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Norte-Sul: Indefinição no modelo operacional frustrou expectativas da indústria e agronegócio

Geral Comentários 15 de abril de 2016

Opinião é do superintendente do Porto Seco, para quem o governo não tem credibilidade para atrair investidores, além de transmitir insegurança jurídica neste momento de crise


A decisão do juiz Bruno Anderson, da 3ª Vara da Justiça Federal de Brasília, determinando a citação da presidente Dilma Rousseff para que sejam adotadas providências para que o trecho da Ferrovia Norte-Sul, entre Anápolis e Palmas comece a operar regularmente não terá nenhum efeito prático. A opinião é do superintendente do Porto Seco Centro Oeste, Edson Tavares, para quem o funcionamento da Ferrovia não depende mais da vontade exclusiva do Governo Federal.
Numa tentativa de forçar o Governo a acelerar o processo e definir um modelo de operação desse trecho da citada ferrovia, a Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente) moveu ação civil pública de mais de R$ 200 bilhões contra o Governo, um dinheiro que a ação proposta pela entidade quer que seja depositado em um fundo específico com capacidade de reacender o setor ferroviário .
Nesta ação, a Justiça Federal de Brasília autorizou uma inspeção federal no trecho, inaugurado há quase dois anos, mas até hoje sem funcionar regularmente. A FerroFrente quer que o Ministério Público Federal coloque um fim no que qualifica de desperdício de dinheiro investido na construção do trecho entre Anápolis e Palmas e que o governo seja obrigado a adotar providências para que ele comece a funcionar com regularidade o mais rápido possível.
Apesar do empenho da FerroForte., Edson Tavares acredita que a única providência que o Governo poderia adotar é acelerar o processo e definir um modelo de operação. “Mesmo assim, dificilmente esta providência será adotada”, acrescentou o superintendente do Porto Seco justificando que falta credibilidade ao Governo para adotar qualquer providência, em razão das crises financeira e política que ele enfrenta.
Falta credibilidade
Para Edson Tavares, o que tinha que ser feito, o Governo já fez e para a Ferrovia começar a operar com regularidade, os investimentos adicionais no trecho entre Anápolis e Palmas, a maioria de altos valores, terão que ser feitos pela iniciativa privada. “Ocorre, no entanto, que a falta de credibilidade da Presidente Dilma Rousseff não dá nenhuma garantia ao setor privado para assinar um contrato com este Governo que aí está”, disse o executivo, para quem o empresariado prefere aguardar a crise político/econômica passar para, só depois, investir neste projeto.
Enquanto isso não ocorre, o superintendente do Porto Seco acha que será mantido o modelo precário de operação escolhido pelo Governo e que deu à Valec o direito de vender toneladas de cargas para as empresas, hoje operado pela Companhia Vale do Rio Doce. Segundo Edson Tavares, o Governo não tem know-how para vender ou comprar cargas e nem flexibilidade para oferta e procura.
E, acrescentou que, embora o Governo se considere conhecedor do sistema operacional ferroviário, seus métodos estão defasados há mais de 30 anos, um período, segundo ele, em que se criaram várias alternativas de transporte de cargas, com pesados investimento na produção de modernos caminhões e carretas, voltados para o transporte rodoviário. “Hoje, o Brasil se tornou um país com estrutura direcionada a este setor”, avalia o superintendente.
Sem precisar percentuais, Edson Tavares afirmou que, hoje, o custo do transporte ferroviário é bem maior do que o rodoviário porque as indústrias do setor ampliaram sua capacidade de transporte por eixos, colocando nas estradas do País, poderosas carretas bitrens e rodotrens, que operam em um sistema radial e favorece os deslocamentos de um estado para outro.
Para ele, a indefinição no modelo de operação ferroviário afasta grupos nacionais que teriam interesse em tocar projetos no setor, uma situação que se agrava com a insegurança jurídica que o Brasil transmite neste momento de crise. Além disso, afirmou que faltam crédito e linhas de financiamento para que os potenciais investidores toquem seus projetos ferroviários, segundo Edson Tavares, de custo operacional e de manutenção muito altos. “Neste momento, o trecho da Norte-Sul entre Anápolis e Palmas se tornou uma grande frustração para a indústria e o agronegócio por causa da indefinição no seu modelo de operação”, concluiu.

Autor(a): Ferreira Cunha

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