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O drama das UTIs pediátricas

Saúde Comentários 05 de abril de 2013

O funcionamento de, apenas, uma UTI para crianças numa cidade de quase 400 mil habitantes assusta a comunidade e requer providências urgentes


O Centro de Terapia Intensiva (CTI) Pediátrico do Hospital Evangélico Goiano é, atualmente, o único de Anápolis no segmento em operação, desde que a Santa Casa de Misericórdia fechou o seu centro, por causa da insuficiência de recursos financeiros para o pagamento de médicos. O mesmo aconteceu em relação ao Hospital de Urgências “Doutor Henrique Santillo”. A unidade que conta com, apenas, oito leitos, sendo que o mínimo, de acordo com a coordenadora do CTI, a médica Gina Tronconi, seriam 20, atende não apenas ao município de Anápolis, mas às cidades vizinhas. Segundo a coordenadora, a situação está caótica por que faltam médicos, que se recusam a trabalhar por um salário, como caracteriza a médica, absurdamente baixo. “Se não houver uma cooperação do poder público no aumento do pagamento que está irrisório, além de melhores condições de trabalho, a situação não irá melhorar”, declara. Por causa desses motivos, os médicos estão migrando para Brasília, onde há um melhor salário, bem como melhores condições de trabalho.
Sem atendimento
Os atendimentos não ocorrem, seja para pacientes do SUS, de convênios ou particulares. Mesmo que estes tenham dinheiro, as internações na unidade não acontecem por falta de estrutura. “Na última semana passamos o maior sufoco por que havia seis pedidos de vaga para pacientes graves no CTI e não tínhamos mais nenhuma vaga”, diz a médica. Ela explica que, para aumentar o número de leitos, é necessário aumentar o salário dos profissionais para que eles queiram trabalhar no local. “Em média, um médico que atua no CTI, recebe R$ 2.500 por mês, o que é pouco diante da complexidade do trabalho”, explica. A médica não transfere toda a culpa ao Município, uma vez que existe uma grande despesa, arcada por ele, com medicamentos, pagamentos de funcionários, etc. “Tem um medicamento que usamos em prematuros cujo frasco custa, em média R$ 1.500 e, a diária do SUS é de R$ 478, levando em consideração que recebemos muitos prematuros e gastamos essa medicação em grande escala. Imagine a defasagem financeira que ocorre”, ressalta. Pela falta de condições em atender a população o CTI, que funciona com dificuldade, corre o risco de ser fechado. “Chegamos ao ponto de até deixar a desejar em relação à nossa questão ética, dando o famoso jeitinho brasileiro. Trazendo um bercinho a mais para a unidade e empurrando outro para não deixar de dar assistência aos pequenos pacientes”, lamenta.
A coordenadora diz não entender o que faz com que as pessoas que estão à frente dos assuntos relacionados à saúde municipal vejam o CTI Pediátrico como fonte de prejuízos.
Na opinião dela, os governos municipal e estadual devem dialogar urgentemente com os hospitais para tentar resolver o problema, “pois enquanto isso não ocorre, crianças estão morrendo por falta de vagas no CTI”, concluiu.
Justificativas
A administração da Santa Casa de Misericórdia de Anápolis informou ao CONTEXTO que está buscando recursos junto às secretarias estadual e municipal de saúde, e a Curadoria e Promotoria das Associações e Fundações de saúde do município, para reabrir a UTI pediátrica do hospital, que foi desativada causa da insuficiência de recursos financeiros para pagar os médicos. A reabertura da unidade irá descentralizar o atendimento que atualmente ocorre somente no Hospital Evangélico, aliviando a sobrecarga que acontece.
Esta semana aconteceu uma reunião entre os representantes da Santa Casa; Secretaria Estadual da Saúde; Hospital Evangélico, Secretaria Municipal de Saúde e Ministério Público, sob a coordenação do Promotor Marcelo Henrique dos Santos, curador da área, quando o assunto foi exaustivamente debatido e algumas soluções foram encaminhadas. Dentre elas, o compromisso de que o Governo do Estado e a Prefeitura de Anápolis, através d suas respectivas secretarias de saúde, fariam um aporte na ordem de R$ 129 mil mensais para fazer face às despesas com as duas UTIs pediátricas.

Autor(a): Carol Evangelista

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