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Não falam, muito, em educação

Edição 707 - 11 a 17 de janeiro de 2019

Nem o novo Governo Federal (Bolsonaro), nem os novos governos estaduais (incluindo Caiado) estariam dando a importância devida aos programas educacionais. E saber que é pela educação que um povo se evolui. Exemplos da Alemanha; do Japão, de Singapura e de Hong Kong, para ficar somente nestes. Países, há poucas décadas, praticamente destruídos por conflitos bélicos, mas que viram nos investimentos maciços na educação, a principal ferramenta para se recuperarem economicamente. Hoje, são superpotências mundiais. Atualmente, no Brasil, de acordo com as plataformas políticas dos diferentes níveis de governo, enxerga-se, mais, preocupações com a segurança e com a saúde. Esquecem-se os governantes, de que estas duas vertentes passam, obrigatoriamente, por uma educação de qualidade, cujo acesso para todos os brasileiros é um sonho, ainda, distante de se concretizar.
Mesmo com mais conscientização e investimentos, ainda há muito o que avançar. Hoje, cerca de 6% do Produto Interno Bruto é destinado para a educação pública. Em que pese ser uma porcentagem maior que a de muitos países ricos, a diferença está no gasto por aluno, o que, ainda, é pouco, conforme dados da Organização Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Estatística publicada no final de 2018 mostra que o gasto do Brasil com educação supera ao de países como Argentina (5,3%), Colômbia (4,7%), Chile (4,8%), México (5,3%) e Estados Unidos (5,4%). O índice, inclusive, está acima da média dos países que compõem a OCDE, que gira em torno de 5,5%. Todavia, mesmo acima de todas as médias, o Brasil está nas últimas posições em avaliações internacionais de desempenho escolar. A constatação é do relatório Aspectos Fiscais da Educação no Brasil, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda.
Dos 70 países avaliados, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e 66ª colocação em matemática, ou seja, ocupa sempre as últimas posições dessa avaliação internacional de desempenho. Segundo o relatório, o problema no Brasil não está no volume dos gastos, mas na necessidade de aprimoramento de políticas e processos educacionais, além de mais investimentos por aluno. Quem sabe, seria este o momento de os governos eleitos recentemente, repensarem suas propostas educacionais, reverem conceitos e darem novo direcionamento nesta importante política que é a educação. Só assim, sairemos da incômoda posição de “país em desenvolvimento” (termo bonito, que substituiu a terminologia subdesenvolvido).

Autor(a): Vander Lúcio Barbosa