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Racionalidade goiana nas eleições

Edição 669 - 13 a 19 de abril de 2018

As eleições nacionais de outubro caminham para atingir um ápice emocional sem comparativos desde a redemocratização brasileira. Com o galopante discurso de ódio, a polarização de supostas ideologias com nomes já vencidos e todo o cenário de insegurança política e jurídica, o eleitor brasileiro deverá se agarrar a sensações mais primitivas. E é aí que o caráter emocional deverá ser decisivo na hora do voto.
Na contramão deste perfil, que parece ser a tônica daqui até novembro, quando deve acontecer o segundo turno das eleições, os goianos têm a chance de ir na contramão nacional e serem racionais nas eleições que escolherão seus representantes locais. Isto porque o cenário que se apresenta para o Governo de Goiás integra nomes que historicamente fogem do messianismo e de discursos populistas. E esta característica pode ser decisiva para que o debate goiano seja profícuo, racional e, tomara, proveitoso para os próximos quatro anos do Estado de Goiás.
Ronaldo Caiado (DEM), José Eliton (PSDB) e Daniel Vilela (MDB) possuem características específicas e vivem momentos distintos em suas trajetórias políticas. Todos, ainda, têm desafios pessoais a serem superados. Caiado luta, principalmente, contra si mesmo: precisa vencer o estigma de brigão e a histórica dificuldade de romper com aliados, separar grupos e criar arestas que acabam por cutuca-lo no futuro. Afinal, nas últimas duas décadas, o senador democrata criou, projetou, lançou nomes que, mais tarde, tornaram-se seus alvos e, depois, adversários. O mais recente deles é o próprio José Eliton, projeto à condição de vice-governador por suas mãos e, hoje, adversário.
O outro desafio de Ronaldo Caiado é evitar que a liderança isolada e com altos índices se torne insustentável. Normalmente, a tendência é a queda, uma vez que Goiás vive de reviravoltas nos cenários eleitorais.
José Eliton tem pela frente o desconhecimento e o peso de um Governo já cansado pela superexposição. Precisa explicar ao eleitor que ele é a mudança, a renovação, sem quebrar o conceito de continuidade e defesa do legado de Marconi Perillo. Além de tentar obter sucesso nesta missão, precisa literalmente se apresentar ao cidadão goiano, tendo em vista que é um ilustre desconhecimento, mesmo tendo feito um circuito político com o programa “Goiás na Frente”. Seus insucessos na gestão Perillo pesam para quem já o conhece: foi presidente da Celg, que acabou vendida, foi secretário de Segurança Pública e tornou-se, ele mesmo, estatística ao levar um tiro no fatídico assassinato do ex-prefeito de Itumbiara, Zé Gomes.
Por fim, terceiro colocado nas pesquisas, Daniel Vilela é o mais leve do trio. E entenda por leveza como um conceito volátil. Jovem, com ótima aparência (conceito que as pesquisas já mostraram ter um peso decisivo no eleitorado), o deputado emedebista terá que se apresentar corretamente. É uma página em branco para o eleitor e, se souber escrever corretamente suas credenciais, levará vantagem em cima dos desgastes da imagem dos dois concorrentes: um, representando uma política antiga, cujo sobrenome se confunde com a História das disputas oligárquicas de Goiás, e o outro, que terá de responder pelos erros da gestão Marconi Perillo.
O fato é que, para o eleitor, todos estes conceitos podem ser analisados pelo viés da racionalidade, da observação dos discursos e pelas informações da trajetória de cada um até chegarem ao momento dos debates, da troca de acusações ou de ideias, ambas inevitáveis em um período eleitoral.
Sem levantarem bandeiras emocionais, longe da polarização de direita ou esquerda, sem entrarem em embates passionais e longe de praticarem o batido estilo “salvador da pátria”, o trio dá o direito ao eleitor goiano de usar a cabeça ao invés do coração para saber o que escolher para seu Estado em outubro.

Autor(a): Ernani de Paula