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Desigualdade social e violência

Edição 691 - 14 a 20 de setembro

É alarmante e assustador a violência no Brasil. De acordo com a OMS, 123 pessoas morrem vítimas de homicídios por armas de fogo todos os dias no Brasil. O Brasil teve no ano passado 59.103 vítimas assassinadas – uma a cada 9 minutos, em média. O dado contabiliza todos os homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, que, juntos, compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais. O Brasil mata 207 vezes mais que Alemanha, Áustria, Dinamarca e Polônia e vive uma epidemia de violência, que é um obstáculo para o crescimento econômico.
A riqueza demasiada de um lado e a pobreza demasiada de outro é um dos maiores fatores de violência social. Na verdade a desigualdade já é em si uma violência e um problema que afeta grande parte da população brasileira, embora nos últimos anos ela tenha diminuído. Estatísticas apontam que, nos últimos anos 28 milhões de brasileiros saíram da pobreza absoluta e 36 milhões entraram na classe média, entretanto, estima-se que 16 milhões de pessoas ainda permanecem na pobreza extrema.
O Brasil está entre os dez países com o PIB mais alto, e o oitavo país com o maior índice de desigualdade social e econômica do mundo. As principais causas da desigualdade social são: Falta de acesso à educação de qualidade; política fiscal injusta; baixos salários e dificuldade de acesso aos serviços básicos: saúde, transporte público e saneamento básico.
O professor Leandro Piquet Carneiro, da Faculdade de Ciências Políticas da USP diz que “ao cruzar dados socioeconômicos e criminais foi possível provar que a extrema necessidade pode ser um incentivo ao crime, e Daniel Cerqueira, do IPEA afirma que “o grande combustível da criminalidade é a desigualdade social”.
Quando se fala em segurança, discute-se armamento, aumento do contingente policial, encarceramento, diminuição da idade penal, pena de morte, mas não se discute as causas e a profilaxia. A ausência da inclusão social transforma muitos jovens em presas fáceis para os líderes do tráfico. A violência não vai mudar enquanto as diferenças econômicas forem tão grandes.
A redução de 74% dos assassinatos na década de 90 em Nova York, no Programa tolerância zero deveu-se ao maior rigor da justiça, mas também aos programas sociais e da reestruturação de áreas urbanas.
A injustiça social é resultado de uma construção social perversa. A justiça social é uma das implicações do evangelho e ignorar tal desafio gera grandes dificuldades para a consciência e para o testemunho cristão. Precisamos redobrar esforços para seguir os passos de Jesus, que “andou entre nós fazendo o bem”.

Autor(a): Samuel Vieira