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A vida de Jesus na visão do africano

Edição 622 - 19 a 25 de maio de 2017

O ministério de Jesus foi marcado por muitos milagres, sobretudo envolvendo curas físicas extraordinárias. Analisando os Evangelhos, veremos mais de vinte histórias que envolvem questões de saúde e que tiveram a intervenção divina para que seus protagonistas fossem libertos. O filho do funcionário público, o cego de nascimento, a filha de Jairo, a mulher com hemorragia, a moça torta, o mendigo cego, são apenas alguns entre tantos que tiveram o privilégio da cura por meio da ação direta do filho de Deus. Os milagres foram presenciados por muitas pessoas e aconteceram em todas as regiões por onde Jesus passou. Um deles, no entanto, envolveu um grupo de leprosos e tem um enfoque diferenciado. Não que o fato de serem curados de uma doença contagiosa e que os levava a viver em total distanciamento social não seja relevante, mas o aspecto a ser observado nesse relato é o sentimento de gratidão de apenas um entre os dez homens curados. A lepra ou hanseníase era um mal que, até o final do século XX, segregava seus portadores que sobreviviam de esmolas nas ruas ou pequenas doações às instituições amparadoras. Se na era moderna a situação desses doentes era, em sua maioria, trágica, imagine há dois mil anos. Muito provavelmente, os leprosos ouviram que Jesus passaria por ali e se colocaram às margens do caminho. Eles acreditavam no milagre. Quando o avistaram, não se aproximaram, apenas gritaram por socorro. Eles demonstraram respeito pelo Mestre. Jesus ordenou que fossem até os sacerdotes. Eles obedeceram sem questionar e, no caminho, foram curados. Jesus poderia tê-los curado no instante em que pediram ajuda, mas eles precisavam demonstrar que realmente criam no milagre. E, ao se verem livres da enfermidade, certamente comemoraram juntos e estavam ansiosos por reencontram familiares e amigos que há muito não viam. Um deles, no entanto, tinha no coração a gratidão àquele que tornara possível tamanha alegria. Apenas um voltou para agradecer Jesus. Apenas o estrangeiro foi grato. Esta história ainda é uma realidade na vida do crente. Muitas vezes, oramos pedindo a intervenção de Deus em uma situação humanamente impossível de ser revertida e, quando o Senhor atende ao nosso pedido, não nos lembramos de agradecer o milagre. Demonstrar gratidão precisa ser uma constante em nossas vidas, tanto na nossa relação com outras pessoas quanto e, principalmente, no nosso relacionamento com Deus.

Autor(a): Rev. Wildo Gomes