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O Terminal é nosso

Boa Prosa Comentários 20 de agosto de 2010

Volta e meia, aparecem pseudos intelectuais tentando “inventar a roda” em Anápolis. Na maioria das vezes, é gente que não nasceu aqui, não conhece a cidade e vive nela por conveniência, a maioria para ganhar dinheiro.


Volta e meia, aparecem pseudos intelectuais tentando “inventar a roda” em Anápolis. Na maioria das vezes, é gente que não nasceu aqui, não conhece a cidade e vive nela por conveniência, a maioria para ganhar dinheiro. Não têm compromisso nenhum com a Cidade. E, nesse grupo, têm surgido alguns que defendem a retirada do Terminal Rodoviário Urbano do centro da Cidade, sob a alegação de que ele prejudica o trânsito. Quanta insensatez.
Eu defendo o Terminal. Não sou pago para defender, mas defendo. Vejo nele um importante complemento da proposta urbanística de Anápolis. E explico os motivos.
O primeiro deles é porque sou usuário do Terminal. Nascido e criado em Anápolis, daqui nunca me afastei, e não foi por falta de convite, ou de oportunidade. É porque sou anapolino de origem, por opção e por amor a esta Cidade. Ponto final!
Quanto a utilizar o Terminal, também, o faço por comodidade, embora possua automóvel. Adoro andar de ônibus. Vejo no coletivo, um veículo democrático, acessível e prático. O Terminal, por sua vez, é o ponto de encontro da maioria dos anapolinos, principalmente os trabalhadores, os estudantes, as donas de casa, os aposentados, gente que vive a Cidade em sua essência.
Nós, os usuários do Terminal, somos diferenciados da burguesia que anda de carro novo, que nunca precisou usar o coletivo e que vê naquela estação de embarque e desembarque, um empecilho para seus prazeres. Em sua maioria, é gente que nunca entrou no Terminal, não sabe como ele funciona. Mas, quem se utiliza dele, sabe o que ele representa. São pessoas que tomam o ônibus em seus bairros de origem e vêm para o centro da Cidade. Vão aos bancos, aos órgãos públicos e ao comércio lojista, que ficam a poucas quadras do Terminal. Se precisarem se deslocar para outro extremo da Cidade, em poucos minutos embarcam em no ônibus, ali mesmo, abrigadas da chuva, do sol, do vento, sem pagar outra passagem. Em um local aprazível, com sanitários asseados, com segurança, com praticidade.
Em outra vertente da defesa, indaga-se dos que combatem o Terminal, se eles já conversaram com os usuários para saberem suas opiniões. Será que esses críticos de plantão já ouviram os trabalhadores, os estudantes, as donas de casa, o que eles acham de retirar o Terminal de onde ele está? Certamente que não. Além do mais, quem defende a retirada do Terminal, saberia que, dali, dezenas de famílias tiram o sustento, o pão de cada dia? Os donos de pequenas bancas, de lanchonetes, gente que trabalha honestamente? Esses críticos saberiam, por exemplo, que mais de uma centena de estabelecimentos comerciais, de grande, médio e pequeno portes, têm nos usuários do Terminal seus principais clientes? A saber, por exemplo, Mercado Municipal, Camelódromos, Mercado Floresta, Lojas Marisa, Têxtil Abril, Lojas Americanas e muitos, muitos outros? Já ouviram os empresários, os vendedores desses estabelecimentos o que eles acham de desativar o Terminal?
E, para os que evocam a história, dizendo que o Terminal esconde a velha Estação Ferroviária, pergunta-se: e a Estação “Castilhos” e a Estação de “General Curado” que estão caindo aos pedaços? Por que ninguém cuida delas? Saberiam eles, que a estação da Praça Americano do Brasil só está intacta porque a TCA a reformou, por mais de uma vez? Se questionarem sobre meu compromisso com a história da Estrada de Ferro, vou responder que em minhas veias corre sangue de ferroviário. Meu avô paterno, Leonel Mariano de Almeida, ajudou a construir as estações ferroviárias, o Pontilhão e a linha da ferrovia, na condição de chefe de turma e mestre de obras, na década de 30. Meu tio, Benedito Pires da Silva, foi maquinista da Estrada de Ferro até se aposentar. Então, minha família faz parte da história da Estrada de Ferro.
Em resumo, o Terminal Urbano é um patrimônio dos anapolinos que, realmente, constroem esta Cidade. Quem se coloca contra ele, está na contramão da história. Em praticamente todas as cidades brasileiras os governos estão buscando soluções para o trânsito, porque as ruas não cabem mais tanto carro. E, em Anápolis, onde um sistema de transporte coletivo funciona, e funciona bem, meia dúzia de pessoas, debaixo de alegações absurdas, querem desmanchar o que está feito. Deve ser, somente, para aparecer na imprensa. Não pode ser por outro motivo.

Autor(a): Nilton Pereira

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