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O rico mercado do lixo: Setor movimenta R$ 22 bilhões por ano e impulsiona novos negócios

Economia Comentários 03 de outubro de 2014

Centro de Estudos, Pesquisas e Planejamento (CEPPE) do Brasil será responsável pela pesquisa. Objetivo é traçar o perfil dos trabalhadores deficientes no município. Empresas anapolinas têm reclamado das dificuldades em encontrar este perfil de trabalhador. Estimativas do SINE Anápolis apontam falta de profissionais para suprir a demanda. São 400 vagas ofertadas, mas a baixa procura impede que empresas se adequem à Legislação. Multas pelo descumprimento podem chegar a R$ 10 mil por mês para cada profissional deficiente não contratado


Atividade regular nos chamados países desenvolvidos, a reciclagem, ou reaproveitamento dos resíduos sólidos (lixo urbano) começa a ser um grande negócio, também, no Brasil. Este trabalho transforma o inútil e o descartável, em emprego, mercado e lucro. A antiga prática de “garimpar” nos chamados lixões, em busca de materiais recicláveis para vender como matéria-prima, está acabando. O trabalho de evitar prejuízos à natureza e ao bolso de gestores públicos e privados vem criando um novo mercado.
Os indicativos econômicos apontam que a Política Nacional de Resíduos Sólidos é o mais recente impulso dessa mudança de mentalidade. Uma lei de 2010 determinou, até 02 de agosto passado, o fim dos “lixões” (áreas ilegais de depósito de rejeitos a céu aberto sem tratamento subterrâneo, que causam a contaminação do solo, da água e do ar). Mesmo assim, apenas 40% dos 5.565 municípios cumpriram a lei principalmente nas regiões Sul e Sudeste depositando resíduos em aterros sanitários. Anápolis, no Centro Oeste, é um dos poucos municípios da região que estão dentro da legalidade. Mas, os Ministérios Públicos Estaduais não dão folga aos faltosos.
Outro dado constatado é que, ao mesmo tempo, o volume de lixo aumenta. Em 2013, foram geradas 76 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por todo o Brasil, equivalentes a 4% a mais do que em 2012. Há mais desperdício, e a destinação correta num aterro sanitário custa caro, cerca de R$ 2,7 milhões por ano para uma cidade de 100 mil habitantes. Por conta disso, as prefeituras, e as empresas, só têm uma saída: reaproveitar, ao máximo e, diminuir ao mínimo, o dejeto final que termina morto e enterrado. E, enquanto as empresas e as prefeituras retardatárias correm para se ajustar à lei, proliferam exemplos, pelo país afora, de usos inteligentes e fins lucrativos dados ao que se costumava tratar como lixo.

Energia limpa
Entre as últimas novidades em reaproveitamento desponta o Combustível Derivado de Resíduo (CDR). O resultado final é uma massa de alto poder inflamável capaz de substituir combustíveis fósseis (como carvão e madeira), usada em caldeiras da indústria de cimento. Diante desse filão, empresas particulares estão começando a investir na atividade. Já existem aterros privados em São Paulo; Paraná; Rio de Janeiro; Bahia, Alagoas e Sergipe. Essas áreas são impermeabilizadas por uma espessa camada de argila e manta acrílica para evitar a infiltração do chorume (o líquido tóxico derivado do apodrecimento dos restos orgânicos). Além disso, como em todos os aterros, captam e tratam os gases inflamáveis e poluentes derivados da decomposição. Os resíduos são compactados por máquinas e, diariamente, cobertos por terra, para evitar a proliferação de vetores de doenças, como o mosquito da dengue e ratos.

Faturamento
Em alguns casos, mais de 80% do faturamento dessas empresas vêm da coleta e aterro, mas num futuro, não muito distante. essa proporção promete mudar drasticamente. Algumas dessas empresas evoluíram e têm retirado dos aterros subprodutos, como usinas de energia elétrica por biogás. Atualmente há 21 projetos de geração de energia a partir de biogás de aterro, em vários estados, somando um potencial de 254 MWh. Reunidos todos os aterros existentes no País, o potencial de geração chega a dois gigawatts. O primeiro leilão de energia para a compra dessa fonte vai acontecer, agora, em outubro, o que deve criar um preço de referência e atrair mais atenção para o setor do lixo.

Realidade
É interessante saber que quase 95% das cidades brasileiras não chegam a somar uma população de 100 mil pessoas. Cerca de metade tem menos de 20 mil habitantes. E, quanto menor o município, mais cara e insustentável fica a conta do aterro correto. No Brasil inteiro, esse tipo de desperdício superou a 42 milhões de toneladas só em 2013 - 4,6% a mais que em 2012. A compostagem transforma os restos orgânicos em biofertilizantes e é indicada para municípios pequenos, pelo tipo de lixo que geram e pela maior demanda por adubo. Outra forma de estender a vida útil do aterro é fazer uma boa coleta seletiva para reciclagem, porque, assim, as prefeituras podem levar menos coisas ao aterro e reduzir seus gastos com transporte.
Pelos estudos mais recentes, o aterro deve ser a última opção. A Política Nacional de Resíduos Sólidos determina a redução gradual dos resíduos secos dispostos em aterros sanitários e a inclusão nesse processo de 600 mil catadores brasileiros - segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente. Com o reaproveitamento, a pressão sobre recursos virgens (madeira, água, areia, pedra, etc.) fica menor. Mas, enquanto houver espaço para tirar os desperdícios do alcance da vista, eles vão continuar a existir. Ito, porque, no Brasil, o que não é escasso não é objeto de preocupação econômica.

Autor(a): Nilton Pereira

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