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“Oposições em Goiás podem ter duas candidaturas em 2014”

Política Comentários 10 de agosto de 2013

Ex-candidato ao Governo de Goiás (2010), quando obteve mais de 500 mil votos, o empresário e ex-Prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso, esteve pela primeira vez como presidente regional do PSB, cumprindo agenda política em Anápolis. Ele manteve contatos com lideranças religiosas, empresariais e, é claro, políticas. O principal assunto foi a sucessão estadual em 2014. Cotado como pré-candidato na chamada terceira via, Vanderlan Cardoso concedeu entrevista ao CONTEXTO, na qual faz uma análise do cenário atual e as possibilidades de consolidação do seu projeto eleitoral.


O senhor passou dois dias em Anápolis participando de encontros e movimentações político-partidárias. Que balanço o senhor faz deste trabalho aqui no Município?

Vanderlan - Foi muito proveitosa a visita. Nós começamos na quarta-feira com a visita ao Prefeito Antônio Gomide, com o Vice-Prefeito João Gomes e estivemos com alguns vereadores, lideranças empresariais, lideranças religiosas e de partidos políticos. Estivemos com o nosso pessoal do PSB; com o PSC através do seu presidente estadual que é o Liminha (Joaquim Jacinto de Lima) daqui de Anápolis, ex-presidente da Câmara Municipal; com o deputado Carlos Antônio (PSC). Participamos de um café da manhã com o deputado José de Lima com várias lideranças do PDT. Tivemos ainda um encontro com o empresariado da Cidade. Além do contato com a imprensa local e reuniões com autoridades religiosas. E vamos voltar dentro de poucos dias. Queremos estar com o Bispo Diocesano (Dom João Wilk) e com outros segmentos, porque Anápolis é uma cidade importante e que muitas lideranças.

O senhor ingressou recentemente no PSB e já na condição de Presidente Regional. Como foi a recepção dentro do partido, com as suas lideranças?

Vanderlan - Foi excelente. Nós viemos a convite do Governador de Pernambuco, Eduardo Campos e a receptividade que tivemos, apesar de ter sido algo muito rápido a nossa filiação, contamos com vários prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças ligadas ao partido nos prestigiando, nos apoiando e recebendo de braços abertos. Agora estamos fazendo essas visitas procurando resolver os problemas em relação às comissões provisórias. E, alguns locais elas não existiam e estamos também verificando os nossos diretórios, como é o caso aqui de Anápolis, muito bem organizado e estruturado.

Já foi possível, então, fazer um diagnóstico e conhecer a estrutura do partido, tendo em vista a pretensão de participar da sucessão estadual em 2014?

Vanderlan - Hoje nós fazemos parte de um projeto que está sendo chamado por vários nomes, como “uma nova opção para o Estado” ou “terceira via” e que está se desenvolvendo com alguns partidos como o PSC, o próprio PSB, o PRB, o Democratas e conversas bem adiantadas com o PDT. Nós estamos conversando com todos, não tem porta fechada para ninguém. E temos dois pré-candidatos nessa chamada terceira via por vocês da imprensa, que sou eu e o Deputado Federal Ronaldo Caiado. E estamos conversando com outros partidos e lideranças que também estão querendo colocar os seus nomes.

O senhor tem um “estoque” de quase meio milhões de votos da eleição passada para Governador em Goiás. Como o senhor tem cuidado desse patrimônio eleitoral que adquiriu naquela disputa?

Vanderlan - Foi uma surpresa agradável a campanha de 2010. Agora, é continuar a ter contato com essas pessoas que acreditaram num candidato que começou com três por cento e chegou a quase vinte por cento. Então, essas pessoas devem ser valorizadas. Elas não se arrependeram de votar em nós e são as que mais nos defendem. Então, temos que tratar com muito carinho. Tem muita gente que não me conhecia mas, na época, votou em mim porque acreditava nas propostas apresentadas na campanha.

As outras duas vias também estão trabalhando para se viabilizarem eleitoralmente no ano que vem. Como será possível enfrentar duas frentes tradicionais da política no Estado de Goiás?

Vanderlan - Essas duas frentes estão muito desgastadas. Já tiveram oportunidade de mostrar o seu trabalho e cada uma deu a sua contribuição. Agora, quem vai avaliar é o eleitor. Alguns colaboraram mais, outros menos. Mas cada um deixou a sua marca e o eleitor vai confrontar isso e comparar. Essa troca e alternância de poder é interessante que exista, até para nós políticos. A pessoa quando fica muito tempo num cargo, acaba aquela vontade que tinha quando estava em início de mandato. Eu defendo que tanto para o Executivo quanto para o Legislativo, o período de mandato ideal seja de cinco a seis anos.

O senhor acredita que as eleições de 2014 serão marcadas por esta dicotomia que está havendo entre o velho e o novo? Ou elementos novos podem surgir dentro do processo eleitoral?

Vanderlan - Essa questão de novo e velho é muito relativa. O que é o novo? É o que nunca disputou uma eleição? Pode ser que apareça alguém dizendo que é novo porque nunca disputou eleição, mas as suas propostas não agradam. Então, caso venhamos a disputar a eleição, teremos que conquistar o eleitor por meio de propostas. Agora, se vou ser encaixado como novo ou no velho ai vai depender da avaliação do eleitor.

Como deverá ocorrer a montagem dessa aliança, na terceira via, que já nasce como dois pré-candidatos, o senhor e o Deputado Federal Ronaldo Caiado, que já manifestou este interesse. Vai ser possível o consenso?

Vanderlan - Dá, porque estamos trabalhando sem vaidades e dentro da realidade, sabendo que quem estiver em melhores condições vai encabeçar. E, como eu disse, pode ter outras pessoas que venham para o nosso projeto e coloquem os seus nomes também para disputar como pré-candidato e, quem sabe, chegar lá na frente em melhores condições do que nós.

O que é que irá balizar esta escolha, são as pesquisas? E quando essa decisão deverá sair?

Vanderlan - São as pesquisas, o nome que aglutinar mais partidos. Enfim, uma série de fatores. E o que nós estamos fazendo agora é isso, conversando com todos os partidos. Essas decisões deverão sair somente nas proximidades das convenções partidárias. Até lá é dialogar.

De que maneira o senhor vê a situação de Goiás hoje. Já de muito tempo, o Estado vem perdendo capacidade de investimentos com recursos próprios. É uma questão difícil de lidar?

Vanderlan - O que já foi contraído de dívida tem que ser pago. Agora, o que precisa fazer é renegociar as dívidas a longo prazo e diminuir os juros que são muitos altos não só para Goiás, mas para todos os estados. E fazer uma gestão transparente dos recursos. É o caso da Celg. Na época, o ex-Governador Alcides Rodrigues fez uma negociação e conseguiu juros bem mais baixos do que o que estavam sendo pagos com quase R$ 7 bilhões de dívidas e quando houve travamento com que estava negociado por Alcides e o que foi negociado depois, neste período, foi quase R$ 1 bilhão a mais de juros entre o que foi pago e o que estava negociado. Então, se você pega esse R$ 1 bilhão é quase o que o Governo pegou agora de financiamento para reconstruir as estradas. Se formos analisar também, hoje Goiás não tem mais nada para vender. Cachoeira Dourada foram quase R$ 400 milhões de lucro líquido para quem a comprou. Se você fizer a conta baseada apenas no período de um mandato, ou seja, em quatro anos, foram cerca de R$ 1,6 bilhão. Eu vi agora nos jornais um verdadeiro absurdo, 15 pessoas do Estado que devem ir para fazer curso na França, ao custo de R$ 500 mil para o Governo. Este dinheiro daria para resolver muita coisa. De ontem para hoje, eu não ouço outra coisa aqui em Anápolis, se não a falta de energia e a falta de água. E quem sente isso na pele é o prefeito, que enfrenta a população. Enfrentei isso quando fui prefeito em Senador Canedo. Lá, o serviço de água e esgoto foi municipalizado e deu certo.

Nesta passagem por Anápolis, o senhor esteve com o Prefeito Antônio Gomide (PT). Qual foi a pauta desse encontro?

Vanderlan - Todas as vezes que venho a Anápolis ou vou a outros municípios, busco o prefeito não é nem para pedir (risos) mas ter autorização, vamos dizer assim, para visitar a Cidade, porque afinal ele é a autoridade maior. E ele é um amigo, um companheiro que está fazendo uma boa administração. Tanto é que nas pesquisas é lembrado para o Senado, para o Governo. Isso é por causa da gestão que ele faz e as pessoas, os eleitores, estão olhando isso, ou seja, quem está fazendo a diferença em suas administrações. E nós conversamos sobre o cenário atual, sobre política. Nós somos políticos, não poderia ser diferente. O PSB está representado na Administração Municipal e colabora com o Governo.

O PSC, o PDT, o DEM e o PRP estão total ou, em parte, pelo menos, compondo a base do Governo. Como o senhor pretende administrar essa questão?

Vanderlan - Nós temos que diferenciar essa questão dos apoios. Aqui em Anápolis, a direção do PSB decidiu apoiar Antônio Gomide, assim como o PSC. Foi um acordo para as eleições municipais. Agora, em 2014, a conversa é outra. Essa base tendo candidato a Governador, ou a Senado ou a Vice, a orientação vai ser caminhar com o projeto do partido. Então, as negociações são por algum período. Veja o PSB: em nível nacional foi um dos primeiros aliados do PT, mas hoje nós temos um pré-candidato à Presidência da República, que é o Eduardo Campos (Governador de Pernambuco) e com chance de oficializar essa candidatura e até de ganhar as eleições.

O senhor acredita que as eleições presidenciais, também no ano que vem, irão influenciar muito o processo da sucessão estadual aqui em Goiás?

Vanderlan - Não deixa de influenciar. O Eduardo Campos oficializando a candidatura - que a gente torce e estamos trabalhando para que isso aconteça - iria ajudar, em muito, uma possível candidatura nossa. Da mesma forma a Presidente Dilma Rousseff. A sua candidatura também, se for o caso, deverá ajudar o PT e os partidos da base da reeleição dela.

Qual o cenário eleitoral que o senhor visualiza para 2014 aqui no Estado de Goiás?

Vanderlan - Hoje, os discursos das oposições é o da união. Eu sou favorável à união, desde que seja colocada em condições iguais as pré-candidaturas. Nós não podemos conversar com o PT e o PMDB, já havendo cartas marcadas com um candidato de um ou outro partido. Nós estamos abertos à conversa desde que, também, os candidatos da chamada terceira via - eu e o Deputado Ronaldo Caiado - tenhamos condições de colocarmos as nossas pré-candidaturas. Agora, se não houver esse entendimento, nós vamos mesmo ficar com esse projeto da terceira via e, certamente, as oposições em Goiás terão duas candidaturas e, num eventual segundo turno, pode haver essa união. É possível que haja um entendimento, ainda falta muito para as eleições.

Autor(a): Claudius Brito / Nilton Pereira

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