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Conectividade

Edição 699 - 09 a 15 de novembro de 2018

Somos seres de relação. Nascemos para conexão. Por isto somos grupais, tribais, sociais. Dentro da normalidade não queremos viver solitariamente, isolados. Gostamos de toque, abraços, sorrisos, aperto de mão, beijos. Corpos são atraídos ao toque. A nossa pele é o maior órgão do corpo, que nos aproxima do exterior, feita de 40 mil terminações nervosas, todas com sensibilidade suficiente para nos dar prazer, proteger de ameaças, afastar-nos da dor e ao mesmo tempo, produzir alegria.
Infelizmente, em tempos de hiper-conectividade, os relacionamentos íntimos e mais significativos têm sido perigosamente afetados. Podemos nos conectar ao mundo mas estarmos distante da pessoa que está assentada conosco à mesa de jantar ou deitado na mesma cama, onde seres de conexão podem estar distraídos e sem capacidade de ver o outro. Até se enxergam mas não se veem. Escutam-se mas não estão interessados no que o outro tem a dizer.
O que está acontecendo? Por que nos transformamos em seres hiper-conectados e com pouca interatividade? Como fazer uso destes maravilhosos meios de comunicação que nos colocam em contato com o mundo, sem perdermos a capacidade de interagirmos com pessoas ao lado? Como usarmos de forma equilibrada a revolução tecnológica, potencializando ao mesmo tempo, os afetos no ambiente familiar e social?
Algumas dicas: A primeira e mais salutar é pressionar o botão off, nos momentos em que nos assentamos à mesa para o jantar, ou deitamos para dormir. Você verá que a maioria das mensagens são superficiais e podem ser respondidas depois. Aliás, o whats up deveria nos ajudar mais que o celular, porque a maioria das mensagens pode ser respondida depois.
Algumas famílias e amigos já decidiram: se vão jantar juntos colocam uma cesta no centro da mesa para que todos deixem ali seus celulares e só os apanhem quando terminarem a refeição. Outros radicalizaram: Ao receber visitas na sua casa, pede que todos deixem o celular num espaço apropriadamente criado para isto. Outra opção é não ficar lendo as mensagens todo tempo. De tempos em tempos, olhe o texto, para perceber que 95% das mensagens não é importante nem urgente.
“Navegar é preciso”, mas viver completamente ligado à realidade virtual, pode nos levar facilmente a uma grave desconexão de alma, e nos dar a utópica sensação de que é possível viver com nossos “avatares”, seres fictícios, sem dor nem depressão, criando plásticas imagens “fotoshopadas” no instagram, para impressionar pessoas que não nos conhecem e vender impressões de seres fantásticos, plastificados e maquiados. Mulheres e homens com forte “sex appeal”, mas incapazes de sexo real e seres de toques, relações e abraços.

Autor(a): Samuel Vieira

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