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Onipotência e Rendição

Edição 715 - 08 a 14 de março de 2019

Controle e onipotência são típicos da raça humana. Ansiamos por controlar pessoas, situações e coisas, tentando impedir que variáveis desconhecidas nos peguem de surpresa. Tentamos fazer isto com os filhos para que emitam o comportamento adequado, e aquilo que julgamos ser certo; desesperadamente tentamos controlar o marido, a esposa, e, se for possível até mesmo as variações climáticas, para que possamos praticar um determinado esporte, ou fazer uma viagem e assim por diante.
Existem coisas que julgamos poder exercer absoluto controle. Finanças é uma delas. Planejamos a vida, despesas e receitas, fazemos poupança, investimentos, mas apesar de tudo isto, não podemos controlar variáveis que estão muito além de nós mesmos. Um rico empresário me relatou que fizera um empréstimo em dólar para sua empresa, e numa maxidesvalorização ele perdeu de um dia para o outro, 1.5 milhões de reais.
A verdade é que não temos controle sobre muita coisa, apesar do desejo de onipotência. Não temos controle sobre as circunstâncias, saúde, o comportamento dos filhos e nem sobre a nossa vida. Ao perceber o ansioso comportamento de seus discípulos Jesus afirmou: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um minuto ao curso de sua vida?”.
A verdade é que nem a vida encontra-se à nossa disposição. Saímos de casa, mas não sabemos se retornaremos. Vivemos absolutamente dependente de fatores externos. Para alguns, o acaso, o destino, o fatalismo, forças cegas e severas. Para outros, crédulos, Deus e a providência.
Em muitas destas situações, nada podemos fazer. Esbarramos nas nossas limitações e temos que lidar com o senso de fracasso, frustração, ira e impotência. Isto pode nos levar a lidar com a vida de forma amargurada ou ressentida, desenvolver raiva de Deus ou de pessoas, atribuir a alguém a causa de nossa falência e enfermidade. Como lidar com tais contingências?
O oposto da onipotência é rendição. Para aqueles que creem, a atitude de dependência de Deus, de oração, de submissão se torna uma possível opção. Para os que não creem, rendição não existe, quando muito será possível a resignação, onde nada mais havendo a fazer, desiste-se de lutar por faltar a força. Nestes casos, a raiva, a ira, a frustração dominam o coração.
Muitas vezes se render é atitude de sabedoria. Render-se àquele que julga corretamente, gritar por socorro, admitir o fracasso e vulnerabilidade Àquele que é o Todo-Poderoso. No processo de ser discípulo de Cristo, ele nos convida a desistir da auto suficiência e descansar nAquele que pode lidar com as impossibilidades, tornar possível o impossível, realizar milagres e transformar a situação.
Nem sempre é possível controlar. Muitas vezes a onipotência é tola e arrogante, mas a rendição pode ser uma boa alternativa, quando, cansados podemos olhar para os céus e dizer: “Socorre-nos oh Deus!”.

Autor(a): Samuel Vieira