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O que fazer com o lixo?

Cidade Comentários 15 de maio de 2010

Especialistas apontam soluções para o tratamento do lixo no município de Anápolis, com destaque para a coleta seletiva e a reciclagem. O Jornal Contexto dá dicas de como se separar o lixo doméstico, por tipos de materiais.


A coleta, o tratamento e a destinação do lixo urbano em Anápolis foram manchetes nos principais veículos de comunicação da Cidade, principalmente no mês de maio. Reportagens como “A dura realidade do lixão”, publicada na edição 260 do Jornal Contexto, mostraram as condições de trabalho em que vivem muitas famílias anapolinas que dependem do lixo para a sua sobrevivência. Além disso, foi abordada a questão de bairros edificados sobre antigos aterros sanitários.
Por meio das reportagens, tentou-se sensibilizar o poder público para a questão do lixo em Anápolis. Da mesma maneira, procurou-se apresentar aos cidadãos, dados que mostrem qual é a porcentagem e como é feito o processamento de material reciclado na cidade.
Ficou claro que, o problema do lixo em Anápolis, deve ser resolvido por todos os setores da sociedade, em uma ação conjunta que inclua a população e o poder público.
Foi verificado que, apesar dos constantes esforços municipais para mudar a realidade do tratamento do lixo na cidade, muita coisa ainda precisa ser feita. O recolhimento dos resíduos sólidos está mais eficiente, mas apenas 31 bairros contam com coleta seletiva. Para o diretor de meio ambiente, Luiz Henrique Fonseca, “esse número não chega a 10% da totalidade dos bairros de Anápolis”. Além disso, apenas 2% do lixo são reciclados.

Opiniões
Especialistas e membros da sociedade civil procuraram a redação do Jornal Contexto, após lerem as matérias publicadas, com o objetivo de trazer sugestões e soluções ao problema do lixo na cidade.
A bióloga Rosana Silva Barbosa afirmou que o tratamento do lixo poderia ser mais eficiente se a iniciativa privada do município se sensibilizasse para a questão. “Temos o exemplo do DAIA. As empresas daquele distrito deveriam criar programas específicos de reciclagem, além de projetos de treinamento para os seus funcionários”, explica.
A bióloga sugere que sejam feitas propostas com foco específico na gestão de resíduos sólidos. Além disso, “poderiam ser criados pontos de coleta seletiva por toda a cidade, incentivando os cidadãos a recolherem os detritos de maneira consciente”.
Para Rosana, toda a sociedade deveria estar envolvida no tratamento do lixo, por meio da conscientização. Nesse sentido, a bióloga sugere que seja realizado “um processo de educação ambiental, através de palestras e seminários para toda a população”.

Catadores de lixo
Para Raphael Nascimento, gestor-comercial da empresa Delta Construções, responsável pela coleta do lixo em Anápolis, questões como a presença de catadores no lixão municipal em condições precárias devem ser resolvidas de forma pacífica. “Essas pessoas vivem daquilo que recolhem, então não é só retirá-las de lá. É preciso que se encontrem alternativas para que eles tenham sua dignidade garantida”.
Segundo o executivo, ainda faltam serem tomadas medidas importantes para a conscientização da população quanto ao tratamento do lixo. “Acredito que a implantação na cidade de uma Escola Ambiental possibilitaria uma maior proximidade entre a empresa coletora de lixo, o poder público e a população”.
O gestor-comercial apontou que atualmente a coleta seletiva não atende à demanda municipal. Ele afirmou que “para que isso seja feito, precisamos estreitar o relacionamento com catadores de lixo e a sociedade em geral. Dessa maneira, tornaríamos a coleta seletiva mais eficiente”, afirmou.

Educação e preservação
Para o filantropo Eurípedes Lima, que trabalha com projetos de inclusão social em Anápolis e no distrito de Goialândia, “no Brasil todo e, especificamente, em Anápolis, deveriam ser implantados modelos como os existentes em países da Europa. Na Alemanha, por exemplo, há dois tipos de caminhões coletores de lixo, de acordo com o tipo de produto a ser recolhido”. Além disso, são estabelecidas multas pesadas para quem desrespeita a legislação ambiental. Para ele, esses fatores facilitariam ações, como a coleta seletiva, e, ao mesmo tempo, impediriam a ação dos contraventores.
Lima sugeriu, também, que sejam criadas usinas de reciclagem municipais, com o objetivo de se tratar e comercializar o lixo reciclável da cidade. “O mercado, hoje, está carente de material reciclado. Além disso, o valor médio de uma usina não passa de R$ 200 mil. Com a venda da produção o poder público poderia, por exemplo, reverter o que fosse arrecadado, para ações sociais”.
Eurípedes Lima acredita também que o tratamento do lixo deve andar em conjunto com a preservação ambiental. Nesse sentido, afirmou que a construção de parques e reservas florestais favorece a criação de um ambiente de respeito aos meios naturais. “Essa é uma maneira de o cidadão entrar em contato direto com o meio ambiente, aprendendo a respeitar o local em que se encontra”.
O filantropo disse que a conscientização ambiental deve começar na infância, por meio de medidas educativas. Para ele, “esse processo deve ter início no ensino fundamental. Dessa maneira, teríamos adultos conscientes do seu dever de tratar o lixo adequadamente”.

Problema social
O agrônomo Iron Francisco Vieira afirmou que o problema do lixo em Anápolis é uma questão de ordem social. “Temos uma situação degradante. Há famílias vivendo do lixo, em condições precárias de higiene. A maioria não sabe dos riscos que está correndo”.
Além disso, ele disse que o chorume (líquido de cor escura proveniente da decomposição de matéria orgânica) é um grande responsável pela contaminação dos lençóis freáticos e mananciais.

Dicas de reciclagem por tipo de material
Vidros - Como todos os outros materiais, os vidros precisam estar limpos e secos. Caso estejam quebrados, os pedaços devem ser enrolados em pedaços de papel grosso.
Recicláveis: Potes de vidro; copos; garrafas, embalagens de molho e frascos de vidro.
Não-recicláveis: Vidros planos; espelhos; lâmpadas; cerâmicas; porcelanas, cristal e ampolas de medicamentos.

Metais - Para serem reciclados, os metais devem estar limpos, sem resíduos líquidos ou comidas.
Recicláveis: Latas de alumínio; latas de aço (óleo, sardinha, molho de tomate); ferragens; canos, esquadrias e arame.
Não-recicláveis: Clipes; grampos; esponja de aço; latas de tinta ou veneno; latas de combustível, pilhas e baterias.

Papéis - Para serem reciclados, os papéis devem ser secos, sem resíduos de comida ou gordura. Caixas de papelão devem ser desmontadas.
Recicláveis: folhas e aparas de papel; jornais; revistas; caixas; papelão; formulários de computador; cartolinas; cartões; envelopes; rascunhos escritos; fotocópias; folhetos, impressos em geral e Tetra PAK.
Não-recicláveis: Adesivos; etiquetas; fita crepe; papel carbono; fotografias; papel toalha; papel higiênico; papéis engordurados; metalizados; parafinados, plastificados e papel de fax.

Plásticos - Para serem reciclados, os materiais devem estar limpos para não se tornarem possíveis focos de transmissão de doenças.
Recicláveis: Tampas; potes de alimentos; garrafas PET; garrafas de água mineral; recipientes de limpeza e higiene; PVC; sacos plásticos, brinquedos e baldes.
Não-recicláveis: Cabo de panela; tomadas; adesivos; espuma, teclados de computadores e acrílicos.

Autor(a): Felipe Homsi

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