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Parque Ipiranga: barulho e insegurança preocupam

Cidade Comentários 02 de abril de 2015

Jornal Contexto verificou que grupos colocam o som acima do volume permitido e, até, uma igreja estariam incomodando a vizinhança


Nesta semana, o Jornal Contexto recebeu em sua Página no Facebook (https://www.facebook.com/contextojornal) uma mensagem da leitora Rejane Zacarias, que reclamava do barulho e do perigo ao redor do Parque Ipiranga: "Gostaria de sugerir uma matéria sobre o Parque Ipiranga. Apesar dos benefícios que o mesmo trouxe aos moradores do Bairro Jundiaí e entorno, o mesmo trouxe, também, muitos transtornos. Aliás, com tantos parques construídos na cidade, porque todos os eventos estão sendo realizados no mesmo? Não poderiam ser melhor distribuídos?”.
Ela indica que seu sentimento é partilhado por outros moradores da região. “Tenho conversado bastante com os moradores e tem muita gente reclamando do excesso de barulho (música alta em bares, carros com som muito alto, eventos com alto falante antes das 07h00, usuários de drogas, bêbados, vândalos, muita gritaria, enfim, cada um tem uma reclamação a fazer). A falta de segurança tem sido o assunto mais abordado", destaca Rejane.
Em contato com moradores da localidade - alguns não quiseram se identificar - o Contexto confirmou que, realmente, muitos da vizinhança não estão satisfeitos com a situação e cobram um posicionamento das autoridades. A dona de casa Adriana França, 44, se mudou de São Paulo para Anápolis há dois anos. Uma instituição religiosa que promove cultos próximo à sua casa tem gerado transtornos, conforme indica. “O que mais incomoda aqui é a igreja que tem aqui ao lado”, reclama.
Para ela, “o parque em si não incomoda”, nem os eventos que são realizados no Ipiranga. Mas a igreja sim. “Eles (igreja) colocam os alto-falantes todos virados para a rua. Então. não é só para eles. Eles querem que todo mundo, que o bairro inteiro escute. E, isso, eu acho que incomoda”, continua.
Questionada se o conteúdo da mensagem incomoda, ela responde: “Não tenho nada contra as outras religiões, nenhuma religião, mas eu acho que o conteúdo, as coisas que são ditas são um pouco absurdas”. Ela informa que o líder religioso responsável pelas pregações “às vezes fica quinze, vinte minutos falando”. Em sua opinião, o fato gera constrangimentos para quem passa por ali: “As pessoas que atendem a esse culto ficam escutando, sem saber nem o que a pessoa está dizendo, falando muito de satanás, do diabo, dessas coisas. Então, às vezes passa criança - eu passo com a minha filha, com criança. ‘Mãe, o que é isso? (a criança pergunta)’. Aí tem que eu chegar em casa e explicar as coisas. Então, acho que isso me incomoda. Porque eu acho que não são coisas para uma criança estar escutando. E no parque tem muitas crianças”.
“Uma língua que ninguém entende”. Assim a moradora Adriana França define a mensagem que é passada durante os cultos das segundas-feiras. “Eles não dizem só para o pessoal da igreja. Eles colocam o alto-falante virado também para fora. Então, eles querem que todo mundo escute. Ela diz que, se fizesse parte do público-alvo que a igreja quer atingir, “jamais” aceitaria o conteúdo exposto, dando a entender que a forma agressiva de ser passada a mensagem mais causa afastamento do que aproximação à instituição religiosa. Ela mora com mais duas pessoas, que também comentam sobre o incômodo. Adriana afirma que “jamais” tomaria uma atitude contra a igreja, como ir à justiça ou denunciar. “Como boa vizinhança, a gente não fala nada, não incomoda, deixa eles serem felizes”, explica.
Prefeitura
A gerência de Educação Ambiental da Prefeitura, localizada no Parque, informou, por meio do gerente Renan Machado, que o barulho ocasionado pelos eventos do local não têm sido um incômodo para os moradores vizinhos. “O Parque foi feito para a população, os frequentadores dele, e ele foi feito para a parte da cultura”, destaca Renan. Ele detalha ainda que existem alguns critérios para quem utiliza a localidade, como o respeito ao nível de 65 decibéis em volume de som.
Aparelhos sonoros somente podem ser usados até às 21 horas. Grupos, instituições que queiram utilizar o espaço devem agendar com a gerência de Educação Ambiental o horário. “Dependendo do instrumento que eles vão utilizar, se eles vão usar instrumento elétrico ou se é instrumento de sopro” os horários têm que ser respeitados. Não é permitida a fixação de publicidades ou a panfletagem, pelo fato de o Parque Ipiranga se tratar de um espaço público. “Todos eles têm um limite, principalmente questão de horário, questão de se cumprir a limpeza, entregar da mesma forma em que foi pego”, pontua.
Ele assume que realmente a procura pelo Parque Ipiranga para eventos é maior do que em outros parques da cidade. “Aqui é o único parque – que eu posso te dizer – que funciona vinte e quatro horas por dia. Outro parque que mais ou menos se assemelha a ele é o Parque da Liberdade”, cita. Ele informa que este, “por questões de segurança”, acaba “não sendo muito habitável” neste horário.
“O Parque Ipiranga, vinte e quatro horas por dia, você pode vir em qualquer lugar, é habitável, tem alguém fazendo alguma coisa, tem alguém caminhando. Aqui, tem gente que caminha de madrugada”, explicita. Para ele, “pela atratividade que o parque tem, (por) ser um parque aberto, aberto para todo mundo - não tem nenhuma barreira física nele - as pessoas vêm até ele por causa disso”.
Ele informa que a Prefeitura “está procurando realizar algumas atividades fora”, para que seja descentralizado o uso de parques na cidade. Uma das iniciativas para cumprir este objetivo é o projeto Arte no Parque, a ser desenvolvido em breve, promovendo atividades artísticas, culturais e educativas no Ipiranga, “justamente para tentar evitar futuramente a centralização dentro do Parque Ipiranga”. Renan diz que reclamações quanto ao trânsito na região por causa do fluxo de veículos no Parque Ipiranga “chegam, mas não são muito evidentes, são casos bem pontuais, bem esporádicos”, que não chegam a um por cento das reclamações de usuários do local.
O gerente informa que desconhece os problemas relacionados à igreja citada no início da reportagem. “Eu confesso que, para mim, nunca chegou essa informação, dessa igreja, alguma reclamação. Não. Se chegar, nós já direcionamos (para a Postura)”, conclui.

Autor(a): Felipe Homsi

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