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Oposição: Ter ou não ter? Eis a questão!

Política Comentários 15 de maro de 2013

Vereadores da bancada de sustentação tentam minimizar papel da oposição na Câmara Municipal


Na sessão ordinária da última terça-feira, 12, travou-se, entre alguns vereadores, uma discussão inusitada, mas recorrente. Inusitada, pelo fato de estarem tratando de haver oposição ao Poder Executivo na Câmara Municipal. E, recorrente, porque a democracia é um assunto que deve estar na ordem do dia daquela Casa.
A discussão surgiu pelo posicionamento do vereador Wederson Lopes (PSC), dizendo que a Câmara Municipal “está atenta aos problemas da Cidade”. Ainda de acordo com o edil, “querem que a Câmara crie fatos para prejudicar o Prefeito”. E, segundo ele, “seria muito mais fácil estar criticando do que elogiando o que está dando certo”.
O vereador Jerry Cabeleireiro (PSC) acrescentou que “oposição se faz quando necessária”. Ele falou que Anápolis tem sofrido muito com as últimas chuvas, mas que a Administração vem fazendo o seu trabalho. Já, o vereador Mauro Severiano observou que “o Prefeito está em lua de mel com a população”. E arrematou: “Aqui não tem palanque. A eleição acabou. Nem a imprensa está cobrando dele (Prefeito)”.
Na sessão da última quarta-feira, 13, os ânimos quase se exaltaram entre o Presidente da Mesa Diretora, vereador Luiz Lacerda (PT) e o oposicionista Fernando Cunha (PSDB), durante debate sobre problemas ocorridos com o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no Município. Lacerda, presidindo a sessão, saiu em defesa da Administração, dizendo que o SAMU nada tinha com o caso recente de um bebê que foi a óbito num hospital particular de Anápolis, provavelmente, por erro médico. O tucano reagiu dizendo que, na Presidência, o vereador deveria agir de forma imparcial, sem tomar partido. Antes, no debate, Fernando Cunha disse que o SAMU está sendo alvo de investigação por parte da Polícia Federal e que “o caso é bastante grave”, se referindo ao ponto de trabalho dos médicos que atuam no serviço.
É fato que, no parlamento local, o Prefeito Antônio Gomide (PT), quase não enfrenta oposição, já que tem ampla e folgada maioria. E isso é latente nos discursos que são feitos rotineiramente no plenário. O estranho, mesmo, é o fato de parlamentares quererem desvalorizar a oposição, pois assim, desconsideram o passado do próprio Chefe do Executivo, que foi um dos mais atuantes vereadores de oposição da história recente da Casa e em função disso, construiu a sua imagem que, depois, reforçou com o seu estilo administrativo, que nem a própria oposição questiona.
A política, no cenário atual do País, o exercício do contraditório é regra e, não, exceção. O discurso de que oposição atrapalha, é tão antigo quanto aquele que diz que quanto pior, melhor. Posição e oposição, cada qual, tem o seu papel numa democracia.

Autor(a): Claudius Brito

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