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Antigo drama

Edição 650 - 01 a 07 de dezembro de 2017

As duas primeiras chuvas mais pesadas expuseram, como sempre, a precariedade do sistema de esgotamento de águas pluviais na região central de Anápolis. Algumas ruas e avenidas, em que pese o esforço da Prefeitura em desobstruir a canalização, foram, literalmente, inundadas, provocando desconforto e muitos prejuízos. A grande responsabilidade por tudo é da comunidade que insiste em dispensar todo tipo de entulho nas vias públicas. Esse entulho vai direto para as redes coletoras. Daí, o resultado.
Nos últimos meses, de acordo com a Secretaria Municipal de Obras, milhares e milhares de poços de visita (bocas de lobo) foram objeto de uma completa operação-limpeza, com toneladas e mais toneladas de areia; terra; papel; vidro; plástico, madeira, metais e outros objetos retirados e enviados para o Aterro Sanitário. Mas, para a decepção dos operadores do sistema, em poucos dias, muitos desses recipientes já estavam cheios de lixo novamente. Isto sinaliza para a necessidade, urgente, de se promover um projeto educativo e de conscientização junto aos moradores de Anápolis, começando pelas escolas, percorrendo os demais setores da sociedade, até o seio das famílias, pregando a ideia de se cuidar do meio ambiente. Ressalte-se que esta questão é recorrente, pois incide todos os anos, sempre com agravantes, tendo em vista o maior volume de detritos recolhidos pelas máquinas e operários a serviço da Prefeitura.
Resta provado, ainda, que se não houver esta conscientização e este envolvimento, o Governo Municipal, por si só, certamente não conseguirá devolver o estado anterior ao sistema viário. Enquanto os anapolinos não se conscientizarem a dar uma destinação correta ao lixo, de nada adiantará varrer as ruas de madrugada e fazer a coleta regular do lixo, se a população, horas depois, voltar a emporcalhar as ruas. De sorte que, a mudança tem de partir dos indivíduos e, não das instituições. E, se não mudar, viveremos, eternamente, este drama, agora, diante de todos nós.
De parte da população, não se pode culpar a Prefeitura por este estado de coisas. Quem levanta mais cedo percebe que as ruas amanhecem limpas, sem qualquer entulho em seus leitos. Mas, duas horas depois de aberto o expediente comercial, o quadro já é outro. Há dos que percebem, ainda, o recolhimento de mais de 300 toneladas de lixo todos os dias nas ruas de Anápolis e, nem isto, resolve, pois o que se vê de entulho nos lotes baldios, nas margens de rodovias e avenidas é uma grandeza. Assim, não há governo que dê jeito. Ou a população se conscientiza de suas responsabilidades, ou seremos uma cidade sem proposta ecológica correta. A escolha é nossa.

Autor(a): Vander Lúcio Barbosa