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O maior projeto de resgate da dignidade humana já visto na região

Especial Comentários 12 de junho de 2015

De um simples gesto para o acolhimento provisório de mendigos, à recuperação de milhares de excluídos em todo o Brasil


No início da década de 80 o então, jovem Wildo Gomes dos Anjos, por piedade, oferecia, com recursos próprios, alimentos e agasalhos a moradores de rua. Depois, construiu um pequeno abrigo para essas pessoas, Hoje o trabalho está em sete estados e atende a milhares de pessoas diariamente. O Jornalista Vander Lúcio Barbosa entrevistou o idealizador da Missão Vida e conta essa maravilhosa história


Vander Lúcio Barbosa - Fale, um pouco, sobre o cidadão Wildo Gomes dos Anjos. Onde nasceu, quem são seus pais, seus irmãos, como foi sua infância, essas coisas...


Pastor Wildo - Nasci em 10 de janeiro de 1963 na cidade de Corumbá de Goiás. Minha família se mudou para Anápolis quando eu tinha um ano e eu fui criado aqui. Meus pais, Manoel Gomes e Maria dos Anjos, tiveram cinco filhos naturais e um adotivo. Tive uma infância feliz, simples e bastante disciplinada.


Vander Lúcio Barbosa - De onde surgiu esta paixão pelas almas, este desejo de ser filantropo, de ajudar os moradores de rua?


Pastor Wildo - Minha mãe sempre foi uma mulher piedosa. Não era incomum adormecer na minha cama e acordar em algum colchão no chão, pois muitas das vezes pessoas chegavam do interior em busca de atendimento médico e nossa casa se tornava uma espécie de “pensão” para acolhê-las. Era comum, no Dia das Mães, ela confeccionar vestidos com um grupo de amigas para presentear viúvas e mulheres carentes que a procuravam. Quase sempre, ao acordar neste dia, havia uma pequena multidão de idosas que a procuravam em busca deste benefício em nossa casa.


Vander Lúcio Barbosa - O senhor imaginava ser pastor um dia? A vocação veio por conta do trabalho filantrópico, ou, nasceu de outro desejo?


Pastor Wildo - Todos acreditavam que meu irmão caçula seria pastor e, isso, realmente, não estava nos meus planos. Durante um congresso para cerca de mil jovens em Cristianópolis, interior de Goiás, eu me senti bastante angustiado e frustrado. Embora tenha ido para participar de toda a programação, estive presente apenas na última reunião. Depois de ouvir a palavra de um pastor já idoso, Reverendo Antônio Varizo Júnior, curvei minha cabeça e fiz uma oração rápida, daquelas que costumo brincar dizendo que Deus leva a sério. Disse a Ele que, se tudo aquilo que aquele pastor estava pregando era mesmo verdade, eu gostaria de aceitá-lo. Fiz, ainda, um desafio: queria que no evento já marcado do ano seguinte eu fosse um dos preletores. Deus ouviu a minha oração e me deu a oportunidade de ministrar uma palestra naquele encontro de jovens do ano seguinte. Semanas depois eu estava estudando para ser pastor.


Vander Lúcio Barbosa - Quando surgiu a ideia de fundar a Missão Vida?


Nunca houve um planejamento para a fundação da Missão Vida. As coisas foram acontecendo de forma natural. Há um versículo que influencia, muito, a minha vida que diz: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). Primeiro, distribuí alimentos e cobertores na rua; depois ajudei a um mendigo, retirando-o da rua; em seguida, outro e outro... Até que, quase todo o meu salário era gasto com as despesas desses homens. Tempos depois, construí, com a ajuda financeira de alguns amigos e a mão-de-obra dos ex-mendigos, o primeiro centro de recuperação com 12 vagas.


Vander Lúcio Barbosa - Quais foram as principais dificuldades no início?


Pastor Wildo - A primeira grande dificuldade foi eu mesmo crer que seria possível a transformação de um mendigo. A segunda: meus amigos e muitos dos meus familiares achavam que eu estava ficando meio louco. Lembro-me de um dia de muita chuva, eu me preparava para sair de madrugada, e ao responder ao meu irmão que eu estava indo ajudar mendigos nas ruas, ele disse que nem por um milhão faria isto. Eu respondi que por um milhão eu também não faria, mas pelo meu ideal, por crer no que eu estava realizando, eu sairia naquela e em quantas outras noites fossem necessárias. Havia um grande descrédito nas minhas ações. A igreja da qual eu era membro e pastor de jovens chegou a pedir que eu não levasse mais aqueles homens para a Escola Bíblica Dominical. Eu sempre me reunia com os ex-mendigos antes de irmos para a igreja em algum posto de combustível, levando comigo aparelho de barbear, roupas, desodorantes, para que eles aparecessem na igreja de forma apresentável, mas mesmo assim eles não eram aceitos.


Vander Lúcio Barbosa - A sua família entendeu seu chamado, deu-lhe o apoio necessário?


Pastor Wildo - Embora minha família fosse muito comprometida com o Evangelho, num primeiro momento não houve o apoio que eu esperava, exceto de minha mãe. O grande desejo de meu pai era de que eu me tornasse oficial do Exército ou da Aeronáutica.


Vander Lúcio Barbosa - Que tipo de ajuda foi fundamental para que a Missão tomasse o rumo que tomou?


Pastor Wildo - Primeiramente, de minha mãe. Toda a ajuda financeira que ela podia, ela me ofereceu. Quando as pessoas criticavam, dizendo que eu estava doido, ela citava o versículo de I Coríntios 1:18: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.” Segundo: Dona Lídia Quinan (empresária, ex-deputada federal, ex-primeira dama do Estado). Todos os anos, nos meses mais frios, ela comprava cobertores para distribuir às pessoas carentes. Só que, ela encontrava uma dificuldade: não sabia como fazer com que estes cobertores chegassem à população de rua. Até que um amigo que temos em comum falou a ela sobre mim e ela me chamou à sua casa e doou 200 cobertores para distribuir aos mendigos. Dali, nasceu uma grande amizade que perdura. Terceiro: conheci Dona Onaide Santillo na primeira campanha de seu marido, Adhemar Santillo, à Prefeitura de Anápolis. Ela tomou conhecimento do que eu estava fazendo. Nesta ocasião, eu já havia aberto o primeiro Centro de Recuperação, com capacidade para 12 homens, e ela começou a me ajudar doando alimentos.


Vander Lúcio Barbosa - E o primeiro Centro de Recuperação, como foi construído?


Pastor Wildo - Sempre que eu voltava das ruas nas madrugadas, após distribuir os alimentos aos pedintes, meu coração era tomado de uma grande angústia. Dobrava meus joelhos e pedia a Deus que me desse recursos para a construção de um local onde eu pudesse abrigar meus amigos mendigos. Um dia, enquanto orava, o Espírito Santo falou ao meu coração dizendo que já havia me dado os meios. Eu acreditava que meus pais, que tinham recursos suficientes para tanto, ou um amigo da família que tinha conhecimento do trabalho, fosse fazer uma doação. Mas, ao invés disto, o Senhor me fez lembrar do dinheiro que eu havia economizado, por dois anos, para a compra de um carro novo. Há trinta e dois anos, quem tinha dinheiro para comprar um carro zero e uma linha telefônica era rico. E eu tinha estes recursos.


Na mesma época, recebi a doação de uma propriedade na “Rua Coréia” (Avenida Corumbá, Bairro Maracanãzinho) que, naquele tempo, era um dos lugares mais violentos e feios da cidade de Anápolis. Fui ao banco com dois dos amigos mendigos a quem estava ajudando e o gerente me perguntou se eu iria comprar o carro. Disse a ele que não, que eu iria tirar todo o dinheiro para a construção de um centro de recuperação de mendigos. Com este dinheiro eu comprei todo o material de construção necessário para a construção de um local simples que, a princípio, abrigou 12 internos.


Vander Lúcio Barbosa - Como é a participação de sua esposa em seu ministério?


Pastor Wildo - Como muitos sabem, sou membro, há 27, anos da Igreja Presbiteriana do Brasil. Eu e minha mulher brincamos que em casa só existe um pastor: eu. Rosane é uma empresária bem sucedida e uma excelente mãe. Dentro de suas possibilidades de tempo, ela tem apoiado a Missão Vida, me acompanhado em muitas viagens, principalmente, neste momento quando meu estado de saúde não é bom. Ela é, também, membro do Conselho Consultivo da Missão Vida. Recentemente, ela lançou um CD onde a renda tem sido 100% destinada às despesas da orquestra que a Missão Vida mantém com crianças em situação de risco em uma região pobre de Anápolis.


Vander Lúcio Barbosa - E, seus filhos, eles têm alguma queda para este trabalho, ou querem outra vida?


Pastor Wildo - Minha filha mais velha, Luiza, de 21 anos, é estudante de Direito e, pelo rumo que as coisas estão tomando, creio que ela será uma boa profissional nesta área. Henrique, de 19 anos, cursa Engenharia Civil e está fazendo estágio. Deborah, 17 anos, ainda está em fase de decisão entre os cursos de Arquitetura e Administração. Gabriela, nossa temporã, de oito anos, ainda é muito cedo para saber. Os três mais velhos, em alguns momentos, participaram e continuam participando como voluntários na Missão Vida.


Vander Lúcio Barbosa - Que tipo de incompreensão o senhor já recebeu da comunidade?


Seria esperar muito que o tratamento oferecido a mim fosse muito diferente ao oferecido a Jesus pelos fariseus. Jesus chegou a ser chamado de glutão e teve seu ministério questionado, pois eles não criam que Ele vinha da parte do Pai, embora todas as profecias e sinais o acompanhassem. As pessoas tiveram todo tipo de pensamento a respeito do que eu estava me propondo a fazer: achavam que era “fogo de palha” e que logo eu desistiria; outros pensavam que eu tinha pretensões políticas e alguns imaginavam até que eu sofria algum tipo de loucura. Mas, com o passar dos anos, a Missão Vida e o meu ministério de ação social foram ganhando a confiança e a credibilidade da sociedade, não só em Anápolis, mas em todo o Brasil e até no exterior.


Vander Lúcio Barbosa - Sabemos que o senhor chegou a ser acusado de explorar a fé pública para angariar dinheiro?


Pastor Wildo - Quanto à questão financeira, de fato me tornei uma pessoa próspera, mas sem jamais usar absolutamente nada do que era levantado para a Missão Vida em benefício próprio. Meu pai adotivo, que me adotou com um ano de idade e com quem tive o privilégio de conviver até três anos atrás, era oficial do Exército e agente da Receita. Meu pai biológico é desembargador. Mesmo tendo 94 anos, é uma pessoa extremamente lúcida, competente e bem sucedida com a qual me relaciono com frequência. Casei-me com uma moça de condição financeira privilegiada, além de ter iniciado minhas atividades profissionais aos 13 anos de idade. Nunca bebi, usei drogas ou vivi dissolutamente. Sei usar bem os recursos que possuo, prova disto é que uso os mesmos princípios na Missão Vida, que mesmo com recursos tão limitados tem cumprido seu ministério de forma cabal, sem dívidas ou compromissos que não consigamos saldar.


Vander Lúcio Barbosa - Como é viver uma situação dessas?


Pastor Wildo - Não me incomoda nem um pouco a desconfiança das pessoas. Salvador Dali já dizia “O termômetro do sucesso é apenas a inveja dos descontentes.” O que importa é o que Deus pensa a meu respeito e o que aqueles que trabalham ou contribuem com a Missão Vida pensam acerca desta questão. No bairro onde vivi quando menino (Vila Santa Isabel) a primeira televisão, a primeira geladeira, o primeiro carro foram, sempre, os da minha casa. Todos os meus irmãos, com exceção de mim, estudaram em escola particular (Couto Magalhães) numa época em que as escolas públicas eram muito boas. Por estes e outros motivos que já mencionei na pergunta anterior tenho minha consciência e mãos limpas e por isso não me abato com as falsas acusações.


Vander Lúcio Barbosa - A Missão Vida, que nasceu em um bairro de Anápolis, é, hoje conhecida mundialmente. Como se deu isso?


Pastor Wildo - Nunca pensei nem planejei o crescimento da Missão Vida. No início, a ideia era ajudar o máximo de mendigos que conseguisse, tirar gente da rua, dar dignidade. No Brasil, não havia qualquer trabalho semelhante ao que eu estava me propondo a fazer. Hoje é diferente. As ações da Missão Vida são pensadas, planejadas para alcançarmos novas cidades e estados. A Bíblia nos ensina: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). No início eu acreditava que seria um pequeno albergue onde os pedintes passariam a noite e na manhã seguinte seguiriam seus rumos. Até que percebi que eles precisavam muito mais que comida, banho quente e roupa limpa. Eles, na verdade, necessitavam de cura da alma. O mais baixo estágio que um ser humano pode chegar na vida é o da mendicância. O alcoólatra, o drogado, usam drogas e bebidas com o objetivo de “fazer a cabeça”. O mendigo já passou por este estágio, percebeu que não deu certo e se entregou, perdeu o sentido da vida. A MV tem um projeto de expansão que visa alcançar dez estados do país e atualmente já estamos em sete, com uma equipe de quase 200 missionários e missionárias que trabalham em tempo integral. Além do trabalho com mendicância, temos atuado também na área de saúde, educação e com crianças em situação de risco.


Vander Lúcio Barbosa - O senhor viajou por todo o mundo. Que lugar mais o impressionou e em qual país o senhor obteve mais ajuda financeira para esta obra?


Pastor Wildo - Deus me deu a oportunidade de conhecer quase todos os continentes, exceto a África. Já recebi três convites, mas nunca fui com medo de, literalmente, não conseguir voltar. Meu coração não consegue ficar indiferente e, inevitavelmente, eu iria querer iniciar algo na África. Estive em lugares lindos, encantadores, como o interior da França, Coréia do Sul, Japão, Chile. Este ano estive na Venezuela, Colômbia e Peru. Fui aos Estados Unidos mais de quinze vezes. No início fazia estas viagens na expectativa de buscar respaldo financeiro para a Missão Vida, até que percebi que isto era muito mais difícil do que eu podia imaginar. Eventualmente, você até pode conseguir algum apoio no exterior para algum projeto específico. Um exemplo disto foi a construção da oficina de marcenaria da MV em Cocalzinho. Mas minha experiência diz que é impossível levantar recursos no exterior para manutenção das atividades diárias. A falta de uma boa gestão dos recursos doados por ONGs internacionais ao Brasil tem fechado as portas para este tipo de parceria. Por outro lado, Deus nos deu uma estratégia que é buscar centenas de colaboradores que doam pequenas quantias mensalmente. Hoje, 90% de nossos mantenedores em todos os estados brasileiros doam 15 reais mensais.


Tenho um amigo estrangeiro que diz: “Brasileiro tem um coração muito bom, mas fraco”. As pessoas começam a contribuir, mas, o fazem por um período muito curto de tempo, o que nos impede de fazer um planejamento de médio ou, de longo prazo.


Vander Lúcio Barbosa - Sabemos que sua saúde não anda muito bem e, mesmo assim, o senhor insiste em levar seu projeto adiante. Por que isso?


Pastor Wildo - Meus amigos dizem que eu sou extremamente teimoso e eu acho que, realmente, eles estão certos. A razão porque eu insisto em dar sequência ao ministério que recebi de Deus são muitas, mas principalmente por causa do meu temor ao Senhor e obediência à sua Palavra. Eu tenho falado publicamente que eu quero morrer como uma vela: de pé, pegando fogo! E, para tanto, eu conto com a graça e a misericórdia de Deus.


Vander Lúcio Barbosa - Qual é a realidade da Missão Vida hoje? Onde ela atua? Que tipo de serviço ela presta? Quantas pessoas ela já atendeu?


Pastor Wildo - A Missão Vida é uma organização solidificada, totalmente documentada, com grande credibilidade no Brasil e até fora do país. Possui unidades de recuperação em Goiás; Minas Gerais; Rio de Janeiro; Bahia; Paraná, Amazonas e Distrito Federal, com cerca de 200 colaboradores em tempo integral. Tem servido diariamente milhares de refeições, atuado na área de recuperação, saúde, educação, ação social e evangelização. Para se ter uma ideia nos últimos quatro anos foram 2.935.210 refeições servidas; 47.071 procedimentos médicos oferecidos; 193.004 medicamentos doados sob prescrição médica e 112 ex-mendigos formados pelo Instituto Bíblico Palavra e Vida.


Vander Lúcio Barbosa - Aonde o senhor sonha em chegar com este projeto?


Pode parecer simplista e de fato é, mas meu alvo é a Jerusalém Celestial. Como diz a letra de uma música composta por um amigo baiano “Ninguém detém, é obra santa! Esta causa é do Senhor”. Durante minha gestão à frente da presidência da Missão Vida meu alvo é implantar unidades de recuperação de mendigos em dez estados brasileiros.


Vander Lúcio Barbosa - Sabemos que as instituições como a Missão Vida são braços fortes dos governos e ajudam, em muito, na política de assistência social. O que seria do Brasil sem estas instituições?


Pastor Wildo - Quem realiza o “grosso” do trabalho social são as instituições e não o Governo. Um obreiro da Missão Vida trabalha de oito a dez horas diárias, ou seja, ele vai além de sua obrigação. A razão pela qual ele faz isto é porque ele acredita em seu chamado e é apaixonado por gente.


Sem estas organizações não só o Brasil, mas qualquer país viveria um caos. Em uma viagem que fiz à Escócia no segundo semestre do ano passado, tive a oportunidade de visitar uma ONG que ajuda moradores de rua. Eles recebem uma pequena fortuna mensal do Governo e atendem a um grupo muito pequeno, o que não diminui o mérito do trabalho que estão fazendo. No Brasil isto não ocorre, até recebemos algum tipo de ajuda, mas, geralmente, é pequena e as cobranças e exigências são tantas que muitas organizações não conseguem cumprir.


Vander Lúcio Barbosa - Aqui em Anápolis, particularmente, como o senhor analisa a política de atendimento às minorias desassistidas?


Pastor Wildo - Na área de abordagem, recuperação e reintegração de mendigos, a Missão Vida não recebe nenhum tipo de apoio público municipal. É provável que a Prefeitura esteja fazendo algo através de outras instituições não governamentais.


Vander Lúcio Barbosa - O senhor estaria preparando um sucessor, ou uma equipe, para ajudá-lo futuramente?


Pastor Wildo - Ninguém faz absolutamente nada sozinho e, certamente, eu tenho uma das melhores equipes de trabalho que alguém poderia ter, embora saiba que muitos destes se aposentarão antes de mim. Meu desejo é que, quando chegar o momento de deixar a presidência da Missão Vida, minha função seja dividida entre três pessoas diferentes: diretor executivo, diretor de comunicação e diretor de ministério. Hoje, eu consigo ver pessoas que estão comprometidas com a organização e que têm todas as condições de exercer tais funções. Quando iniciei o trabalho da Missão Vida fiz um propósito de gastar quarenta anos de minha vida na recuperação, reintegração e apoio à população carente, ou seja, ainda faltam oito anos.


Vander Lúcio Barbosa - Que lição foi possível tirar durante todas essas décadas de dedicação a esta obra?


Pastor Wildo - Foram várias, mas eu poderia destacar três:


1 - Você tem que dar só a sua vida. O trabalho é árduo e requer envolvimento diário e permanente.


2 - Não espere gratidão de absolutamente ninguém. Quando Jesus cura dez leprosos, a Bíblia nos diz que só um volta para agradecê-lo.


3 - Não é fácil o relacionamento com o Governo. Com algumas exceções, o poder público não só não ajudam, mas cria grandes dificuldades para aqueles que estão realizando alguma coisa.


Vander Lúcio Barbosa - Se fosse para começar tudo de novo o senhor o faria?


Pastor Wildo - Jamais! Costumo dizer que Deus me enganou. Assim como ele disse a Abrão: “sai da sua terra, da sua parentela e vá para a Terra que te mostrarei”, Ele fez comigo, foi mostrando o caminho ao longo da jornada e quando percebi já não dava mais para voltar. Quando ouço alguns cantores ou artistas de sucesso dizendo que fariam tudo novamente, sempre me pergunto: “Será que realmente ele faria?”. Você recebe muita cobrança, pouco apoio e quase nenhum auxílio.


Vander Lúcio Barbosa - Que mensagem o senhor deixaria pra aqueles que, mesmo vocacionados para a lida assistencial, voluntária, não se sentem motivados para dar aquele “pontapé”, o primeiro passo?


Pastor Wildo - Não inicie nada, a não ser que você tenha absoluta certeza de que Deus está te empurrando para realizar algo em Seu nome. Minha sugestão é: tente encontrar alguma organização séria, transparente, que esteja fazendo algo significativo e se junte a este grupo.


Vander Lúcio Barbosa - Ao correr pela sua memória o filme de toda a história da Missão Vida, qual imagem mereceria o replay? Que fato marcou positivamente essa relação entre cria e criador?


Pastor Wildo - São muitas as imagens, mas uma delas está bem fresquinha: há poucas semanas acordei de madrugada muito preocupado com a situação da Missão Vida em Manaus, onde estamos iniciando mais uma unidade. Dobrei meus joelhos, orei a Deus e o sentimento que vinha ao meu coração era de que eu seria envergonhado não conseguindo concluir as obras no Amazonas. Naquela mesma manhã fui à Missão Vida em Cocalzinho e lá encontrei uma pastora que havia ido buscar um ex-interno que tinha passado pelo programa de recuperação. De forma despretensiosa, eu disse a ela: por favor, quando a senhora estiver orando, me inclua em suas orações. Ela me disse: “Vamos orar agora!”. Falando em línguas ela me entregou um “recado” dizendo: “Porventura eu tenho te abandonado? Nestes anos todos você iniciou algo que não tenha terminado? Aquele que te mandou para Manaus vai te dar todos os meios para que as obras sejam concluídas”. Cerca de três dias depois eu pregava em Goiânia, quando reencontrei uma senhora que há cerca de 20 anos eu não via. Ela me procurou dizendo que Deus havia falado ao coração dela para fazer uma oferta especial para Manaus. O valor era exatamente o que tínhamos estabelecido como meta mensal de investimentos nas obras. Um mês depois, recebi a ligação de um amigo querido de Belo Horizonte dizendo que estava extremamente preocupado comigo e me falou que faria uma oferta e o valor era exatamente o que precisaríamos no mês seguinte. Por isso e por tudo o que já experimentei do Senhor, posso dizer com plena e irrestrita convicção: Deus é bom, Deus é muito bom, Deus é bom demais!

Autor(a): Vander Lúcio Barbosa

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