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Geração Pokémon

Edição 698 - 02 a 08 de novembro de 2018

Pokémon é uma série de jogos eletrônicos desenvolvidos pela Game Freak e publicados pela Nintendo, lançado pela primeira vez em 1996 no Japão. A febre do “Pokémon Go” pegou o mundo de assalto. O jogo está instalado em milhões de smartphones Android. No jogo, as criaturas estão espalhadas pelo mundo real para serem capturadas. No processo de captura o jogador abre a câmera do celular e o monstrinho surge na tela, como um desenho no mundo real e para prendê-lo é preciso acertar uma pokébola virtual nele.
Pokémon é a contração de duas palavras em inglês: pocket, que significa bolso; e monster, que significa monstro. Assim, um Pokémon é um “monstro de bolso”, uma criatura fictícia popular em videogames e desenhos. A maior parte dos pokémons sofre metamorfoses evoluindo para seres mais avançados com uma estética diferente.
Muitos quiseram dar um sentido simbólico ao Pokémon, alguns atribuíram forças espirituais e mágicas afirmando que se tratava de coisas demoníacas e rituais de magia negra, mas na verdade, o grande problema não se encontra em qualquer uma destas possibilidades mágicas, e sim, na forma como vivem seus usuários: Existe uma geração de jovens literalmente viciados nestes jogos.
Recentemente ouvi falar de um divórcio no qual uma das causas seria o fato de que o marido, com mais de 30 anos de idade, gastava todo o seu tempo livre jogando Pokémon e se esquecia de suas atividades domésticas e responsabilidades. Obviamente outros problemas estavam associados e o casal enfrentava outras dificuldades, mas aquele homem se esqueceu que já tinha idade suficiente para ser pai de um pré-adolescente, e decidiu virar o adolescente em casa.
Toda atividade lúdica pode se tornar viciante. Cinéfilos podem se tornar incapazes de fazer outra coisa que não seja assentar-se na frente da televisão e fixar-se nas séries do Netflix. Da mesma forma, o vício em games leva a pessoa a deixar de fazer suas atividades diárias para ficar jogando, o que compromete atividades básicas do cotidiano, como higiene pessoal, alimentação, trabalho, estudos e vida social. Desde janeiro de 2018 este transtorno foi incorporado como doença pelo Catálogo Internacional de Doenças e é tratado por instituições médicas no Brasil e no mundo, já existem muitas clínicas especializadas em pessoas compulsivas em jogos.
A “Geração Pokémon” se torna infantilizada e empobrecida em suas relações, trazendo graves distorções na forma como a pessoa gasta seu tempo e investe nas relações sociais. Observe se seus filhos ou familiares, ou mesmo você, não está consumindo tempo exagerado nos games. Desligar o computador, o celular, ou mesmo aplicativos aparentemente inofensivos como WhatsApp, Facebook ou Instagram pode ajudar, e muito, na saúde emocional.

Autor(a): Samuel Vieira

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