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Notas da Coluna Boa Prosa - Ed. 270

Boa Prosa Comentários 24 de junho de 2010

Notas Gerais


Madureza e Mobral
Durante o período conhecido como Ditadura Militar (generais do Exército na Presidência da República), dois fatos marcantes ficaram registrados na história da Educação Brasileira. O Exame de Madureza Ginasial e o Mobral. Acontece que os movimentos populares que, até então, dominavam a sociedade reivindicando os direitos humanos, foram contidos e extintos, incluindo os educacionais. Isso ocorreu num contexto em que o Brasil estava se transformando rapidamente, de um país agrário para um país industrial, de um país rural para um país urbano. A população crescia e a demanda por escolarização aumentava. O Exame de Madureza permitia que pessoas sem frequentarem regularmente a escola, conseguissem o diploma do Ginásio, ou Segundo Grau, fazendo provas em períodos pré-estabelecidos. Entretanto, durante esse processo, pessoas inescrupulosas começaram a se aproveitar disso: organizavam excursões para a realização das provas em diferentes locais. Era possível, por exemplo, fazer a prova de matemática no Espírito Santo, a de português no Mato Grosso e, em seis meses, conseguir um certificado do ensino médio ou fundamental. Nesse período, Anápolis, recebia caravanas e caravanas, principalmente de Brasília, devido à proximidade, com pessoas buscando os certificados de conclusão para ingressarem, principalmente, no Serviço Público Federal.
Já, em 1967, com a Lei 5379 foi instituído o Movimento Brasileiro de Alfabetização - Mobral - que propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, visando "conduzir a pessoa humana (sic) a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la a sua comunidade, permitindo melhores condições de vida". Este movimento, mantido pelo Governo Federal durante a Ditadura Militar, visava instrumentalizar o cidadão e torná-lo capaz de exercer sua cidadania. No entanto, o Mobral se limitou a alfabetizar de maneira funcional, não oferecendo uma formação mais abrangente.

Amarelinhos
E os agentes de trânsito, quem diria. Em que pese a legitimidade de suas funções, instituídas por lei, eles ainda não caíram na graça do povo. Há reclamações quanto à postura de alguns deles que se julgam verdadeiros policiais, o que, na verdade, não são. Está na hora de um ajuste. O trabalho que eles desenvolvem é importante e necessário. Todavia, tudo deve ser feito com moderação.

O poço do coronel
Pioneiro de Anápolis, Francisco Silvério de Faria, o Coronel Chico Silvério, patriarca de uma das mais ilustres famílias da região, era conhecido, principalmente, pela respeitabilidade e pela autoridade que impunha. Foi ele, o construtor da primeira casa de alvenaria na Cidade, dentre outros avanços. Pai de personalidades como Anapolino; Arnauld, Armante, e João, dentre outros, o Coronel Chico Silvério era uma espécie de unanimidade entre os moradores do

Município.
Acontece que, na década de 30, com a chegada da estrada de ferro, a região onde ele morava começou a ser povoada por famílias que vinham trabalhar nas obras da ferrovia. E, era no córrego “João Cesário” que cortava as terras do Coronel, que as mulheres iam lavar as roupas, com a sua permissão. Certa vez, entretanto, um grupo de senhoras procurou o Coronel Chico Silvério para uma reclamação. É que alguns de seus filhos, acompanhados de colegas, já “rapazinhos”, estavam tomando banho nus, próximo ao poço onde eram lavadas as roupas. Uma das mulheres, de nome Josefa, disse ao Coronel que sabia que a propriedade era dele, que os filhos dele tinham todo o direito de usar o córrego, mas que elas não tinham outro lugar para lavar as roupas e se achavam constrangidas em ver os adolescentes sem roupa.
Resposta do Coronel: “Dona Josefa, pode ter a certeza. De hoje em diante, nenhum menino, seja filho meu, ou não, vai atrapalhar vocês”.
Ninguém jamais soube que tipo de argumento, ou providência, ele tomou. O certo é que, de fato, nunca mais se viu qualquer menino tomando banho pelado, pelo menos naquele poço, ou nas proximidades dele. Esse era o Coronel Chico Silvério.

Novo filão
O plantio de eucalipto, para fins comerciais (lenha para caldeiras, siderúrgicas e outros tipos de fornos) está se tornando uma generosa fonte de rendas para muitos proprietários rurais da região de Anápolis. Com a vigilância exercida contra o desmatamento, o cultivo dessa planta, de origem australiana, vem caindo no agrado dos goianos. O eucalipto chegou ao Brasil no começo dos anos 1900 objetivando servir como combustível para as locomotivas da estrada de ferro. Depois, na década de 60, passou a ser uma boa alternativa para papel celulose e fornos em geral.

Puxão de orelhas
Continua rendendo a história de um homem que procurou o Hospital Municipal no dia 4 de junho e, depois de esperar por mais de cinco horas, teve um diagnóstico como “dor de coluna”, quando, na verdade, estava enfartado, o que se constatou em exame posterior no Hospital de Urgências. Certamente que esse não é um caso pontual e que é recorrente em praticamente todas as cidades brasileiras: a falência do serviço público de saúde. Por este, e outros casos, é que se torna, cada vez mais latente, a necessidade de se discutir os rumos do atendimento de saúde no Brasil e, por extensão, em Anápolis.
As explicações dos governos de que em outras administrações era pior, que muito já se fez, que as providências estão sendo tomadas, certamente não servem de consolo para quem vive, e sofre, com a falta de atendimento. Gente que perdeu entes queridos por não conseguir assistência. As pessoas não querem ouvir explicações ou justificativas. As pessoas querem providências. Afinal de contas, todos os brasileiros, em maior, ou menor intensidade, pagam por isso. A situação, hoje, em nível de Brasil, é insuportável. E insustentável.

A coleta
Em algumas cidades brasileiras está inviável a coleta de resíduos sólidos (lixo urbano) durante o horário comercial. Problemas relacionados á fluidez do trânsito. Com isso, os garis e coletores trabalham à noite. Em Anápolis esta providência vem sendo adotada, há algum tempo, em diversos setores. O que está faltando para um serviço de melhor qualidade é a sintonia entre o atendimento e a comunidade. Muita gente deixa para colocar o lixo na porta depois que o caminhão coletor já passou. É preciso que a população, também, auxilie. Esta é a verdade.

Primeira sessão
Nos anos 60 e 70, a coisa mais chique que existia em Anápolis era assistir à primeira sessão de cinema, domingo, no Cine Vera Cruz (Rua Sete de Setembro). As exibições ocorriam às sete da noite, com a presença das beldades da época. O cinema ficava lotado.

Antigões
Parte da sinalização de trânsito no centro de Anápolis data mais de 40 anos. Os “sinaleiros” foram instalados no final da década de 60 e início da década de 70. Agora, a Prefeitura está implantando uma moderna sinalização e os velhos “faróis” devem ser aposentados. Um dos responsáveis por manter tais equipamentos funcionando por tanto tempo é Natal Francisco Bento, mais conhecido por Nana.

Autor(a): Nilton Pereira

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