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Psicopatia

Edição 707 - 11 a 17 de janeiro de 2019

Quando nos referimos à psicopatia pensamos no seu grau mais grave, por isto a associamos aos “serial killers”, pessoas sem remorso, misericórdia e implacáveis. Certamente estes são os traços mais graves desta anomalia, mas a psicopatia moderada e leve é muito mais comum que imaginamos.
A revista Super Interessante (12 Set 2017), publicou um artigo inspirado na Escala de Robert Hare, com 12 itens para analisar o comportamento de um psicopata. Talvez você esteja vivendo com um – ou – talvez você tenha atitudes e reações que precisam ser considerados.

1. O psicopata é bem articulado. Como um ator em cena, conquista a vítima bajulando e contando histórias mirabolantes de si;
2. Ego inflado. Seguro de si, cheio de opinião, dominador. Adora ter poder sobre as pessoas;
3. Naturalmente mentiroso. Mente tanto que às vezes não se dá conta de que está mentindo. Tem até orgulho de sua capacidade de enganar. Para ele, o mundo é feito de caças e predadores, e não faria sentido não se aproveitar da boa-fé dos mais fracos;
4. Sede por adrenalina. Não tolera monotonia, e dificilmente fica encostado num trabalho repetitivo ou num casamento. Precisa viver no fio da navalha, quebrando regras. Alguns se aventuram em rachas, drogas, e uma minoria, no crime;
5. Reage desproporcionalmente a insultos, frustração e ameaça. Mas o estouro vai tão rápido quanto vem, e logo volta a agir como se nada tivesse acontecido;
6. Impulsividade. Embora racional, não perde tempo pesando prós e contras antes de agir. Se passar a vontade, larga tudo. Seu plano é o dia de hoje;
7. Regras sociais não fazem sentido, já que é movido pelo prazer, dai a indiferença ao próximo. Quando se tornam criminosos não têm preferências: gostam de experimentar todo tipo de crime;
8. Ausência de culpa. Por onde passa, deixa bolsos vazios e corações partidos. Mas por que se sentir mal se a dor é do outro, e não dele? Para o psicopata, a culpa é apenas um mecanismo para controlar as pessoas;
9. Emoção só existe em palavras. Não namora por amor, mas por desejo e poder. Se perder um amigo, não ficará triste, mas frustrado por ter uma fonte de favores a menos;
10. Não consegue se colocar no lugar do próximo. Para o psicopata, pessoas não são mais que objetos para usar para seu próprio prazer. Não ama: as pessoas são posse, não entes queridos;
11. Compromisso não lhe diz nada – tende a ser mau funcionário, amante infiel e pai relapso.
12. Má conduta na infância. Seus problemas aparecem cedo, quando começam a roubar, usar drogas, matar aulas e ter experiências sexuais entre 10 e 12 anos. Para sua maldade, não poupa coleguinhas, irmãos nem animais (Fonte: Without Conscience, de Robert Hare, The Guilford Press, 1993).
Por mais estranho que possa parecer, A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro ‘Mentes Perigosas’, afirma que “A psicopatia não é uma doença, é uma maneira de ser. O psicopata sempre vai buscar poder, status e diversão. Ele não têm o componente culpa para atrapalhar a execução dos seu plano, nada o impede. São pessoas que não conseguem sentir empatia por ninguém, e enxergam o outro como objeto”.
Por não ser uma “doença”, torna-se difícil a cura, porque não é possível tratar de alguém que não se reconhece doente. A confissão real é sempre o caminho para a cura real, na cosmovisão judaico-cristã. “O que encobre suas transgressões jamais prosperará, mas o que a confessa e deixa, alcança misericórdia”. Jesus afirmou: “Os sãos não precisam de médicos, mas sim os doentes (...) Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento”.

Autor(a): Samuel Vieira