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País tem dois mil pontos vulneráveis à exploração sexual infantil

Violência Comentários 28 de novembro de 2014

O Estado de Goiás é o quarto entre os de maior incidência desse tipo de crime


A exploração sexual infantil continua aumentando nas estradas brasileiras. Elas subiram de 1.820 pontos mapeados em 2009/2010 para 1.969 em 2013/2014. A boa notícia é que houve uma redução de 40% nos pontos considerados críticos, onde estão reunidas muitas variáveis de vulnerabilidade. Em 2009/2010, foram identificados 924 pontos, e hoje são 566 os locais considerados críticos. Os dados são do projeto Mapear, da Polícia Rodoviária Federal, que identifica os pontos de risco para a população infantojuvenil nas rodovias brasileiras. Pontos críticos são aqueles onde se conjugam fatores como falta de iluminação; ausência de vigilância; local de parada de veículos, consumo de bebidas alcoólicas e prostituição de adultos.
Para a Comissão de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal, o resultado é importante por demonstrar que o trabalho realizado em cooperação com órgãos como a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a organização Childhood Brasil e a Organização Internacional do Trabalho tem o efeito de melhorar os ambientes nas estradas, a fim de coibir a exploração sexual infantil.
Segundo os dados, dos 1.969 pontos mapeados neste último levantamento, 56% são considerados críticos (566) ou de alto risco (538) para a prática de exploração infantil e outras vulnerabilidades, somando 1.104 pontos espalhados em, apenas, 470 municípios brasileiros. A Bahia aparece como o estado com o maior número de pontos críticos ou de alto risco mapeados (62); seguido de Minas Gerais (53), Pará (53) e Goiás (36). Esses estados apresentam, ainda, o maior número de municípios com pontos críticos ou de alto risco, sendo o primeiro, Minas Gerais, com nove, Bahia e Pará com sete e Goiás com cinco municípios.
Este ano foram incluídos fatores importantes para o entendimento dessa realidade, como o Índice de Desenvolvimento Humano, composto por indicadores de educação, longevidade e renda, mostrando que os agentes envolvidos na prática de exploração de vulneráveis não se limitam, apenas, aos abusadores, e passam, também, por fatores socioeconômicos. A pesquisa mostra que 90,43% desses 470 municípios em situação de risco crítico ou alto possuem o IDHM (educação) entre médio e muito baixo. Neles, há aproximadamente, 120.150 mil crianças e adolescentes até 14 anos não alfabetizados e 527.635 desses jovens evadidos da escola.
Dentro de um universo de 4.220.975 indivíduos até 14 anos nesses municípios, 1.103.107 deles, ou 26,13% vivem em famílias pobres ou de extrema pobreza, com renda per capita de R$ 57,81. Destes, 259.058 estão dentro da população economicamente ativa, ou seja, estão trabalhando, trabalharam no mês anterior à pesquisa ou estão procurando emprego. São dados importantes, por sugerir que essas crianças e adolescentes podem ter uma relação com a exploração sexual nesses municípios que apresentam alta quantidade de pontos considerados críticos.
Conforme a organização pela proteção à infância Childhood, esses dados representam, apenas, a ponta do iceberg, mas significam um importante resultado no combate à privação do direito à infância dessas crianças. A organização trabalha com uma campanha que conta com a adesão de empresas privadas de transporte terrestre rodoviário, o Programa na ‘Mão Certa’, que sensibiliza as empresas a educar seus funcionários para servirem de multiplicadores na questão da responsabilidade e cuidados com as crianças.
O projeto que, atualmente, está presente em rodovias federais, acabou interiorizando essa prática de combate à exploração sexual infantil para as rodovias estaduais. Desde a sua criação (em 2005) 4.321 crianças e adolescentes já foram retiradas de situação de vulnerabilidade, das quais, 188 até agosto deste ano. Ainda, segundo o relatório, 69% das vítimas são meninas, 22% transgêneros e 9% meninos.

Autor(a): Nilton Pereira

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