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Estrela Cadente

Edição 634 - 11 a 17 de agosto de 2017

OS CORREIOS, ou Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, eram um patrimônio orgulho dos brasileiros até poucos anos atrás. Confiável, seguro, eficiente e inovador, eram o exemplo de sucesso da empresa pública. Tão relevante que a revista EXAME, edição comemorativa das Melhores e Maiores empresas brasileiras em 2.015, categoria serviços, colocou-a entre as 20 maiores empresas brasileiras. Afinal, alem de estar na 3ª. posição em vendas líquidas e liderança de mercado e só era superada pela Petrobras e BR Distribuidora, eram a 7ª. em geração de riquezas e primeira colocada entre as maiores empregadoras brasileiras com 120 mil funcionários e a 38ª. maior empresa brasileira. No ranking da America Latina eram a maior empresa em logística e, no geral das maiores, ficou em 83º. lugar. Era!
Fundada em 1969, a Empresa, após anos de euforia, perdeu a competição para a inovação e não consegue se ajustar às novas realidades do mercado num momento em que a quarta revolução industrial chega rápido e que as comunicações passaram a ser digitalizadas na maior parte e realizadas por meios eletrônicos. Também não consegue adaptar-se aos impactos tecnológicos cada vez mais influentes nos seus custos. O que fazer? Difícil! Como empresa estatal, os empregados têm estabilidade no emprego e não podem serem demitidos. Por influência e pressão política, a empresa não pode sair fechando agencias deficitárias Brasil afora nos 5.575 municípios. Enfim, não pode ajustar custos crescentes com receitas decrescentes. Como é uma estatal, os prejuízos acumulados desde 2.013, em torno de cinco bilhões de reais serão pagos pelo pobre contribuinte brasileiro através de impostos crescentes ou transferências do dinheiro da segurança, saúde e Educação.
O imbróglio tem causa: alem das dificuldades acima enumeradas, segundo, ainda, a mesma revista, de 2.003 a 2.015, o governo injetou na empresa nada menos que 700 sindicalistas sendo que 16 das 28 diretorias regionais eram comandadas por filiados políticos. O cargo de presidente sempre foi de políticos, utilizados para formar bases governistas. Ainda, o aparelhamento vai para os cargos menores: oito principais vice-presidências são ocupadas por apadrinhados políticos, ainda hoje. Contudo, nada errado nisto. Afinal é uma empresa estatal em que o sucesso é compartilhado com poucos, no caso os empregados, seus familiares e diretores e o insucesso com toda nação, inclusive os pobres do bolsa família que vão ajudar a levantar a empresa, com mais impostos em todos os produtos consumidos. A declaração do presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios, J. A. Gândara, que há mais de 40 anos trabalha na estatal é esclarecedora: “infelizmente, as gestões políticas que têm passado pelos Correios só têm feito mal à empresa, que elegeu, como prioridade, acomodar apadrinhados políticos”.
Mundo afora mais de 60 países já privatizaram o setor. Por aqui, não se toca no assunto. Privatizar empresas públicas ainda é tabu entre nós. Quando se fala em privatizar empresas, única forma de acabar com a sangria pública, grupos corporativistas vão para as ruas dizer não. A conta fica sempre para os mais fracos que também protestarão sem saberem porquê o fazem. É o custo do atual regime político brasileiro e da ignorância advinda da falta de educação de nossa gente. Uma tristeza só. Vamos ficando para traz, infelizmente!
Fazer o que? Você decide.

Autor(a): Moacir Lázaro de Melo