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Por que deveríamos pagar as calcinhas de Cristiane?

Edição 660 - 09 a 15 de fevereiro de 2018

Perdoe-me amigo e nobre leitor se volto ao tema Cristiane Brasil. Prometo, até por medo dos deuses não fazer analogia com qualquer heroína ou mesmo vilã de nossa história. Neste quesito, heroísmo ou vilania, Cristiane é impar. Passado mais de mês de sua nomeação e após sucessivas derrotas em todos os graus de justiça, Cristiane apareceu em um vídeo desancando a Justiça de Trabalho e em áudios comprometedores chantageando funcionários públicos e, pior, com uma denuncia de associação ao tráfico. A perguntar: qual o notório saber da deputada na área do Trabalho? Quase nenhum lhes digo. Definitivamente, falta vergonha tanto a quem a nomeou, mas, principalmente à própria nomeada. E de que vergonha ou falta de vergonha falamos?
Vergonha é herança da cultura grega, segundo a qual frustrações advindas de qualquer ação ou inação que causassem uma derrota produziam individual ou coletivamente o sentimento de vergonha, ou seja, perder uma competição ou mesmo uma batalha provocava vergonha, enquanto as vitórias também individuais ou coletivas produziam heróis. O contrário da vergonha, pois, é dignidade, honra, glória, respeito.
Cristiane não sente vergonha, longe, porém, de ser uma heroína. Cristiane não sente vergonha por que não tem ética, não conhece os preceitos da ética, foi criada em ambiente lúgubre e pantanoso no que se refere aos ditames da ética. Seu pai nada lhe ensinou quanto a necessidade de ser correta; sua vida social não diz respeito ao coletivo, diz respeito somente a si; aquilo que nos parece podre lhe parece saudável. Não se surpreende mais com escândalos, ele fazem parte de sua vida, de tão comuns, de tão banais já não a surpreendem, não tem o encanto da novidade. Irreal seria fazer algo ético. Seus pares de partido também não sentem vergonha, não oferecem outro nome, são cúmplices da falta de ética e do escárnio. O presidente anão alega usurpação ao seu direito de escolher seus ministros e, por incrível que pareça, está correto em sua argumentação. Seu direito de escolha, porém, não pode nocautear a ética, dar um pontapé no traseiro de todos nós.
Usurpando de uma frase de Cristiane questiona-se afinal por que deveríamos pagar-lhe as calcinhas? Não me parece que a mesma envergonhe-se de expor suas partes pudendas. Aceitando sua nomeação não apenas lhe pagamos as calcinhas, mas também nos enchemos de vergonha, vergonha coletiva. Basta!

Autor(a): Elias Hanna