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O risco dos alimentos de ambulantes

Saúde Comentários 22 de maro de 2014

Mais de 800 estabelecimentos que comercializam pamonhas e espetinhos em Anápolis estariam irregulares


Dois dos alimentos mais tradicionais consumidos pela população goiana são o “churrasquinho” vendido, principalmente, por ambulantes nas ruas, feiras livres, praças e ao longo de avenidas; e, a pamonha, tida como a comida típica mais apreciada no Estado. Aliás, a pamonha (espécie de guloseima feita à base de milho verde) disputa, com o pequi, a fama de alimento mais conhecido entre os goianos. Centenas de estabelecimentos e de vendedores avulsos se encarregam de fazer chegar aos consumidores de todas as camadas sociais, principalmente nos finais de tarde e nas noites goianas, estes dois petiscos. Eles são distribuídos em pontos fixos; à pé; por automóveis, por motociclistas e carrinhos de mão. Dificilmente um goiano nativo, ou “adotado” não aprecia esses dois alimentos. Há quem faça deles a principal alimentação na segunda parte do dia. Acontece que por detrás disso, existe uma preocupação quanto à qualidade dos alimentos que se ingere.
O consumidor precisa estar sempre atento, principalmente quando o assunto é alimento. Em Anápolis existe um grande hábito de comer nos famosos “churrasquinhos de esquina” e em pamonharias. Existem centenas desses estabelecimentos espalhados por aí. No entanto, nem a metade deles tem permissão da Vigilância Sanitária para venderem tais produtos, principalmente os churrasquinhos. Estima-se que mais de 800 deles funcionem de forma irregular.
Estão cadastrados, hoje, na Vigilância Sanitária de Anápolis, apenas 38 churrasquinhos e 106 pamonharias. Esses dados estão longe de condizerem com a realidade. Centenas desses locais de venda comercializam produtos alimentícios sem comprovarem a qualidade. Mesmo diante da oferta de cursos gratuitos de boas práticas para manipulação de alimentos, realizados todo mês pelo órgão, os proprietários não se interessam.
Os cuidados
No caso dos “churrasquinhos”, que oferecem apenas o espetinho, ou “jantinhas”, que oferecem a carne acompanhada de outros alimentos como arroz; mandioca, salada e feijão tropeiro, as pessoas devem tomar cuidado. Os riscos para a saúde são muitos. Esses produtos, principalmente os de origem animal, podem estar sendo utilizados sem comprovação de origem e inspeção; acondicionados de forma inadequada (em temperaturas ambientes e recipientes sem proteção); comercializados em locais sem pias para a higienização das mãos, principalmente onde o manipulador dos alimentos, também, tem acesso ao dinheiro; com instalações físicas inadequadas; falta de locais apropriados para depósito de lixo, dentre outros.

As pamonharia, também, oferecem riscos. Os estabelecimentos podem estar usando produtos lácteos, como queijo e leite, sem comprovação de origem ou inspeção; local inadequado para armazenamento e manipulação das massas do milho; armazenamento de alimentos fora de temperatura; instalações inadequadas anexas a residências; e falta de locais apropriados para depósito de lixo.
O diretor de Vigilância em Saúde, Marcelo Daher explica que existem orientações para abrir, de forma adequada, estabelecimentos como churrasquinhos e pamonharias. No entanto, a maioria dos proprietários não busca auxilio do departamento de Vigilância Sanitária por saberem que precisarão realizar mudanças e adaptações. “Não conseguimos ir até todos, por isso abrimos oportunidades para que os proprietários venham até nós e possam realizar o curso e também se cadastrar”, disse.
Dentre as dificuldades que o órgão enfrenta, hoje, para fiscalizar esse tipo de estabelecimento está o fato de que tais comerciantes preferem trabalhar na clandestinidade e por ser, muitas vezes, uma atividade ambulante de funcionamento principalmente no período noturno. Por isso, é necessário que os consumidores se conscientizem e escolham melhor os locais para comprar este tipo de alimentos.

Autor(a): Wanessa Mereb

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