maioria das vezes, não conta com a solidariedade dos companheiros”, sustenta a pesquisa.
Em relação à ocupação das trabalhadoras, 38% estão agrupadas em profissões científicas e técnicas, devido ao alto grau de escolarização; 25% em serviços administrativos; 22% em áreas ligadas à produção industrial; 10% em serviços de serventia, higiene e embelezamento e, apenas 2% exercem cargo de diretoria. “Estas informações revelam que nas empresas do Daia também existe a segregação hierárquica de gênero confirmada pela ausência de mulheres em cargos de chefia”, enfatiza o estudo, apontando, ainda, que “a divisão sexual do trabalho também está presente no âmbito das lideranças quando é observado o salário auferido pelas trabalhadoras, pois, quanto maiores os salários, menor é a participação mulheril em cargos de comando”.

Autor(a): Da Redação

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