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O vendedor de doces

Boa Prosa Comentários 16 de julho de 2010

João Marinho, líder comunitário do Parque Iracema, morava na cidade de Carmo do Rio Verde, no Vale do São Patrício.


João Marinho, líder comunitário do Parque Iracema, morava na cidade de Carmo do Rio Verde, no Vale do São Patrício. Volta e meia vinha passear na casa de parentes em Anápolis. Uma de suas tias residia nas proximidades do então Estádio “Manoel Demóstenes”. Numa das visitas, João Marinho foi convencido pela tia que fosse ao campo de futebol vender os doces que ela fabricava em casa, como forma de ajudar no sustento da família.
Assim sendo, João partiu em companhia dos primos Sílvio e Amaury Galdino, este último, hoje delegado aposentado da Polícia Federal. Jogo ruim, pouca gente no estádio e João tentava, de todo jeito, vender os doces. Foi quando se aproximou de um homem que estava com a namorada e ofereceu-lhe os doces. O homem rejeitou e mandou que João saísse dali. Mas, o menino insistia, até que o “gal㔠o ameaçou: “Se você não sair, mando aqueles moleques ali (apontou para um grupinho) te pegarem. Como João insistiu, o homem acabou cumprindo o que prometera. Chamou os garotos e mandou que dessem uma coça no João.
Em desvantagem, nosso vendedor acabou apanhando e, de quebra, tendo os doces derramados na poeira. Mas, não se deu por vencido. Saiu desorientado, quando encontrou um policial e foi logo dizendo: “Seu guarda, um homem ali mandou os moleques me baterem, derramaram os doces e agora, sem o dinheiro, a gente não tem o que comer lá em casa. Eu e meus irmãozinhos”.
O policial, condoído com a história pegou João pelo braço e saiu procurando o namorador. “Foi aquele ali, seu guarda”, disse João Marinho. O policial, então, se aproximou do torcedor e sua namorada e disse: ‘Você quer pagar o menino ou quer levar uma surra perto de sua garota e ainda ir preso? E não deu chance para resposta.
Apavorado, o torcedor pagou tudo e ainda pediu perdão a João Marinho. Chegando à casa da tia, nosso “herói” que os primos venderam somente alguns doces, enquanto ele, todo prosa, se gabava de ser o maior vendedor de doces do Estádio “Manoel Demóstenes”. Fato verídico, narrado pelo próprio João Marinho.

Autor(a): Nilton Pereira

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