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É preciso ter esperança!

Edição 650 - 01 a 07 de dezembro de 2017

O anúncio da Quaker State Metais Co., de 24 de Fevereiro de 1958 foi sugestivo: “Não deixe que lhe tirem até seu cachorro quente”. Ele dizia o seguinte:
“Um homem vivia na beira da estrada e vendia cachorros-quentes. Não tinha rádio, e nem acesso a jornais, mas, em compensação, vendia bons sanduíches. Colocou cartazes anunciando a mercadoria, e as pessoas paravam e compravam seu produto. Com isso, aumentou os pedidos de pães e salsichas, começou a fazer melhorias, contratou pessoas, investiu em maquinários, e acabou construindo uma boa clientela. Seu negócio estava prosperando.
Seu filho, que estava estudando na universidade veio de férias visitá-lo, e o pai lhe contou como o negócio ia bem, como estava entrando no mercado, falou de seus projetos e investimentos para aumentar a capacidade de servir melhor, com mais qualidade e rapidez.
Seu filho retrucou: - “Pai, o senhor não tem ouvido o rádio? Não tem lido jornais? Há uma crise muito séria no país e a situação internacional é perigosa! O senhor corre muito risco e pode perder todo seu investimento por causa do aumento do dólar e das variações das commodities, aumento do desemprego, inflação, o governo e mercado recessivo.
Ele nunca havia falar sobre estas coisas, mas ponderou: - “Meu filho estuda na universidade! Ouve rádio e lê jornais, portanto deve saber o que está dizendo!” Assim, cancelou o pedido de maquinários, não contratou e não fez as ampliações e melhorias necessárias, reduziu os pedidos de pão e salsichas e as vendas começaram a cair do dia para a noite.
Quando alguém questionou sua estratégia, ele disse seguro: “Meu filho tinha razão, a crise é muito séria! Por pouco não entrei na contramão da história”.
Não é de hoje que o Brasil vive uma onda de pessimismo e desânimo. Você deve concordar comigo sobre o quão depressivo tem sido assistir ou ler um jornal. São tantos escândalos, notícias estranhas, oportunismo político e casuísmo jurídico, um jogo claro de ações onde não se considera a oportunidade de se construir um país sério, mas jogos de poderes que parecem brincadeiras infantis de crianças com seus pais, escondendo seu rosto atrás da cortina, deixando todo o seu corpo visível, achando que assim não serão encontrados.
É preciso ter esperança em meio às notícias ruins. Não se abater por causa dos desmandos, crer que é possível, sonhar no meio do caos. O que sustenta gerações e nações é o fato de que alguns sonhadores e lunáticos nunca deixaram de gritar: “Eu tenho um sonho!” Aqui está a diferença entre os derrotados e os vitoriosos.

Autor(a): Samuel Vieira