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O menino que “matou” o pai

Boa Prosa Comentários 03 de setembro de 2010

Vivíamos o ano de 1962. José Natal, hoje servidor público federal aposentado, morando em Brasília, passou sua infância em Anápolis.


Vivíamos o ano de 1962. José Natal, hoje servidor público federal aposentado, morando em Brasília, passou sua infância em Anápolis. O estudo primário o fez no, então, Grupo Escolar “Antensina Santana”. Era um garoto comum, bem igual aos outros contemporâneos, não fosse uma particularidade: muito astuto quando necessário e tinha sempre uma saída para as situações mais complicadas.
Pois bem... Certo dia, um colega da turma, de nome José Carlos, ao brincar no pátio, sofreu uma queda, e fraturou o braço. Como a família de “Zé Carlos” não tinha recursos e, naquela época, o atendimento previdenciário era muito complicado, a diretora da escola resolveu, então, fazer uma campanha entre os alunos. Cada estudante iria comunicar à família sobre o acidente e trazer, na aula seguinte, a ajuda em dinheiro que fosse possível. Coube à professora de cada turma fazer o comunicado em classe.
Chegou a vez de José Natal ser interpelado se a sua família poderia ajudar. Ele, sem o menor constrangimento, disse em alto e bom tom: “Sabe, professora, até que a gente gostaria, mas meu pai morreu há poucos dias e minha mãe está passando por muitas dificuldades”. A classe toda se condoeu, penalizada com a situação de José Natal.
Dias depois, entretanto, num belo sábado, um aluno da turma, que vendia jornais no Mercado Municipal, deu de cara com o José Natal, acompanhado de um senhor e mais algumas crianças. Ao perguntá-lo de quem se tratava, o colega soube, da boca do próprio Natal: “É meu pai. Esses aqui são meus irmãos”. “Uai... mas você não falou que seu pai havia morrido?”, espantou-se o colega. Foi quando caiu a ficha. Mas, já era tarde. Na segunda-feira, todo o Grupo Escolar já estava sabendo da mentira do José Natal. Era só ele aparecer, alguém gritava “E, aí... meu pai morreu poucos dias”.
A gozação foi tamanha que, naquele ano, não houve jeito. José Natal teve de sair da escola. E, no ano seguinte, muita gente ainda se lembrava do caso e não perdia a chance de chamá-lo de “meu pai morreu poucos dias”.
Hoje, já “coroão”, do alto de seus mais de 60 anos, José Natal, esporadicamente, aparece por Anápolis. E ainda tem gente que se lembra do caso. Ele ri gostosamente e fala: “Agora é verdade. Papai morreu em 1984. Pode contar para a turma”.
Baseado em fatos verídicos. Inclusive os nomes são originais.

Autor(a): Nilton Pereira

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