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Número homicídios este ano deverá ultrapassar o recorde de 2013

Polícia Comentários 25 de novembro de 2016

Naquele ano ocorreram 180 homicídios em Anápolis, número que foi reduzido para 148 em 2014 e para 134 em 2015. Este ano, já são 167


Faltando pouco mais de um mês para o ano terminar, o número de homicídios em Anápolis poderá superar o recorde de 180 mortes violentas ocorridas em 2013, caso seja mantida a média mensal de pouco mais de 16 registros ocorridos de janeiro a novembro deste ano. De acordo com uma estatística do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) da Polícia Civil, do início do ano até o último dia 23 de novembro foram registrados 167 homicídios no Município, sendo 13 em janeiro, 14 em fevereiro, 21 em março, 14 em abril, 14 em maio, 20 em junho, 15 em julho, 10 em agosto, 11 em setembro, 19 em outubro e 16 em novembro, número que pode ser aumentado, caso ocorram novos registros até o último dia do mês.
“Infelizmente estamos caminhando para superar o recorde de homicídios ocorridos em 2013”, lamentou o delegado adjunto da Delegacia de Homicídios, Wander Coelho, lembrando que depois do recorde de 180 homicídios naquele ano, esta especializada, com o aumento do seu efetivo e a criação de três delegacias de homicídios conseguiu reduzir este tipo de ocorrência em 20% em 2014 e em 11% em 2015. Apesar de lamentar e de se sentir preocupado com o aumento do número de homicídios, Wander Coelho revelou que vem crescendo o índice de elucidação desse tipo de crime.
Ele reconhece que as investigações da maioria dos crimes de homicídio são demoradas, mas garante que mesmo assim o número de inquéritos concluídos e encaminhados ao Judiciário é hoje próximo de 50%, segundo o delegado adjunto, um índice bem superior à média nacional de 8%. Wander Coelho atribui às drogas a maior causa do aumento de homicídios, acompanhando uma tendência que ocorre em todo o País.
“A disputa por território e por pontos de distribuição e tráfico de drogas é fator determinante para o aumento do número de homicídios”, garante o delegado adjunto revelando que mais de 80% das ocorrências de mortes violentas têm envolvimento com o tráfico e uso de drogas. “São pessoas inseridas nesse meio, dotadas de instrumentos para a prática desse tipo de delito”, acrescentou Wander Coelho lembrando que a quase totalidade das pessoas envolvidas possui arma de fogo ou arma branca, segundo ele, dois instrumentos que motivam as pessoas a matarem.

Oportunidade
Ele afirmou que de posse de uma arma, pessoas envolvidas com o tráfico de drogas aguardam apenas uma oportunidade para matar seus desafetos. “No mundo das drogas, tudo se resolve com a morte”, disse o delegado adjunto lamentando o que qualifica de “lentidão” do Judiciário no julgamento e penalização de quem pratica este tipo de crime. Por conta disso, ele afirmou que a maioria dos potenciais criminosos se apega na crença da impunidade, voltando a praticar os mesmos crimes que provocaram suas prisões.
Wander Coelho ponderou, no entanto, que o Judiciário, como também a polícia civil, tem uma carga de trabalho muito alta e deficiência de pessoal, o que dificulta a agilização do julgamento dos inquéritos encaminhados para julgamento. Ele considera complicado e levanta dúvidas sobre os efeitos práticos do trabalho de prevenção de homicídios, lembrando que estes crimes ocorrem em horas e momentos inesperados. “Alguns homicídios são de difícil prevenção”, disse o delegado adjunto explicando que na disputa por pontos de droga, as pessoas inseridas nesse meio são promíscuas e não aceitam mediação.
“Tudo se resolve é na bala” acrescentou Wander Coelho citando como referência um homicídio ocorrido recentemente em um bairro da periferia de Anápolis, quando um menor de apenas 13 anos assassinou um homem de 34 por causa de uma dívida de drogas de apena R$ 10,00. Ele acha também que a legislação é falha, que existem hoje muitas possibilidades de recursos e que se os criminosos ficassem mais tempo presos eles pensariam duas vezes antes cometerem novos crimes, depois de serem soltos.
De acordo com o delegado adjunto, quando os criminosos sofrem reprimenda pelos seus atos há uma queda no número de homicídios. “A permanência na prisão tem um efeito prático muito positivo em relação aos crimes de homicídio e tráfico de drogas”, disse Wander Coelho defendendo maior rigor na legislação, celeridade nos julgamento e reprimenda aos criminosos. Segundo ele, uma das maiores influências para o aumento da criminalidade é a desestruturação familiar, a falta de políticas públicas eficientes para ocupar o tempo jovens e adolescentes, o afastamento dos estudos e a referência que muitos jovens tem com malandros que andam armados, em bons carros e com dinheiro no bolso. “Para muitos jovens, hoje a referência são os malandros e não os mocinhos” , concluiu.

Autor(a): Ferreira Cunha

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