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A mentira do ódio

Edição 691 - 14 a 20 de setembro

Para quem tem aproximadamente quarenta anos de idade ou mais, o mundo parece ter se perdido em algumas das voltas que dizem dar sobre si mesmo. O que antes era certo, correto e respeitável, tornou-se duvidoso, antiético e até cafona, blasé.
A sociedade foi invadida por discursos de polarização radical em todos os segmentos da vida: religião, futebol, etnias, política, sexo, educação, economia e assim se desfia o rosário.
Mas será verdade? Éramos cegos tolos e graças aos propagadores iluminados começamos a enxergar? Duvido muito disso.
Está em voga na grande mídia replicar a noção de que existe uma guerra entre duas correntes políticas no país. Insistem os meios de comunicação e redes sociais em denunciar os tais “discursos de ódio”. Entretanto, por mais que forcem a narrativa, é evidente que apenas um dos supostos lado é perseguido. Isso não é guerra contra o discurso de ódio, é ataque contra quem discorda do que a mídia, inocente ou diligentemente, prega.
Palavras como racismo, homofobia, xenofobia, são ferramentas fáceis em muitas agressões, geralmente usadas contra quem não seja nada dessas coisas, mas que ousou expor suas opiniões religiosas e políticas, as quais condenam a hipocrisia desse sistema.
Recentemente tivemos um exemplo clássico do quanto a mentira da intolerância permeada pela sociedade não suporta um mínimo de realidade.
Um criminoso atentou contra o candidato líder de todas as pesquisas para o cargo de presidente da República. Passo seguinte, em meio a milhares do povo, o facínora não só foi preservado de qualquer retaliação física, como também as pessoas que se viram atingidas pelo ato não saíram às ruas para depredar o patrimônio público ou privado, não queimou pneus nas rodovias e avenidas citadinas, não invadiu prédios, não pichou ministérios, nem jogou garrafas incendiárias na polícia. Não houve sequer uma única agressão.
Alguém consegue imaginar o caos, se a vítima do atentado fosse outro pretenso candidato, caso estivesse em liberdade? Geralmente, o insensato é arrogante e agressivo e não há insensatez maior que idolatrar caudilhos em fim de carreira.
Como sempre, a mentira do ódio generalizado é só uma mentira e cai ao menor sinal de coerência. Foi-se o tempo que os lobos devoravam os carneirinhos, estivessem eles certos ou errados. Os uivos de sangue não atemorizam mais, pois o rebanho fechou os ouvidos e abriu os olhos. Alguns dizem que nunca foram ovelhas, eram cães pastores amedrontados que estão redescobrindo seu valor.

Autor(a): Olisomar Pereira Pires

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