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Na década de 80, Anápolis ganha sua primeira emissora de televisão

Especial Comentários 05 de setembro de 2014

Jornal Contexto continua série de reportagens sobre a história do jornalismo na cidade. Foram entrevistados o primeiro diretor de Jornalismo e o primeiro repórter da televisão anapolina, Nilton Pereira e Eurípedes Cândido


Era o final da década de 70 em Anápolis. Havia, por aqui, jornais impressos, emissoras de rádios, mas a televisão ainda não tinha conquistado todo o espaço que merecia. Sem uma emissora de tevê, o município se contentava com uma programação que não atendia, por completo, ao público da Cidade. “No fim da década de 70, tinha aqui repetidoras da TV Anhanguera (com sede em Goiânia) e da TV Brasília. Foram praticamente as duas pioneiras”, explica o jornalista Nilton Pereira, que foi, na década de 80, o primeiro diretor de jornalismo da TV Tocantins.
Com o passar do tempo, Anápolis passou a ganhar mais espaço no noticiário goiano, com produções locais sendo veiculadas regionalmente. “No final da década de 70, a TV Anhanguera abriu um link para Anápolis”, continuou Nilton Pereira. Ele explicou que o material produzido não era integrante do jornalismo diário, mas fazia parte de um “estoque” de reportagens “frias”. De acordo com o manual de redação da Folha de São Paulo, ‘matéria quente é aquela que contém informações inéditas e que requer publicação imediata. Matéria fria é aquela que não requer publicação imediata’.
Ele rememorou que, ainda naquela época, “todo dia havia um bloco de 5 a 6 minutos (sobre Anápolis, na TV Anhanguera) no começo da noite”. Neste período, Nilton Pereira era gerente da sucursal do jornal impresso O Popular no Município e produzia também as matérias televisivas sobre a Cidade que iam ao ar na TV Anhanguera. Conduzidos por Nilton, uma equipe que vinha de Goiânia para Anápolis produzia nos finais de semana o conteúdo a ser veiculado durante os dias seguintes. Com a vinda de grandes indústrias para o município, explica o jornalista, o cenário mudou e a televisão começou a concretizar seu espaço nas terras anapolinas.
O Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) e a implantação de indústrias no local, conforme constatou Nilton Pereira, “tudo isso ajudou a colocar Anápolis na mídia”. Somada a estes fatores está a vinda, na década de 70, da Base Aérea de Anápolis, fato que projetou a cidade local e nacionalmente. Era época do Regime Militar e o Governo promoveu a ampliação do setor de Telecomunicações no país e a liberação de concessões de Rádio e TV. No Brasil, de acordo com a Constituição Federal, o presidente da República é o responsável pelas outorgas de concessões.
O jornalista Nilton Pereira contou que Anápolis foi contemplada com uma destas concessões de televisão na década de 70, que seria gerida pelo grupo formado, dentre outros por Maurity Escobar; Clóvis Guerra e os irmãos Ary e Edson Jacomossi. “Eles eram influentes na política”, explicou. “Esse grupo conseguiu a concessão, mas não tinha recursos para montar uma televisão”, pontuou Nilton, citando que eles não tiveram condições financeiras de continuar com o projeto de implantação de uma emissora em Anápolis, mesmo tendo recebido dois anos de prorrogação da outorga para tentarem engrenar o empreendimento.
Venderam, então, o direito de concessão para Vilmar Guimarães Júnior, filho do ex-deputado federal Vilmar Guimarães. Da mesma maneira, aquele não teve condições financeiras de tocar o projeto e procurou o Grupo Jaime Câmara. E, no começo da década de 80, “nasceu a TV Tocantins”, conforme narrou em tom saudosista Nilton Pereira. “Conseguiram colocar a televisão para funcionar” e “no dia 20 de setembro de 1980 ela começou a funcionar oficialmente”, relata.
“Eu migrei do jornal O Popular para a TV Tocantins”, continuou sobre sua história no jornalismo em Anápolis. “Nós efetivamos o jornalismo a partir desta data”, explicitou. Nilton mencionou o nome dos primeiros diretores da TV Tocantins, que hoje carrega, em Anápolis, o nome de TV Anhanguera Anápolis: gerente comercial, Castro Alves Ribeiro; gerente administrativo, Paulo de Jesus Borges, gerente de programação, Divino Cezar Marinari e gerente de Jornalismo, o próprio Nilton Pereira.
Luiz Carlos Cecílio e Rivaldo Rodrigues foram os primeiros apresentadores e a primeira apresentadora foi Cláudia Leal. O primeiro repórter de rua foi Eurípedes Cândido e a primeira repórter foi Rogéria Batista, conforme informou Nilton Pereira, que hoje é um dos âncoras do Programa Bate Rebate, que vai ao ar todas as manhãs na Rádio São Francisco 670 AM, de Anápolis. Nilton Pereira, que também escreve semanalmente para o Jornal Contexto, atuou na TV Tocantins de 1980 até 1994.
O primeiro repórter
O jornalista Eurípedes Cândido trabalhou como repórter da TV Tocantins durante a época da inauguração e, ao longo da década de 1980, exerceu esta função. Ele foi o primeiro profissional de reportagem televisiva em atividade no município de Anápolis. Hoje possui os registros profissionais de radialista e de jornalista. O trabalho que ele já desempenhava como repórter de rádio na cidade e a experiência no Jornalismo lhe deram condições de trabalho favoráveis na hora de assinar seu contrato na Tocantins: “eu tinha um salário diferenciado”. Sobre o conteúdo veiculado, atestou: “nós tínhamos todo tipo de assunto (no Jornalismo)”, explicou.
A chegada da primeira emissora de televisão é lembrada com entusiasmo por Eurípedes, conhecido no meio jornalístico como Candinho. “Foi muito bom. Para nós aqui de Anápolis a televisão era um encanto”, rememorou. “Era uma grande novidade e tudo o que se fazia lá tinha uma repercussão enorme”, acentuou sobre o papel que este veículo desempenhava junto à comunidade anapolina. Ele lembra um dos pontos fortes dos telejornais produzidos naquela época pela TV Tocantins. “Tinha um espaço local”, destaca, acrescentando: “o nosso jornalismo era grande”.
Ele detalha que hoje falta “espaço para a programação local e uma carreira mais atraente para manter os profissionais”. “A diferença salarial (entre aquela época e hoje) é muito grande”, pontuou Candinho. Para ele, um dos fatores que levaram a este quadro “é a falta de concorrência em Anápolis”. Sobre o excesso de programação que é veiculado sobre Goiânia aqui, ele reclama que “eles (canais de televisão) ficam naquela briga de audiência de Goiânia e bota a gente pra assistir aquilo lá”. “O que nós temos a ver com aquilo de Goiânia?”, questiona.
“Podiam colocar coisas daqui”, continua, lembrando que “naquela época nós tínhamos espaço, gastávamos espaço conosco mesmos”. Luciano Ribeiro, diretor geral da TV Anhanguera Anápolis, nome dado desde 2012 para a antiga TV Tocantins, explicou como é hoje a produção local desta emissora: “hoje transmitimos aproximadamente 21 minutos diários de conteúdo local, fora as inserções de materiais no Bom Dia Goiás, que é de abrangência Estadual”. “Seguimos diretrizes da Rede Globo e Rede Anhanguera no que se refere ao tempo de produção local. Mas, antecipo que existe um projeto de aumentarmos consideravelmente nosso tempo de produção local, só que, no momento, não posso precisar datas”, explica. “Aumentando tempo de produção, abrem-se oportunidades para profissionais da comunicação”, afirmou Luciano.
Ainda discorrendo sobre a história da televisão na Cidade, o jornalista Candinho pontuou que “a única ressalva que havia é que, como era uma filial, os nossos equipamentos não eram os mesmos de Goiânia”. E, assim como ocorre hoje nas redações de telejornalismo, “o repórter podia sugerir pauta. Na verdade, era a editoria que definia as pautas”. “O repórter não tinha autonomia, como não tem hoje, para não fazer esquema (com as fontes das entrevistas), para evitar este tipo de coisa”. Candinho pontuou que reportagens sobre “movimentos sindicais, não se fazia muito não. Havia um zelo com relação a isso”.

Repercussão
De acordo com Eurípedes Cândido, a televisão ganhou força no município, se fortalecendo mais do que o rádio. “A televisão substituiu (o rádio) porque o pessoal do rádio fugiu (para trabalhar em TV). A televisão acabou ocupando mais espaço”, comenta, enfatizando que “ela praticamente tomou conta”, “causou um impacto muito forte”. Ele citou profissionais que trabalhavam no radialismo na Cidade e que passaram a atuar na televisão, como Miguel Squeff e Rivaldo Rodrigues.
Ele explicitou ainda que “Anápolis sempre teve bons profissionais de comunicação”. “Eu dei minha contribuição, continuo dando e muito outros continuam dando”, mencionou. “O que sempre marcou foi que os grandes profissionais de Anápolis sempre foram para fora, para Goiânia. A grande maioria está lá até hoje”, conta sobre seus colegas de profissão. “Eu sou muito provinciano”, explica sobre o fato de continuar atuando em Anápolis. “Se eu tivesse continuado em Goiânia... foi na época que saiu o césio”, abordou, falando sobre o acidente que em 1987 fez centenas de vítimas ao entrarem em contato com o Césio-137.
Candinho relembrou que muitos dos repórteres que cobriram aquele evento tiveram projeção profissional em outros lugares. Ainda sobre a força da televisão, ele pontua: “até hoje tem gente que pergunta se eu estou na TV Tocantins”. Brinca sobre o tempo em que atuou na tevê: “nunca aconteceu aqui do pessoal pedir autógrafo”. Destacou que “a televisão foi consequência” em sua carreira. “Eu era fascinado por rádio. Eu estava em rádio quando surgiu a televisão”, detalhou.
Primeira equipe de TV em Anápolis
Apresentadora
Cláudia Leal
Repórteres
Rogéria Batista
Eurípedes Cândido
Gerente de Jornalismo
Nilton Pereira
Gerente comercial
Castro Alves Ribeiro
Gerente administrativo
Paulo de Jesus Borges
Gerente de programação
Divino Cesar Marinari

Primeiros programas que veicularam no início da TV em Anápolis - década de 80
Rota Norte
Conteúdo especial de caráter comercial e publicitário que tratava sobre a região médio-norte do Estado, incluindo o Vale do São Patrício, promovendo o intercâmbio cultural entre Anápolis e esta região de Goiás
Jornal das Sete
Telejornal veiculado às 19 horas. Possuía dois blocos de quatro minutos cada.
Jornal Hoje e Jornal da Globo
A TV Tocantins tinha um bloco de programação jornalística sobre Anápolis durante a realização do Jornal Hoje, e no Jornal da Globo, conteúdo que era veiculado localmente.

Retrospectiva
Jornal de meia hora que era transmitido aos sábados pela manhã na TV Tocantins, uma espécie de resumo do que de principal havia ocorrido durante a semana em Anápolis.
Bom Dia Anápolis
Programa jornalístico diário de 30 minutos, veiculado todos os dias pela manhã. Eram entrevistados políticos, lideranças comunitárias e representantes de diversos outros segmentos
Esporte no Sete
Programa Esportivo que cobria os times de futebol local e noticiava demais eventos esportivos do Estado e de Anápolis

Autor(a): Felipe Homsi

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