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O mercado de trabalho anapolino é acessível para os deficientes?

Geral Comentários 27 de dezembro de 2013

Apesar da existência de vagas para portadores de alguma deficiência, alguns setores das áreas técnicas e administrativas não estão adaptados para estes trabalhadores


O desenvolvimento econômico de Anápolis tem sido acompanhado pela inclusão de todos os cidadãos aos benefícios gerados por esta evolução? A inserção no mercado de trabalho anapolino é um desafio para as chamadas ‘pessoas com deficiências (PCDs)’. Ao mesmo tempo em que devem superar as limitações que o corpo impõe, este grupo de indivíduos precisa enfrentar desafios profissionais que passam pela falta de estrutura de empresas anapolinas. Muitas não estão adaptadas para receber no rol de funcionários os PCDs.
“Na cidade de Anápolis há recorrentes vagas de emprego para pessoas com deficiências”, informou a presidente da Associação dos Deficientes de Anápolis (ADA), Mirian de Oliveira de Batista Cesar. “Como o município de Anápolis tem como destaque seu pólo industrial, é predominante vagas para PCD em empresas que integram o Distrito Agroindustrial de Anápolis, DAIA. Sendo assim a maior parte das vagas disponibilizadas são voltadas para o setor de produção”, acrescentou.
Ela identificou, entretanto, que outras áreas estão defasadas na inclusão dos PCDs. Explicou que “em Anápolis observa-se uma grande dificuldade da pessoa com deficiência conseguir empregos na área administrativa, técnica”. A falta de estrutura nos locais de trabalho ainda é um entrave para uma maior contratação destas pessoas, conforme pontuou a presidente da ADA. “Daí dizer que as deficiências surgem à medida que o ambiente não atende às necessidades de determinada pessoa, como a de se locomover”, referendou.
“A empresa deve estar preparada tanto em sua estrutura física, como também psicologicamente todos envolvidos no ambiente de trabalho”, aconselhou Mirian. Para ela, a solução deste problema passa pela consciência: “Essa conscientização não deve ser apenas bilateral, profissional com deficiência e empresa, mas ela deve englobar toda a sociedade. Dessa forma o que estará predominantemente imprimido na mente de cada um não serão estigmas e preconceitos, e sim a questão do exercício de direitos em igualdade de condições e autonomia”.
Superação
Muitos PCDs ultrapassam as barreiras que as dificuldades imprimem e seguem uma vida normal, fazendo carreira de sucesso e participando em diversas atividades, como o esporte. João Paulo Marinho do Nascimento é portador do geno valgo no joelho, uma deficiência nos ligamentos decorrente de erro médico. Ele é assistente de negócios em uma empresa de consórcios e conseguiu seu emprego por meio da ADA.
João Paulo explicou a estrutura necessária para que ele pudesse ter melhor acesso ao ambiente de trabalho: “degraus não tão altos, espaço amplo no meu local de trabalho”.
“É tudo adaptado, tem elevador. Então para mim, em questão de adaptação, foi rápido”, informou com relação à empresa onde atua. Mirian de Oliveira de Batista Cesar, presidente da ADA, entende que, “pelas dificuldades encontradas no mercado de trabalho, pessoas com deficiência são exemplos de superação”. “Vemos em muitos a força de vontade e a responsabilidade que têm para adquirir a tão sonhada ‘estabilidade profissional’. Muitos são bem qualificados, com ensino superior em curso ou já concluído”, observou.
Qualificação
A capacitação dos trabalhadores com deficiência foi citada por ela como uma necessidade. “Reconhecemos também que há um grande número de pessoas que precisam de atenção quanto à qualificação profissional. Mas, após o lançamento do ‘Viver sem Limite’, várias ações estão sendo direcionadas à qualificação profissional da PCD”. O Programa Viver Sem Limite faz parte das ações da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e inclui iniciativas voltadas para a inserção dos PCDs no mercado de trabalho.
“Encorajamos a todos esses profissionais a se qualificarem, se empenharem e a não desistirem ou desanimarem ante as dificuldades”, afirmou Mirian. Ela concluiu destacando que “existem ainda muitos estigmas e paradigmas errôneos em relação às pessoas com deficiência. Percebemos isso quando a empresa está preocupada somente em cumprir a cota, não percebendo a importância social da contratação dessas pessoas. Esperamos ansiosamente o momento em que o mercado de trabalho para esses profissionais será mais justo, reconhecendo-os como exemplos de qualificação e superação”.
Esporte
O assistente de negócios João Paulo do Nascimento também atua na equipe de basquete em cadeira de rodas da ADA. “A minha superação, eu considero que foi realmente o esporte. Porque até então eu era uma pessoa sedentária, não era muito ligado ao esporte”, contou. “Eu nunca imaginei que um dia eu iria jogar em um time fora do país”. João já atuou em equipes na Europa e afirmou que foi o primeiro brasileiro a jogar na Alemanha no basquete em cadeira de rodas. “Entrei pra história, de certa forma”, exultou.
Fiscalização
De acordo com a legislação, a partir de cem funcionários contratados, a empresa deve possuir um número mínimo de trabalhadores com deficiência ou que estão em processo de reabilitação junto ao INSS. Esse valor pode variar de 2 a 5% do total de empregados, dependendo do porte. “Nós notificamos a empresa da obrigatoriedade da contratação da pessoa com deficiência”, informou o subdelegado regional do trabalho em Anápolis, Degmar Pereira.
As empresas firmam com o Ministério do Trabalho um termo de compromisso, ficando estipulado um prazo para o cumprimento da exigência de contratação. Se não for cumprido o termo, um auto de infração seguido de multa pode ser aplicado, além da possibilidade de uma ação civil pública. Apesar da necessidade de cumprimento da lei, Daguimar entende que muitas empresas não encontram com facilidade funcionários com deficiência ou em reabilitação. Neste sentido, a delegacia está fazendo um levantamento dos PCDs do município. “Nós criaremos as ações para a inclusão”, declarou.

Autor(a): Da Redação

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