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O fim da era Mirage. Brasil opta pelo supersônico Gripen

Geral Comentários 22 de dezembro de 2013

Depois de quase 10 anos de indefinições, finalmente, Governo Federal faz escolha de supersônico para reequipar frota da Força Aérea


Acabou o impasse. A Presidente Dilma Rousseff bateu o martelo do projeto FX-2, nova versão do Projeto FX, criado há cerca de 10 anos, com o objetivo de renovar a frota de aviação de caça da Força Aérea Brasileira, o que inclui do 1º Grupo de Defesa Aérea, instalado na Base de Anápolis. O Gripen NG, fabricado pela empresa sueca Saab, é a nova aeronave de caça da FAB, resultado de um negócio de US$ 4,5 bilhões, que envolve a compra de 36 aeronaves e transferência de tecnologia, visando a nacionalização de parte da produção.
O Projeto FX2 tinha três fortes concorrentes internacionais: a Dassault (França), fabricante do Rafale (uma versão mais moderna do Mirage); a Saab-BAE (Suécia), fabricante do Gripen NG e a americana Boeing, fabricante do F-18 E/ F Super Hornet. E, também, a Rússia estaria correndo por fora com a Sukhoi, que fabrica vários modelos de caças aéreos.
O anúncio sobre a compra dos caças suecos ocorreu na última quarta-feira, 18, em conjunto pelo ministro da Defesa, Celso Amorim e o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito. Foi confirmado, na coletiva de imprensa, que os Mirage serão, mesmo, aposentados agora no fim de dezembro. A assinatura do contrato com a empresa sueca deve levar em torno de 8 a 12 meses, segundo o ministro Celso Amorim. A partir de então, estima-se que em 48 meses a FAB já disponha dos primeiros aviões.
O comandante da Base Aérea de Anápolis, Coronel Aviador Sérgio Rodrigues Pereira Bastos disse ao CONTEXTO, ter recebido “com muita alegria” o anúncio da compra das novas aeronaves. Ele disse ter sido informado quando a Presidente Dilma Rousseff tomou a decisão e, logo depois, acompanhou o anúncio oficial feito pelo ministro Amorim e pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito.
Nesta sexta-feira, 20, adiantou o Coronel Sérgio Bastos, haverá um ato militar para marcar o fechamento do ciclo de 40 anos dos caças Mirage na BAAN, que começou de 1972 a 2005 com a primeira geração, os Mirage 3 e, de 2006 a 2013, com o F-2000. “É um marco importante não só para Anápolis, mas para a Força Aérea e para o Brasil”, disse. Ainda na sexta-feira, com a presença de dezenas de autoridades da Aeronáutica, será realizada a passagem de comando do 1º GDA. O Major Cláudio Oliveira Marques, atual oficial de operação da unidade, assumirá o comando, no lugar do Tenente Coronel Aviador Eric Breviglieri que, este ano, completou 1.000 horas de voo no Mirage 2000.

Mobilização
A desativação da frota dos Mirage vinha causando grande apreensão em Anápolis, devido à possibilidade de desativação do 1º GDA. Várias entidades, lideradas pelo Juiz de Direito Carlos Limongi Sterse, formaram um grupo de mobilização, do qual fez parte o CONTEXTO, para sensibilizar a população sobre a importância da manutenção e de novos investimentos na Base Aérea e, sobretudo, com o objetivo de sensibilizar a Presidente Dilma Rousseff a bater o martelo na compra dos novos caças, pelo programa FX-2. Foram realizadas diversas reuniões e uma audiência pública, onde foi aprovada a Carta de Anápolis, demonstrando a preocupação do Município com os rumos da BAAN.

O novo caça
O Gripen NG, da empresa sueca SAAB, é um modelo supersônico monomotor projetado para emprego em missões ar-ar, ar-mar e ar-solo, sob quaisquer condições meteorológicas.
A versão brasileira, a ser desenvolvida em parceria com empresas locais, a partir do projeto original destinado à Força Aérea da Suécia, contará com modernos sistemas embarcados, radar de última geração e capacidade para empregar armamentos de fabricação nacional.
Dotada de um sistema de reabastecimento em voo, a aeronave será capaz de defender o espaço aéreo nos pontos mais remotos do Brasil. Tais características, aliadas ao desempenho da aeronave, possibilitarão um expressivo ganho na capacidade operacional da FAB. (Com informações da Agência Força Aérea)


NOTA OFICIAL
Um dia histórico para a Força Aérea Brasileira.

Por meio do Programa F-X2, o Governo Brasileiro confirmou a aquisição do avião militar supersônico GRIPEN-NG, caça de última geração que atenderá às necessidades operacionais da FAB para os próximos 30 anos e que faz parte do Programa de Articulação e Equipamento da Defesa, da Estratégia Nacional de Defesa, com vistas à defesa da Pátria.
Durante todo o processo de seleção, cujos estudos preliminares remontam ao ano de 1992, o Comando da Aeronáutica (COMAER) sempre se pautou pela busca do melhor conhecimento dos aspectos técnicos, operacionais e logísticos atinentes às aeronaves participantes da escolha.
A nova aeronave multimissão foi projetada para controle do ar, defesa aérea, reconhecimento aéreo, ataques ar-solo e ar-mar. Dentre os requisitos apontados pela FAB, destaca-se a tecnologia de ponta, com avançado sistema de sensores e fusão de dados, características que proporcionam ao piloto um quadro completo e preciso do cenário de emprego.
Para se ter uma ideia do poder de combate desse novo caça, basta dizer que ele permitirá à FAB enfrentar ameaças em qualquer ponto do território nacional com carga plena de armas e combustível. A aquisição do GRIPEN-NG proporcionará ao País exponencial poder dissuasório, que resultará na garantia da soberania do Brasil.
A notícia se reveste de relevância porque o conjunto de conhecimentos e capacitação tecnológicos contemplados nessa aquisição contribuirá para que a indústria de defesa nacional se capacite para produzir caças de quinta geração em um projeto de médio e longo prazos.
A necessidade de reequipar a Força Aérea com uma aeronave de defesa e superioridade aérea compatível com a destinação e importância geopolítica do País configurou-se, definitivamente, no ano 2000, com a denominação Projeto F-X, fruto dos estudos iniciados em 1992, quando a FAB delineou os primeiros requisitos das aeronaves que deveriam substituir os F-103 MIRAGE III, operados, na Base Aérea de Anápolis, em Goiás, desde o início da década de 70.

Em agosto de 2001, o Comando da Aeronáutica iniciou a seleção das empresas ofertantes de equipamentos compatíveis com os requisitos então definidos. No final do mesmo ano foram selecionadas as seguintes aeronaves, apresentadas por ordem alfabética: GRIPEN, F-16, MIG-29, MIRAGE 2000 e SUKOI 30.
No início do ano de 2003, o processo foi suspenso pelo Governo Federal, tendo sido retomado em 1º de outubro do mesmo ano. À época, os participantes reexaminaram suas propostas com a finalidade de apresentar as atualizações julgadas pertinentes.
Em 31 de dezembro de 2004, com o término dos prazos válidos das propostas, sem ter ocorrido a escolha de uma aeronave, o Governo decidiu preencher a lacuna decorrente da desativação dos F-103 MIRAGE III, que ocorreria em 2005, com a compra de 12 Mirage 2000-C usados, fabricados na década de 80 e oriundos da Força Aérea Francesa. Na FAB, recebeu a designação de F-2000. É operado desde 2006 pelo Primeiro Grupo de Defesa Aérea, na Base Aérea de Anápolis, tendo sua desativação prevista para 31 de dezembro deste ano de 2013.
Em 2007, o Estado-Maior da Aeronáutica reiniciou os estudos sobre as necessidades operacionais e características concernentes ao novo avião de caça multiemprego que deveria reequipar a FAB e, em 15 de maio de 2008, instituiu a Comissão Gerencial do Projeto F-X2, com o objetivo de conduzir os processos dessa aquisição, por meio de escolha direta, em consonância com os preceitos da Lei nº. 8.666, visando à seleção da proposta mais vantajosa para o País.
A aeronave escolhida precisaria oferecer condições para atender ao cronograma de desativação de aeronaves de combate da FAB, bem como dotar a Instituição de uma frota padronizada de aviões de caça de multiemprego, porquanto os Mirage 2000-C têm sua desativação prevista para 2013, os F-5EM deixarão de operar a partir de 2025, enquanto que o A-1M deverá ser desativado a partir de 2023.
Assim, inicialmente, seis empresas com seus respectivos produtos foram pré-selecionadas: as norte-americanas BOEING (F-18 E/F SUPERHORNET) e LOCKHEED MARTIN (F-16), a francesa DASSAULT (RAFALE), a russa ROSOBORONEXPORT (SUKHOI SU-35), a sueca SAAB (GRIPEN NG) e o consórcio europeu EUROFIGHTER (TYPHOON).
No final de 2008, considerando os aspectos referentes às áreas operacional, logística, técnica, de compensação comercial (offset) e transferência de tecnologia para a indústria nacional, foram selecionadas três aeronaves para compor uma “short-list” ou lista reduzida para prosseguir no certame, aqui apresentando-se em ordem alfabética: BOEING (F-18 E/F SUPERHORNET), DASSAULT (RAFALE) e SAAB (GRIPEN NG).
Em 02 de outubro de 2009 os três ofertantes encaminharam suas melhores propostas. Em 05 de janeiro de 2010, o Comando da Aeronáutica remeteu ao Ministério da Defesa o Relatório Final do Projeto F-X2, instrumento de assessoria à decisão do Governo Federal.
As análises prosseguiram e, hoje, 18 de dezembro de 2013, a Presidenta da República anunciou a decisão de adquirir as aeronaves GRIPEN-NG, da empresa SAAB-AB, representando investimentos da ordem de US$ 4,5 bilhões, em um cronograma que se estenderá até 2023.
A oferta vencedora engloba o fornecimento de 36 (trinta e seis) aeronaves, logística inicial, treinamento, simuladores de voo e projetos de transferência de tecnologia e cooperação industrial.
A próxima fase do processo consiste nas negociações para a materialização dos contratos de fornecimento de bens, de serviços e os acordos de compensação.

Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno
Chefe do CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA
Brasília, 18 de dezembro de 2013.

Autor(a): Claudius Brito

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