(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

Para onde vai o dinheiro do povo

Edição 716 - 15 a 21 de março de 2019

Está no Congresso Nacional, pedido de autorização para a compra de novos carros para o Presidente, o Vice-Presidente e os ex-presidentes da República. Isso mesmo: Bolsonaro; Mourão; Sarney; Dilma; Michel Temer; Fernando Henrique, Fernando Collor e, até, pasmem, Lula, que está preso em Curitiba, tem esse direito. Todos vão andar de carro novo. Pagos, claro, com o dinheiro do contribuinte. Mas, carro novo para presidente e ex-presidente, não é nada, face aos gastos abusivos a que o brasileiro se acostumou a ver e não reagir. A literatura contemporânea está cheia de casos assim. Depois, querem falar que a Previdência está quebrada e que é preciso mudar muita coisa.
Numa rápida pincelada, dá para descobrir casos escabrosos que seriam cômicos, se não fossem trágicos. Dados oficiais mostram que para cuidar dos jardins do Palácio do Planalto, o Governo Federal dispõe de uma verba superior a cinco milhões de reais todos os anos.
Carro e motorista à disposição não é privilégio do Executivo. Ministros, senadores deputados e assemelhados, também, andam de veículo zero, pago com o dinheiro do trabalhador. Vale dizer, inclusive, que o Congresso Nacional Brasileiro é o segundo mais caro do mundo, atrás, apenas, do americano. E, olhem que a diferença de PIB é abismal. Cada parlamentar federal no Brasil custa, em média, dois milhões de reais ano. São quase 600, dentre deputados e senadores.
A lista dos gastos absurdos é engordada com o anúncio de que o Tribunal de Justiça do Paraná gasta, por ano, mais de 30 milhões de reais para pagar garçons. Nosso Judiciário consome um terço do Orçamento da União, enquanto que, por exemplo, no Chile e na Argentina, esse gasto não passa de 0,2 por cento dos orçamentos dos respectivos países. E, lá, a coisa funciona. Dia desses a mídia noticiou que os vereadores de Recife aprovaram um auxílio alimentação para eles mesmos, na ordem de 3,1 mil reais.
Para finalizar este rápido levantamento, basta dizer que de 1991 a 2015 (dados mais atualizados) o custo da máquina pública foi de 10,1 para 19,5 por cento do Produto Interno Bruto, ou seja, 100 por cento de aumento. Sem contar que, 104 ex-governadores e 53 viúvas de ex-governadores abocanharam, em três anos, quase 100 milhões de reais a título de aposentadoria e pensão. E, como cereja do bolo, em Goiás uma ex-primeira dama se aposentou precocemente, com a contagem do tempo em que atuou como voluntária em uma ONG que foi criada justamente, para apoiar pessoas carentes.

Autor(a): Vander Lúcio Barbosa