(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

Olha a fruta, a verdura! Conheça a vida de feirante

Cidade Comentários 08 de janeiro de 2015

Anápolis tem feirantes que trabalham há mais de 40 anos na profissão. Conheçam a história de alguns que madrugam para fornecer aos clientes um produto fresco e de qualidade.


“Aqui na feira, eu vendo ovos de granja; ovos caipiras; polvilho da fazenda; queijo ralado; queijo fresco; manteiga de leite, o requeijão e vendo, também, o queijo de trança temperado, o de trancinha simples, branca”. Esta é a descrição dos produtos vendidos no Feirão do Jundiaí por João Pereira Cardoso. Ele divide espaço com dezenas de outros vendedores de produtos diversos, que se aventuram em locais da Cidade, muitas vezes acordando às três e meia da manhã, para satisfazer seu principal amigo: o cliente. Há 42 anos João Pereira atua na profissão. Começou vendendo verduras. Em seguida, cereais e, por 23 anos, comercializou guariroba.
“Virou uma paixão. Nós nos acostumamos com o pessoal, os fregueses, os fornecedores. Então, é uma distração. Apesar de que precisa trabalhar, ganhar o dinheiro e é uma distração também. É o último (emprego que vou ter na vida). Eu já me aposentei, mas continuo trabalhando e quero ir até... esse é o último. A hora que eu parar com a feira, eu parei de serviço mesmo”, disse sorrindo. E como o cliente é atendido? “Nós o tratamos como amigo. Como freguês, mas já como amigo. Quase igual a uma pessoa da família”. Ele relatou que, com os fornecedores de produtos, existe uma “amizade muito grande”. Com o dinheiro da feira, João Cardoso comprou sua casa, carros de passeio e de trabalho; e possibilitou aos quatros filhos, dois homens e duas mulheres, conquistarem o diploma universitário.
“Eu penso, quando eu parar, deixar para essa menina aqui, que ela gosta muito. A que gosta da feira é essa aqui, apesar de ela ter o serviço dela. Mas ela gosta mais é da feira mesmo e os outros não”, disse sobre sua filha Valéria Pereira Cardoso, que o ajuda a tomar conta dos negócios. Valéria relatou com emoção sua paixão pelo ofício: “Fui criada na feira. E, desde menina, meu pai sempre trouxe a gente, os quatro filhos. Porém, só eu que pretendo estar herdando isso e levando isso adiante. Meu pai, muito trabalhador, sempre levantou às quatro horas, prepara a mercadoria com muita cautela”.
“E foi daqui da feira que ele formou, juntamente com a minha mãe, os quatro filhos. E ele tem muita honra de tudo isso e eu me orgulho muito da profissão do meu pai. Porque, no dia-a-dia, a gente parece, na verdade, nômades, ou então, até ciganos. Porque a cada dia nós estamos em um local. E, isso é bom, porque adquirimos amizade. E, quando a mercadoria também é boa, o cliente sempre volta. E é uma das preocupações aqui, da nossa banca: atender bem ao cliente e ter essa mercadoria com qualidade para estar oferecendo”.
Valéria é pedagoga e possui cursos na área de psicopedagogia, tendo atuado por 16 anos na Pedagogia. “Mas, não é lá que eu sou feliz não. É aqui na feira”, afirmou. “Eu resolvi que eu vou levar adiante essa profissão do meu pai”, declarou, assumindo para si o desafio de seguir o legado paterno. Ela, juntamente com o pai, João Pereira, e a mãe, Marlene Pereira Cardoso, trabalham juntos no Feirão do Jundiaí. Seu João, como é chamado, atua há 33 anos como feirante. “Eu quero continuar porque isso é um trabalho do meu pai. Então, como todos os pais, como o pai que é médico e quer que seu filho se torne médico; o pai que é engenheiro, ele sempre quer que o filho se torne engenheiro. E, assim, eu vejo, porque o meu pai fez muito por nós até hoje. E acho que o mínimo que a gente pode fazer é continuar esta tradição dele, da feira. E é o que eu pretendo”, sonhou Valéria.

Profissão “sofrida”
Antônio Rodrigues de Campos, aposentado, atua como feirante há aproximadamente um ano. Seu jeito engraçado não passa batido pelos clientes que frequentam o local. Ele destacou que o ofício é “bom, não é ruim não”. Vindo de São Francisco de Goiás, atualmente ele ajuda um genro a tocar os negócios. A vida de feirante, conforme relatou, é “sofrida”. “Trabalha muito”, explicou. Quando questionado se feirante ganha muito dinheiro, respondeu com risadas: “Não ganha não”. Aumentando o tom da voz durante a entrevista, ele explicou como vende seus produtos: “Milho assado, cozido, água de coco. O freguês chega e procura: Olha, eu quero tantas espigas de milho, duas águas de coco. (Ele) paga e vai embora”, relatou.
Para Antônio, o comprador tem que ser bem tratado “no ato. Tem que zelar do cliente, pois, se for mal tratado, ele vai e não volta mais”. Pai de oito filhos, ele não quer passar o ofício para frente: “Não. Quero não (que meus filhos sejam feirantes). Eles não precisam”. Mesmo há pouco tempo trabalhando em feira, ele criou gosto pelo trabalho. “Eu gosto de mexer com gente”, destacou. E, explicou o porquê do seu jeito engraçado: “Eu sou igual a bode. Eu gosto é da farra”. Afirmou que faz coisas engraçadas para se “divertir”. Religioso, ele afirmou, apesar do tom engraçado, que não conhece nenhuma piada. “Você sabe que Jesus não gosta de piada”, disse em tom de sermão. Ele, ainda, não sabe se quer ser feirante para sempre. “Depende. Vamos ver o que vai ser”, declarou. Inquieto e cômico, não quis continuar a
entrevista: “Não. Já está bom demais”.

“É o meu sustento, é minha vida”
Amado de Jesus Silva trabalha como feirante há 46 anos, desde os oito anos de idade. Há 22, atua no Feirão do Jundiaí. Tem um casal de filhos: uma biomédica e outro atuante em uma indústria de cervejas. Ainda mais novo, escolheu atuar na profissão do pai. “Eu tive a opção de ir para a escola militar, mas não quis. Eu não achei que era uma boa pra mim”, relembrou. “Para mim, (a feira) é o meu sustento, é minha vida. O que eu tenho, hoje, foi adquirido da feira, praticamente”.
Ele relatou sua história como feirante: “Quem me trouxe para a feira foi meu pai”. E, exaltou a maneira como seu pai e sua mãe lhe deram e “ensinaram tudo na vida”. Mostrou saber a importância do seu ofício e, também, dos clientes que passam por ali. “Tem muito freguês que a gente considera como da família. Tem amigo da feira que me conhece desde menino”, citou. “O cliente, a gente tem que atender bem”, disse.
Para Amado, na área em que ele atua “está muito bom. Arrumar as mercadorias, arrumar no jeito de trabalhar no outro dia, carregar o carro para vir, para deixar tudo pronto. Então, acaba que a gente toma o tempo todinho envolvido, correndo atrás de mercadoria”, relatou sobre o modo como leva a profissão de feirante. Para ele, um dos segredos da feira que encanta os clientes é a maneira de “trabalhar, atender ao cliente, ele tem um contato direto com o proprietário, não é igual nos mercados, em outros lugares, em que ele nem vê o proprietário”. Quando questionado se seus filhos seguiriam seu ofício, ele respondeu: “Não. Eu insisti com o meu filho para fazer uma faculdade. Uma pessoa com uma formatura tem condição de desenvolver melhor na profissão que ele escolher. E aqui (na feira) é muito exigido pelas madrugadas. Dia de sábado e domingo eu levanto três e vinte da manhã. Meio de semana, quatro e meia, cinco horas da manhã”.

“Todos criados na feira”
Geraldo Pedro Borges atua há 40 anos como feirante. No Feirão do Jundiaí, está há 25 anos. Ele explicou o que o levou a atuar em feira: “Porque eu trabalhei por muito tempo na fazenda, trabalhei com pintura. Mas, eu achei melhor ser feirante, por causa do tipo de trabalho”. Ele afirmou que gosta de trabalhar com pessoas. “É um trabalho que você trabalha por sua conta. Porque eu nunca trabalhei de empregado”, relatou. Pai de três filhos homens e de uma mulher, ele explicou que foram “todos criados na feira”. E que eles “não se formaram porque não quiseram”.
Para Geraldo, a feira “é uma tradição que vai sendo passada para frente”. “Acho que é importante não deixar aquele trabalho velho da gente para trás, sem perseguir ele”, destacou sobre a vontade de deixar o ofício para os filhos. Também, é um local aonde as pessoas vão para se ver. “Às vezes, tem muita gente que quer encontrar família; compadre; comadre; amigo, amiga e vem aqui na feira comer um pastel, fazer a compra, estar encontrando, estar todo mundo junto. Eu gosto. Eu tenho amor pela feira”, expressou o feirante Geraldo Pedro Borges.

Autor(a): Felipe Homsi

Comentários


Deixe seu comentário Dê sua opinião a respeito desta notícia. Seu e-mail não será publicado.


Código Anti Span Incorreto!
Obrigado! Seu comentário foi postado com sucesso!
Falhou! Preencha todos os campos obrigatórios (*)

+ de Notícias Cidade

Cemitérios Municipais recebem obras para o feriado de Finados

20/10/2017

A Secretaria de Obras e Serviços Urbanos da Prefeitura está concluindo a limpeza e a manutenção, realizadas no Cemitério...

Iniciada a construção de calçadas em toda a Avenida Brasil Norte

20/10/2017

A Avenida Brasil ainda está em transformação. A via recebe, neste momento, intervenções que já deram um novo perfil par...

Estado vai repassar o prédio da Rodoviária para a Prefeitura

20/10/2017

O prédio do Terminal Rodoviário “Josias Moreira Braga” será incorporado ao patrimônio do Município. A transferência...

SANEAGO reconhece falhas, mas não admite a falta de água

20/10/2017

Várias ocorrências de desabastecimento de água foram registradas em Anápolis, entre quarta e quinta feiras (dias 18 e 19 ...