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Número de partidos pode dobrar no Brasil

Geral Comentários 15 de fevereiro de 2013

Dirigentes partidários apressam-se na cooptação de políticos em todos os níveis com vistas à criação de novas propostas eleitorais já para as eleições de 2014


Se o povo brasileiro já acha que o País tem partidos políticos em demasia, surge uma notícia que vai aumentar a polêmica. Vêm aí, novas agremiações partidárias. O número de partidos políticos a disputarem as eleições no Brasil poderá dobrar nos próximos anos se todos os grupos que estão mobilizados para criar novas siglas tiverem sucesso.
De acordo com os levantamentos oficiais, existem, hoje, 30 partidos no Brasil e, pelo menos, outros 31 em gestação, incluindo o novo partido da ex-senadora Marina Silva, agrupamentos de extrema esquerda e até uma sigla monarquista. A maioria desses grupos começou a se organizar depois de 2007, quando uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral passou a ameaçar os políticos que mudam de partido com a perda de seus mandatos. A legislação permite que políticos troquem de camisa se for para criar um novo partido, e desde então três siglas foram criadas - o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab e os nanicos PPL e PEN.
A exemplo do partido criado pelo ex-prefeito de São Paulo, que nasceu de uma ala dissidente do Democratas, alguns dos novos partidos tentam atrair políticos insatisfeitos que temem ficar sem espaço nas legendas tradicionais nas próximas eleições, em 2014, quando serão eleitos o Presidente da República, um senador por estado e renovadas as bancadas de deputados federais e deputados estaduais.
É, o caso, por exemplo, do PROS - Partido Republicano da Ordem Social -, cujo presidente, Eurípedes Júnior (Eurípedes Gomes de Macedo Júnior. Ele se candidatou a deputado estadual por Goiás em 2010, obtendo três mil e 93 votos) alardeia que está mantendo sucessivos contatos com parlamentares de diferentes siglas, tentando convencê-los a se abrigarem na nova agremiação partidária. Ele assegura que o PROS vai ser um partido forte em nível nacional e diz ter como bandeira a redução dos impostos. Eurípedes Júnior afirma contar com 400 mil das 500 mil assinaturas exigidas para registro de novas siglas e espera obter, até junho deste ano, o registro definitivo do TSE.
Por outro lado, o presidente do PEC - Partido da Educação e Cidadania -, Ricardo Holz, (ex-PMDB e suplente de vereador em São Paulo) também, diz que foi procurado por deputados federais. "Disseram claramente que queriam uma legenda para facilitar a eleição em 2014", afirmou. O prazo para registro dos partidos que poderão participar das eleições de 2014 termina em outubro. Mesmo sem representação no Congresso, as novas legendas ganham acesso aos recursos do Fundo Partidário.
Novas legendas
Formado por verbas do Orçamento da União, o fundo distribuiu R$ 350 milhões no ano passado. A sigla que menor fatia recebeu foi o recém-criado PPL - Partido Pátria Livre -, que teve R$ 605 mil. Alguns dirigentes reclamam da competição. O presidente do PF - Partido Federalista -, Thomas Korontai (paulista de origem húngara, radicado em Curitiba). Ele é o fundador e presidente do Instituto Federalista que disse ter perdido militantes que já haviam conseguido um número razoável de assinaturas. "Contavam com uma liderança, colheram assinaturas e foram cooptados por outros políticos locais", disse. Ele já tem registro em dois estados, mas faltam sete para ir ao TSE. Das 31 legendas hoje em gestação, oito começaram a se organizar após a criação do partido de Kassab, único dos agrupamentos nascidos nos últimos anos com força para influir no jogo político. O PSD, cujo registro foi aprovado em 2011, controla a quarta maior bancada da Câmara dos Deputados e absorveu recursos do Fundo Partidário e tempo de propaganda na televisão que pertenciam ao DEM e a outra siglas.
Declaração do presidente do PEN - Partido Ecológico Nacional -, Adilson Barroso (ex-deputado estadual de São Paulo pelo PSC), dá conta de que seu telefone não para de tocar, com políticos interessados em se filiarem antes das próximas eleições. A sigla tem, atualmente, apenas um deputado federal, e Barroso diz que gostaria de convencer Marina Silva a disputar a eleição presidencial pelo partido. "O nosso foco é sustentabilidade", disse. Marina, que não aceitou o convite, deve iniciar, no próximo dia 16, o processo de formação de sua nova sigla. Mas, para o presidente do PEN, ela não terá como atingir seu objetivo a tempo de participar das eleições de 2014.

Autor(a): Claudius Brito

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