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Paixão e aventura sobre duas rodas

Especial Comentários 28 de setembro de 2013

Anapolino já percorreu, praticamente, todos os estados brasileiros e países da América do Sul em cima de uma motocicleta. E, que ir mais longe ainda


Oscar Augusto Fleury Neto tem 53 anos, é auditor fiscal da Secretaria Estadual da Fazenda e casado com Adriana. Como milhões de brasileiros, tem na motocicleta o veículo de transporte ideal e dela faz uso diária e constantemente. O que diferencia Oscar de outras pessoas é que ele prioriza a moto, uma identificação que vem desde a pré-adolescência alimentada no transcorrer dos anos e das décadas. Hoje, realizado, e bem resolvido, ele tem como hobby subir em sua BMW e sair por aí. Às vezes, em curtos passeios de algumas horas, ou, de um dia. Outras vezes, em viagens que demoram semanas, percorrendo o Brasil de ponta a ponta. Em outras ocasiões, viajando através da América do Sul, passando por países como Paraguai; Argentina; Chile, Uruguai e outros. É o gosto pela aventura. Oscar faz parte de um grupo de profissionais liberais; empresários, homens de negócios e outros adeptos do motociclismo e tem mil histórias pra contar.
Agora mesmo, ele retornou de uma viagem que durou 20 dias e passou pelo Peru; Chile; Bolívia, Argentina e Paraguai. Para chegar lá, entretanto, andou por Goiás; Mato
Grosso; Mato Grosso do Sul, Rondônia Acre e retornou por outra rota: Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
Prazer em viajar
Para Oscar, não se explica o prazer de andar com uma moto pelas estradas do Brasil e do mundo. “É indescritível. É a mais gostosa sensação de liberdade que pode haver”, justifica. Quando pode, ele leva a esposa. Quando não, vai com amigos, dois, três, cinco, o quanto der. Mas ele não abre mão de sair pelas estradas ao som do vento e com a brisa batendo no rosto.
O estradeiro anapolino assegura, entretanto, que este tipo de aventura, além de não sair barato, exige uma série de outros procedimentos como o respeito à natureza, a obediência às leis do Brasil e dos países por onde passa, assim como ter uma moto de boa qualidade e, se preparar bem física e emocionalmente para se ganhar a estrada.
Este anapolino amante das estradas, e das aventuras, já foi piloto de enduro, passou pela modalidade de rali e, hoje, pilota mais por hobby ou por prazer. “São 40 anos em cima de motocicleta”, costuma dizer. Sua primeira moto foi uma Honda CB 50 CC, lá pelos idos de 1974. Depois disso, ele imagina já haver percorrido de 130 a 140 mil quilômetros em motos da marca BMW e mais de 250 mil quilômetros, somando-se todas as viagens mais importantes.

A aventura
Fleury não nega que, assim como outros estradeiros, não tenha sofrido algumas influências, como a do lendário filme “Sem Destino” (Easy Rider) lançado em 1969 que conta a história de Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper) - num alusão aos lendários cowboys Wyatt Earp e Billy The Kid - motoqueiros que viajaram pelo sul dos Estados Unidos e fizeram uma série de proezas com o objetivo de seguir rumo ao leste, na esperança de chegar a Nova Orleans a tempo para o ‘Mardi Grass’, um dos Carnavais mais famosos em todo o planeta. Ou, quem sabe, o filme “Diários de Motocicleta” (2004), produção multinacional, com recursos do Brasil; Argentina, Estados Unidos e outros países, que conta a história do guerrilheiro Che Guevara (Gael García Bernal), um jovem estudante de Medicina que, em 1952, decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). A viagem é realizada em uma moto, que acaba quebrando após oito meses.
Ao contrário do que muita gente imagina, os motociclistas estradeiros são muito respeitados por onde passam, é o que assegura Oscar Fleury. Ele diz que nos países do MERCOSUL, onde não há a necessidade de carteira de habilitação internacional, é mais fácil ainda. Além disso, o grupo não faz extravagâncias e trabalha com a tecnologia disponível. Os trechos percorridos são orientados pelo sistema GPS e o tempo é calculado para que eles não se exponham a riscos desnecessários. Outra coisa: as motocicletas que o grupo utiliza tem assistência em tempo integral e os revendedores fazem todo tipo de socorro 24 horas por dia. Outro detalhe narrado por Oscar é quanto à segurança. Segundo ele, as polícias rodoviárias dos países da América do Sul, com raríssimas exceções, são muito competentes, respeitosas e oferecem toda a segurança de que os estradeiros de motocicletas necessitam.
O motociclista de Anápolis acrescenta que não deixa de haver um sabor de aventura em tudo. Há trechos como o que liga a cidade paraense de Marabá a Humaitá (BR 319) no Amazonas, que são difíceis de se percorrer. Os integrantes do grupo rodam, em média, 600 a 700 quilômetros por dia, não viajam durante a noite e levam, sempre, a Bandeira do Brasil anexada à motocicleta.
Planos e projetos
De acordo com Oscar Fleury Neto, que faz parte do grupo BMW Rider’s (o grupo não é fechado e, constantemente, recebe novos integrantes), que se reúne todas as quartas feiras, “o destino da viagem é, apenas, um pretexto. Não importa para onde se vai. Seja aqui dentro de Anápolis, seja nas cidades próximas, seja em outros estados e outros países, o prazer é, sempre, o mesmo. Já cortei este País do Chuí ao Oiapoque, de Minas a Mato Grosso. É muito bom”, alega. Todavia, de acordo com ele, há outros objetivos a serem cumpridos. Dos estados brasileiros ele só não conhece Roraima e Amapá. Dos países da América do Sul, faltam os da face Norte (Guianas, Suriname e Venezuela), projeto que estaria adiado para 2014 em virtude da realização da Copa do Mundo no Brasil no ano que vem. Mas, a grande viagem sonhada, e que o grupo pretende realizar, vai ser feita do Uchuaia, no extremo Sul da América do sul ao Alasca, na América do Norte.
Oscar Fleury diz que nestas viagens experimentam-se as mais incríveis variações climáticas. “Há dias em que estamos no deserto de sal, com temperatura acima dos 40 graus, e, à noite, esta mesma temperatura cai para próximo de zero. É muita adrenalina; muita poeira; muito vento, muita neve, muitas dificuldades. Mas, vale a pena, sempre. Viajamos com muita responsabilidade. Eu, mesmo, nunca me envolvi com acidentes graves e nem tive problemas com o policiamento nas estradas. Andar de moto é maravilhoso, mas exige uma série de cuidados básicos”, assegura Fleury.

Autor(a): Nilton Pereira

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