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Municipalização da água é uma polêmica antiga em Anápolis

Cidade Comentários 03 de novembro de 2017

Há muito, a questão é debatida, sobretudo, no período de estiagem, quando a população sofre com a falta do produto


Lá no início da década de 2000, o então Prefeito Ernani de Paula se rebelou contra a SANEAGO. Houve um ensaio de invasão à Estatal. E, para muitos anapolinos, teria sido um factóide ou, para os menos crédulos, mais um folclore que envolveu a gestão polêmica do empresário da Fazenda Barreiro, que se elegeu prefeito pregando idéias modernas para a Administração Municipal.
Pois bem... De lá para cá, Anápolis enfrentou muitos problemas com a falta de água. A crise mais grave aconteceu em 2015, quando a população teve que passar por um longo período de rodízio no abastecimento. Naquele mesmo ano, iniciou-se uma discussão sobre a possibilidade de os irrigantes do Ribeirão Piancó - que responde por 80% do abastecimento da Cidade - estarem retirando um grande volume de água do manancial, o que estaria afetando a sua vazão. Várias fiscalizações foram feitas, bombas que estavam funcionando de forma irregular foram lacradas. E, um grande trabalho de conscientização foi feito com os produtores, envolvendo o Ministério Público, a EMATER, a própria SANEAGO, a Associação dos Produtores do Piancó e várias outras entidades e ONGs.
Este ano, a própria SANEAGO reconheceu que os irrigantes do Piancó contribuem para manter a “saúde” do Piancó. No entanto, no mês de outubro último, voltou a faltar a água e o motivo apontado pela estatal foi a baixa vazão do Ribeirão, aliado ao aumento do consumo que é comum nesta época do ano.
A obra de transposição de águas do Ribeirão Capivari para o Sistema Piancó, que seria a solução para se evitar a falta de água este ano, não ficou pronta, conforme o cronograma estabelecido e, agora, os olhares voltam-se para os céus e nuvens, para que a chuva caia pro prolongados períodos e faça o Piancó ter novamente um volume a contento para atender à demanda.
Nas eleições de 2016, a questão da água (ou de sua falta) foi um dos principais temas de debate entre os candidatos. O então concorrente Roberto Naves (PTB) sinalizava com a proposta de municipalizar o serviço, em não havendo investimentos por parte do Governo do Estado para se resolver o problema. Depois de eleito, Roberto Naves levou esta discussão e as cobranças por várias vezes à mesa do Governador Marconi Perillo e da diretoria da SANEAGO. Como resposta, o Governo sinalizou um montante de investimento em saneamento, em torno de R$ 118 milhões. O presidente da Estatal, Jalles Fontoura, num encontro com o Prefeito Roberto, ocorrido no início de junho deste ano, disse que o problema em Anápolis, “não é falta de água, mas de gestão”. Pelo visto, faltaram as duas coisas.

Estudos
Agora, o Prefeito Roberto Naves instituiu uma comissão para estudar, de forma mais profunda, a viabilidade de se municipalizar a água em Anápolis. A comissão nomeada pelo chefe do Executivo esteve no Município de Senador Canedo, que faz a gestão do serviço. Os dirigentes da autarquia informaram que, naquele município, arrecada-se em torno de R$ 1,7 milhão e gasta-se cerca de R$ 1 milhão, sobrando R$ 700 mil para retorno em investimentos. Mas, é uma realidade um pouco diferente.
Em Anápolis, com quase quatro vezes mais habitantes, a arrecadação da SANEAGO chega a R$ 10 milhões. O que é arrecadado aqui ajuda a estatal a fazer investimentos em outros municípios. Investimentos vêm sendo feitos, diga-se de passagem, mas a ameaça da falta de água é constante. A empresa avalia como não sendo necessário, no momento, formar um lago de reservação, já que a vazão do Piancó e o suporte do Capivari, quando necessário, seria o suficiente para atender à população, somando-se ao sistema do DAIA, que abastece a região Sul.
O problema é que, com tantos históricos de rios que estão secando pelo País afora, é compreensível que haja o receio por parte da população. E, sobre a municipalização, não há nada ainda em definitivo, pois os estudos, ainda, estão em fase inicial e este não é um processo que acontece da noite para o dia. Por enquanto, resta saber que ainda há muita água para rolar por debaixo da ponte.

Autor(a): Claudius Brito

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