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Parque Ambiental é modelo de cidadania

Meio Ambiente Comentários 05 de fevereiro de 2010

Moradores da região tomaram a iniciativa de transformar uma área degradada em um bosque. O resultado: o lugar ficou conservado, aprazível e virou exemplo de como a sociedade pode, por si só, trabalhar em prol do coletivo


O Bosque Comunitário do Anápolis City, uma iniciativa de três moradores do bairro, é um projeto de responsabilidade socioambiental da Public Propaganda que deve ser transformado no City Park Ambiental, em parceria com a prefeitura, dotado de pista para caminhada, equipamentos para ginástica, esporte, cultura e laser, espaço para educação ambiental e centro de convivência social . Com aproximadamente 40 mil metros quadrados, a área localiza-se entre a rua N-35 e a avenida N-3, que margeia a vila militar, na 2ª. Etapa do bairro, onde foram plantadas cerca de 500 árvores, por iniciativa do publicitário e jornalista Manoel Vanderic, residente nas proximidades da reserva.
A ação comunitária – um exemplo de cidadania - tem apoio do aposentado Calmo Quirino (pioneiro) e do engenheiro florestal Laurent Queno (francês radicado em Anápolis). Eles trabalham na formação do bosque há quatro anos. Entre as espécies de árvores do bosque destacam-se: angico (nativo), pau-brasil, mogno, umbela, pinus, paineira rosa, ipê (roxo, amarelo, branco e cor-de-rosa), flamboyant, seringueira, teca, jacarandá mimoso, jaca, manga, abacate, jambrão do pará, teca, pau ferro, coresmeira, cabiúna do campo (nativa), cássia grande, tamburil, jatobá, jenipapo, aroeira, gonçalo aves, espatódea, magnólia, barbatimão, cedro, pau-rei, palmeiras imperial e real.
Antes degradada pelas constantes queimadas, a aérea era um matagal no período das chuvas e um depósito de cinzas durante a seca. Quando não era a proliferação de insetos, ratos, animais peçonhentos e marginais que se escondiam no matagal era o lixo e o risco de doenças que preocupavam os moradores das redondezas. A limpeza da área, o cultivo do solo e o plantio das árvores, além de resolver todos estes problemas, agregou diversos valores ao Bairro Anápolis City-Etapa II. A área ficou mis bonita, agradável e saudável, com muito mais verde.
Outro fator positivo, além da qualidade de vida, é a valorização imobiliária. Mesmo se tratando de um bosque jovem – quatro anos – O City Park Ambiental já atrai moradores, maioria pais que levam seus filhos para ter contato com a natureza. O bosque é de uma limpeza impecável. Talvez uma das áreas verdes mais bem cuidadas de Anápolis.

CERRADO
Na mesma área de preservação ambiental, aproximadamente 5 mil metros quadrados de cerrado goiano nativo estão protegidos do ataque de formigas e cupins, bem como do fogo e outras agressões. Nesta área, cultivares do cerrado, como pequi, caju e outras frutíferas do campo serão plantadas brevemente. Na parte remanescente do bosque, Manoel Vanderic e seus parceirtos planejam acrescentar pelo menos mais uma centena de variedades, entre madeira-de-lei e frutíferas nativas da Amazônia. Ele explica que na formação de um bosque tão importante quanto plantar é cuidar das árvores até atingirem a idade adulta.

Cuidar das plantas é uma terapia
Como o bosque é formado em área urbana aberta, sujeita ao pisoteio de animais, compactação por veículos, devastação por fogo, degradação por lixo e entulho, roubo de mudas e destruição de árvores, o trabalho é redobrado e exige muita dedicação: combate à saúva e cupim, coroamento, correção do solo, adubação, estaqueamento, capina, roçagem e vigilância total.
Este cuidado resultou no aproveitamento de quase cem por cento das mudas plantadas. Para Manoel Vanderic investir na natureza é mais que um ato de cidadania: é uma terapia que faz bem à mente e ao corpo. Ele e seus parceiros zelam pessoalmente das plantas nas horas vagas: “a gente substitui exercícios de academia de ginástica por movimentos saudáveis e gratificantes, além do que brevemente seremos vizinhos do verde e, em vez de telhados, vamos contemplar as copas multicolores das árvores e a migração de pássaros e pequenos animais, sem se falar na sombra, nas frutas e, sobretudo, no ar puro”.
Vanderic aconselha que “todo homem deveria usar o seu poder e o seu dom, que vêm de Deus, para combater a devastação da terra e, se possível, aumentar o manto verde da vida”.

Verde em vez de cimento

A ação comunitária evitou o desvirtuamento da finalidade do imóvel público. Parte da área passava por processo desmembramento, quando a Associação Amigos e Proprietário do Anápolis City – AMPAC movimentou os moradores e impediu a doação para a construção da sede da Receita Federal.
O bosque já é considerado um patrimônio do bairro. Laurent, engenheiro florestal, está catalogando as plantas, inclusive as do cerrado nativo, e Manoel Vanderic, publicitário, vai produzir um catálogo com o mapeamento, nomes científico e popular, data de plantio e propriedades de cada espécie, “um legado às gerações futuras”.
Consciente de que o investimento no meio ambiente, direta ou indiretamente, através do plantio ou de incentivos ao desenvolvimento limpo e sustentável, além de contribuir para a qualidade de vida gera a simpatia do público, o publicitário financia os custos do projeto, através de sua empresa de comunicação. “Ações de responsabilidade ambiental, além de gratificar o investidor, têm retorno de imagem garantido, mas maioria dos empresários ainda não despertou para o poder do marketing ambiental”, observa Manoel Vanderic.

Responsabilidade
“No Ano Internacional da Biodiversidade – 2010 – cada cidadão precisa contribuir de qualquer forma para a preservação da vida. Biodiversidade é verde, biodiversidade é vida, biodiversidade é você em simbiose com a natureza. Este pequeno pedaço de terra antes degrada era um referencial negativo do Anápolis City, hoje transformado num cartão de visita do bairro. O que hoje é apenas um bosque em formação, amanhã será um recanto agradável para a comunidade. Despertar o interesse dos moradores de outros bairros, que dispõem de áreas públicas livres, é o nosso grande objetivo nesta fase do projeto, quando passaremos a contar com a parceria da prefeitura”, preconiza Manoel Vanderic.

Espécies existentes no Bosque

Na ordem: família, nome popular, nome científico e numero de mudas plantadas (ou presentes), segundo levantamento do engenheiro florestal Laurent Queno:

Anacardiaceae
Aroeira: Myracrodruon urundeuva(1)
Aroeira-salso: Schinus molle (5)
Gonçalo-alves: Astronium fraxinofolium(1)
Apocynaceae
Guatambu: Aspidosperma subincanum(1)
Bignoniaceae:
Espatódea: Spasthodea campanulata(1)
Ipê-roxo: Tabebuia avellanedae(10)
Ipê-branco: Tabebuia róseo Alba(1)
Ipê-amareloTabebuia ochracea(5)
Jacaranda-mimosa: Jacarandá mimosaefolia(4)
Bombaceae:
Paineira-rosa: Chorisia speciosa(10)
Combretaceae
Capitão: Terminalia argentea(5)
Maria-preta: Terminalia phaeocarpa(5)
Coniferas:
Pinheiros: Pinus caraibeae, pinus oocarpa(20)
Paineira-do-cerrado, Embiruçu: Eriotheca pubescens(3)
Euphorbiaceae
Seringueira: Hevea brasiliensis(2)
Lecythidaceae
Jequitibá, bingueiro: Cariana estrellensis (2)
Leguminosas
Angico-vermelho: Anadenanthera macrocarpa (5)
Cassia-grande: Cassia grandis(1)
Flamboiant: Delonix regia(20)
Ingá-de-corda: Inga edulis(3)
Inga-feijãoInga cylindrica(3)
Jatobá: Hymenaea courbaril(3)
Tamboril: Enterolobium contortisiliquum(2)
Pau-jacaré: Piptadaenia gonoacantha (2)
Pau-ferro: Caesalpinia ferrea(1)
Pau-brasil: Caesalpini echinata(1)
Umbela, Guapuruvu: Schizolobium amazonicum(7)
Magnoliaceae
Magnólia(2)
Meliaceae
Mogno: Swietenia macrophylla
Cedro australiano: Toona ciliata
Myrtaceae
Pitanga: eugenia uniflora(2)
Gabiroba: Campomanesia adamantium(3)
Palmae
Gueroba: Syagrus oleracea(20
Jerivá paulista: Syagrus romanzoffiana(10)
Palmeira imperial: Roystonea regia (20)
Palmeira-rabo-depeixe: Caryota urens(5)
Rubiaceae
Jenipapo: Genipa americana(4)
Sterculiaceae
Pau-rei: pterigota brasiliensis(3)
Solenaceae
Lobeira: Solanum lycocarpum(1)
Verbenaceae
Teca: Tectona grandis(2)
(mais: pés de manga, jaca, café, limão, abacate, jambrão do pará e outras frutíferas)

Autor(a): Manoel Vanderic

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