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ONG que cuida de cães abandonados quer o reconhecimento

Geral Comentários 05 de abril de 2013

Instituição cuida de centenas de cães que, antes, perambulavam pelas ruas, espalhando doenças e incomodando a sociedade. Ela clama por maior apoio dos anapolinos


Cidadãos comuns, que têm obrigações diárias, trabalho, filhos e prioridades como qualquer outra pessoa, estão à frente de um bonito e difícil trabalho: o de administrar a Associação Protetora e Amiga dos Animais - Aspaan - que recolhe e oferece tratamento e abrigo temporário para cães abandonados enquanto estes aguardam adoção. Um trabalho que, dia a dia, tem se transformado em um grande desafio.
Os motivos para que os animais não tenham um ‘lar’ são diversos. Desde haverem fugido e não saberem voltar para casa, a serem abandonados por seus donos nas ruas; por terem adquirido alguma doença ou, até mesmo, pelo mau comportamento, consequência do adestramento equivocado feito por seus responsáveis. Paralelamente a essa realidade, foi criada a Associação. A ideia começou quando Thaís Gomes de Souza era adolescente. “Desde pequena eu via os animais nas ruas e pensava ‘Meu Deus! Um dia eu ainda vou fazer algo por eles’, e há mais de doze anos venho desenvolvendo esse trabalho", diz. A advogada conta que quando via um animal abandonado, o encaminhava para o veterinário. “Ali eu gastava todo o salário do mês”, lembra.
Thaís Gomes afirma que, hoje, o número de cães que chegam para acolhimento é muito superior aos adotados. “As pessoas me ligam e dizem ‘tem um cachorro aqui com a pata quebrada, na minha porta’. Aí, eu sugiro um veterinário parceiro da Aspaan que possa fazer uma cirurgia mais barata e a pessoa alega: ‘mas o cachorro não é meu’. E, eu respondo: ‘mas, ele também não é meu’”, conta. Thaís explica que a ONG é uma organização privada sem fins lucrativos, que não recebe verbas públicas. “As doações que conseguimos não suprem 20% dos gastos”, desabafa. Mais de cinco mil pessoas seguem a Aspaan nas redes sociais. Mas, quando a Associação realiza alguma campanha, não consegue arrecadar nem 150 reais. “São cinco mil pessoas. Se cada uma doasse um real por mês, isso seria muito significativo diante da estrutura e das necessidades do nosso trabalho”, diz. Thaís faz um apelo à população quanto a uma mobilização ou maior empenho em ajudá-los. “Muitos reconhecem o valor do nosso trabalho e acham bonito porque têm pena dos animais. Eu, também, sinto. No entanto, quando precisamos de uma pessoa que possa nos ceder um cômodo ou uma garagem para acolher os animais que já não cabem mais no nosso espaço, ninguém pode nos ajudar. Só se limitam a sentir pena. Não entendem que eles adoecem, precisam de banho, remédios e cuidados”, explica a advogada.
Devido à superlotação do abrigo canino que, com capacidade para 150 cães, atualmente abriga mais de 400, a Aspaan recolhe das ruas da Cidade somente os animais em casos extremos. “Dias atrás recebemos um cachorro que teve o rabo cortado com faca, resultando em uma grande ferida”, relata. A ONG não está mais recolhendo animais cujos donos estão se desfazendo por causa do porte, por que estão de mudança ou só por que querem, simplesmente, se desfazer do bicho. Sem contar que as cinco voluntárias à frente da Organização têm abdicado dos fins de semana para limpar o espaço da Aspaan, dar banho nos animais entre outros reparos. “Também, estamos tirando dinheiro do nosso bolso para arcar com os gastos e, mesmo assim, temos sido incompreendidos por boa parte da população”, expõe.
Cerca de quinze voluntários participam da Aspaan, como é o caso da cirurgiã dentista Sabrina Siqueira, 46, ajudando na instituição há um ano. “Todas as sextas e sábados venho para cá ajudar na limpeza do local e dar banho nos cachorros. O ser humano tem a Previdência Social e os hospitais públicos para quando necessita. Muitas vezes fazemos coisas em prol do ser humano e não recebemos nem um ‘muito obrigado’ como reconhecimento. Já, para o cachorro, fazemos pouco e recebemos muito. Temos muito a aprender com eles".
Para cobrir os gastos relativos aos cuidados necessários aos animais, a Aspaan promove bingos, venda de camisetas da instituição e bazares. E neste sábado, dia 06, na loja Laranja Lima, na Avenida Santos Dummont nº 338, acontece mais um bazar beneficente de roupas novas e seminovas, em prol da organização, a partir das nove horas da manhã. “Peço desculpas à população por não conseguimos atender a uma Cidade com tantos casos de abandono e maus tratos a animais como Anápolis. Mas, precisamos de um apoio maior. Juntos, somos fortes”, conclui Thaís.
Para quem quiser ser um (a) voluntário (a) da instituição ou colaborar com a mesma, basta entrar em contato com a Aspaan pelo Facebook ou enviar um e-mail para aspaananapolis@hotmail.com se prontificando.

“Porque adotei um cachorro”
Mais de cinco mil pessoas têm acesso às páginas da Aspaan na internet. E foi através do Facebook que a estudante de engenharia de produção, Ariadne Mesquita, 21, conheceu e se apaixonou pelo trabalho desenvolvido pela Associação. “Admiro, muito, a perseverança das meninas que mantêm a ONG, justamente por passarem por cima de tudo, inclusive abdicar do tempo que têm livre pela causa”, conta. O amor que a estudante sente pelos animais é antigo. Quando criança, ganhou uma cadela da raça poodle com a qual conviveu por doze anos. “Quando a Layca, minha cachorra, morreu, o primeiro impacto que tive foi de não ter mais cachorros por que, como eu gostava muito dela, não me sentia no direito de colocar outro cachorro em seu lugar. Era como se tudo fosse dela, inclusive o meu amor”, esclarece. Entretanto, depois de conhecer o trabalho da Aspaan, Ariadne adquiriu uma nova visão sobre o fato. “Se você quer um cachorro pelo que ele pode proporcionar à sua vida, e se você quer simplesmente amá-lo, qualquer cachorro, independente da raça ou idade, supre isso”, explica. Então, ela resolveu adotar outro animalzinho. “Só que, um amigo soube que eu queria adotar e, ele mesmo, foi lá e adotou uma cadelinha para me presentear. Dei a ela o nome de Bombinha", conta feliz.
Para a adoção de um cão, basta escolher o animal pelo Facebook da instituição ou comparecer à sede da mesma, entre 8h e 13h30, aos sábados, portando identidade e comprovante de endereço. Se o animal adotando for filhote cobra-se uma taxa de vinte reais, pois ele já recebeu, ao menos, uma dose de vacina importada. Se for adulto, a taxa é de trinta reais, pois o animal está vacinado e castrado. A taxa é, apenas, uma forma de contribuição para a manutenção da Aspaan.

Autor(a): Carol Evangelista

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