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A salvação da República

Edição 686 - 10 a 16 de agosto de 2018

O Brasil governista e socialista concebido pelos constituintes de 1988 revelou-se um grande equívoco agravado pela descaracterização das instituições públicas operada pelo populismo governamental e fragilizadas sob o assédio dos que amealharam fortunas por meios fraudulentos.
O presidencialismo de coalizão com a concentração dos recursos arrecadados nos cofres do governo federal. As eleições com voto obrigatório e ausência de representação distrital. O corporativismo, o aparelhamento político dos órgãos públicos e a corrupção. Os sindicatos atrelados ao Estado, inclusive os patronais, desvirtuados pelas benesses desfrutadas por seus dirigentes. A obsoleta estrutura administrativa das universidades públicas com benefícios que premiam a titulação em detrimento da produtividade e a ociosidade em prejuízo da dedicação aos estudos. O controle e a manipulação dos prefeitos pelas elites partidárias. O desestímulo ao surgimento de autênticos líderes políticos devido ao financiamento público das campanhas eleitorais... Tudo colaborando para a ineficiência administrativa, a degradação da atividade política, a estagnação econômica e a decomposição do tecido social.
O que esperar do próximo presidente, quando vemos os congressistas investigados pela Operação Lava Jato empenhados em assegurar sua reeleição com o aumento do fundo partidário, controlado por eles mesmos? Emmanuel Macron, eleito para o governo da 5ª República – com as instituições do governo e do poder judiciário fortalecidas, tradição de eficiência educacional, robusto sistema de ciência e tecnologia e poderosos centros de difusão da cultura empresarial – confronta com dificuldade um obsoleto código trabalhista de 3500 páginas como principal obstáculo à superação da estagnação em que se encontra o país. Como acreditar que, no Brasil, um presidente, eleito para governar com um congresso dominado pelos que resistem às mudanças, conseguirá apoio para realizar reformas indispensáveis e urgentes?
O ceticismo dos brasileiros se tornou ainda mais evidente com as manifestações em favor da intervenção dos militares nos dias em que os caminhoneiros suspenderam suas atividades em protesto contra as condições adversas do transporte de cargas. A estagnação da economia, com elevado índice de desemprego e a precariedade dos serviços essenciais – cada vez menos acessíveis aos milhões de brasileiros empobrecidos e mal qualificados para o trabalho – sugere que o próximo presidente disporá de pouco tempo para debelar a crise.
O êxito do governo que se iniciará no primeiro dia de janeiro dependerá, obviamente, da sua capacidade de vencer a resistência dos seus oponentes. Conseguirá ele empreender vigorosa articulação de todas as forças comprometidas com a unidade nacional e a rápida implementação das medidas necessárias? Medidas capazes de gerar condições sustentáveis de estímulo à atividade econômica com a melhoria dos serviços públicos, mormente nas áreas de segurança, saúde, educação básica e formação profissional?

Autor(a): Antônio de Deus

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