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Os perigos causados pelos “ratos voadores”

Cidade Comentários 02 de agosto de 2013

Transmissores de uma série de doenças, os pombos, figuras comuns em praças públicas de praticamente todas as cidades, são uma ameaça para a saúde pública


Por trás da figura cândida, quase angelical, os pombos, aves antes silvestres, mas que se urbanizaram, carregam uma série de doenças, muitas delas fatais, até, para humanos. Embora sejam vistos como aves inofensivas, símbolos da paz, há quem os defina como “ratos voadores” devido aos prejuízos materiais e de saúde que causam às comunidades em que se acham inseridos. As aves urbanas transmitem, aproximadamente, 60 moléstias, entre leves, médias e graves. É comum observar nas ruas, principalmente em praças e parques, a assídua presença de pombos em busca de alimentos. Todavia, segundo os especialistas, o grande erro cometido pelas pessoas é alimentá-los, pois esses animais podem transmitir aos humanos, por meio de um fungo chamado Cryptococcus neoformans, a criptococose, doença infecciosa provocada, especialmente, pela inalação de poeira contendo partículas de suas fezes. Ressalte-se que, em determinados casos, é permitido, até, o extermínio dessas aves. É o que consta na Instrução Normativa 141, Artigo 5º, parágrafo 1, inciso B do IBAMA.
Recentemente, a Prefeitura, através do Centro de Controle de Zoonoses, realizou uma campanha em Anápolis alertando à população, justamente, sobre os riscos causados pelos pombos que proliferam em locais públicos, a maioria atraída por restos de alimentos ou, mesmo, pela ação de pessoas que, deliberadamente, levam comida para eles. Diretora do Centro, a médica veterinária Elizângela Sobreira assegura que é ‘um desserviço’ alimentar os pombos nas vias públicas. Segundo ela, o ideal é não jogar milho; pipoca; bolachas, arroz e outros alimentos. “Sem comida, eles vão procurar alternativas e retornam ao seu habitat. Não é preciso ter compaixão. Eles não vão morrer de fome. É próprio da natureza”, ensina a diretora.
A doença
A criptococose, embora não seja contagiosa, compromete, sobretudo, o pulmão, ocasionando o mau funcionamento do sistema nervoso central. Mesmo que o infectado esteja aparentemente saudável, pode desenvolver um quadro de pneumonia, visto que ela pode não apresentar nenhum indício. O surgimento de algumas doenças de pele, como a micose, também, é comum. Porém, a consequência mais grave é a meningite que, se não tratada, leva à morte.
Os sinais constantemente observados na enfermidade são dores de cabeça, febre, tosse e sonolência. Como a meningite é a consequência mais grave, é necessária atenção máxima quanto às dores na cabeça, visto que, inicialmente, esta dor é passageira. No entanto, com o avanço da doença, a piora é imediata elevando as chances de um quadro de coma.
Os portadores de AIDS representam um elevado risco para o desenvolvimento da criptococose. O caso mais emblemático, e que ganhou as manchetes nacionais recentemente, é o do locutor de rodeios Waldemar Ruy dos Santos, que tem o nome artístico de “Asa Branca”, outrora famoso por frequentar a mídia em todos os níveis e, hoje, com sérios problemas de saúde, entre a vida e a morte. Soropositivo, “Asa Branca” contraiu a criptococose. A doença só foi detectada quando já estava em adiantado estágio, o que comprometeu, ainda mais, a saúde do locutor. Mas, além do paciente famoso, dezenas de outras pessoas sofrem com este mal, e, muitas, já morreram em decorrência dele, em várias partes do Brasil.
A prevenção
É indispensável a precoce análise clínica do quadro de criptococose, de modo que medidas preventivas, como o não contato com esses animais, evitem a evolução. No entanto, mediante a confirmação do diagnóstico, são realizados testes clínicos e um exame sorológico que avaliam a presença do fungo no pulmão, no sangue ou em outros órgãos. O tratamento dura, em média, de quatro a seis semanas, e em pacientes com AIDS o acompanhamento é mais longo, fazendo uso de medicação supressiva até a melhora do organismo. O alerta, também, é direcionado àqueles que já desenvolveram a patologia e, apesar de não apresentarem um novo episódio, há chances de uma recaída. Embora pareça assustadora, a criptococose é facilmente curável mediante o cumprimento das recomendações médicas, ainda que, manterem-se os pombos distantes seja a melhor solução.

Principais doenças causadas por pombos:
Criptococose:
Patologia instalada através do fungo Cryptococcus neoformans. É transmitida pela inalação da poeira contendo fezes secas de pombos e canários. Compromete o pulmão e pode afetar o sistema nervoso central, causando alergias, micose profunda e até meningite subaguda ou crônica. Seus sintomas são: febre; tosse; dor torácica, podendo ocorrer também dor de cabeça; sonolência; rigidez da nuca; acuidade visual diminuída, agitação e confusão mental.
Histoplasmose:
Transmitida pela inalação do esporo (camada que protege as bactérias) e do fungo Histoplasma apsulatum encontrado em fezes secas de pombos. Causa uma micose profunda e seus sintomas variam desde uma infecção assintomática até febre; dor torácica; tosse; mal estar geral, anemia, etc. É uma doença que vai depender do estado de saúde do indivíduo, podendo assim se desenvolver ou não.
Salmonelose:
Causada pela ingestão de ovos ou carne contaminados pela bactéria Salmonella sp presente nas fezes de pombos. Gera uma toxinfecção alimentar com sintomas como febre; diarreia, vômitos e dores abdominais. Suas fezes, em contato com alimentos como verduras ou frutas, podem acarretar essa doença.
Ornitose:
Também conhecida como psitacose, é transmitida por via oral, através da poeira contendo as fezes secas de aves (pombo, arara, papagaio, perus) e infectadas pela Chlamydia psittaci. O indivíduo infectado pode apresentar febre; vômito; calafrio; mialgia, tosse e cefaleia, acompanhados por comprometimentos das vias aéreas superiores e inferiores. Essa doença é oportunista, isto é, depende do estado de saúde do indivíduo.
Dermatites:
Parasitose causada pelo piolho do pombo (ácaros, Ornithonyssus sp.), que provoca erupções na pele e coceiras semelhantes às de picadas de insetos.
Alergias:
Ocasionadas pela inalação de penugens de pombos ou de um ar rico em poeira das fezes dos pombos. Pode causar rinites, ou crises de bronquite em pessoas sensíveis.
Bacteriana:
Paratifoide; Vibriose; salmonelose; listeriose e Pasteurelose.
Viral: encefalite; meningite; Encefalite.
Micótica:
Histoplasmose, candidíase, Sarcosporidiosias e blastomicose.
Protozoários:
Tricomoníase Toxoplasmose e Trypansomiasis americano.

Autor(a): Nilton Pereira

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