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Mulheres continuam apanhando muito

Violência Comentários 24 de agosto de 2012

Mesmo com o avanço das leis, como a “Maria da Penha” que completou seis anos, o ambiente doméstico continua sendo um suplício para milhões de mulheres em todo o Brasil


Nada menos que 20 mil mulheres, o que significa quase 60 por cento das ligações para o número 180 (denúncia de violência) relataram, no primeiro semestre de 2012, terem sido vítimas de agressões diárias. O número faz parte de relatório da Secretaria de Políticas para as Mulheres, numa avaliação dos seis anos de vigência da Lei “Maria da Penha”.
Em 89% dos casos, a violência denunciada partiu de companheiros ou ex-companheiros das pessoas agredidas. E, em quase metade (42%) dos relatos, o vínculo entre o casal era superior a 10 anos. No primeiro semestre deste ano, o telefone recebeu, ainda, 211 denúncias de cárcere privado - uma média de mais de um caso por dia.
A pesquisa apontou, também, que, em 39% dos casos, houve relato de violência psicológica ou moral e, em 2%, as vítimas disseram sofrer violência sexual. O número 180, da Central de Atendimento à Mulher da Secretaria de Políticas para Mulheres, presta orientações para aquelas que sofrem qualquer tipo de agressão. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados.

Tipos de violência
Segundo o levantamento, as agressões físicas são as principais formas de violência contra a mulher e representam 78,2% do total de casos registrados. Em seguida, estão os casos de agressão psicológica (32,2%) e violência sexual (7,5%). O levantamento mostra ainda que, do total de casos, 38,4% são reincidentes.
A própria casa é o principal cenário das agressões e os homens com os quais as mulheres se relacionam ou se relacionaram (marido, ex, namorado, companheiro) são os principais agressores e representam 41,2% dos casos. Amigos ou conhecidos são 8,1% e desconhecidos, 9,2%. Muito embora seja, ainda, chocante, o número vem caindo nos últimos anos. Pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o SESC, projeta uma chocante estatística: a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. E, já foi pior: há 10 anos, eram oito as mulheres espancadas no mesmo intervalo.
Realizada em 25 estados, a pesquisa ‘Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado’ ouviu 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos. Abordou diversos temas e complementou estudo similar de 2001. Mas a parte que saltou aos olhos foi, novamente, a da violência doméstica.
Para se chegar à estimativa de mais de duas mulheres agredidas por minuto, os pesquisadores partiram da amostra para fazer uma projeção nacional. Concluíram que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões - 1,3 milhão nos 12 meses que antecederam a pesquisa.
A pequena diminuição do número de mulheres agredidas entre 2001 e 2010 pode ser atribuída, em parte, à Lei Maria da Penha. A lei é uma expressão da crescente consciência do problema da violência contra as mulheres. Outro dado que influi bastante, segundo os analistas, é a existência de delegacias especializadas na proteção e na defesa da mulher, caso de Anápolis. Nestas localidades, a presença de uma força policial específica, encoraja as vítimas a buscarem ajuda.
Entre os pesquisados, 85% conhecem a lei e 80% aprovam a nova legislação. Mesmo entre os 11% que a criticam, a principal ressalva é o fato de que a lei é insuficiente.

Visão masculina
O estudo traz, também, dados inéditos sobre o que os homens pensam sobre a violência contra as mulheres. Enquanto 08% admitem já ter batido em uma mulher, 48% dizem ter um amigo ou conhecido que fizeram o mesmo e 25% têm parentes que agridem as companheiras. Ainda assim, surpreende o fato de que 02% dos homens declarem que "tem mulher que só aprende apanhando bastante". Além disso, entre os 08% que assumem praticar a violência, 14% acreditam ter "agido bem" e 15% declaram que bateriam de novo, o que indica um padrão de comportamento, não uma exceção.

Na infância
Respostas sobre agressões sofridas ainda na infância reforçam a ideia de que a violência pode fazer parte de uma cultura familiar. Pais que levaram surras quando crianças tendem a bater mais em seus filhos, relata a pesquisa. No total, 78% das mulheres e 57% dos homens que apanharam na infância acreditam que dar tapas nos filhos de vez em quando é necessário. Entre as mulheres que não apanharam, 53% acham razoável dar tapas de vez em quando.
Dentre os motivos para as agressões, 32 por cento dos agressores alegaram ciúmes; 12 por cento o estado de embriaguês; 09 por cento, traição ou suspeita e 05 por cento, infidelidade do agressor. E, dentre os que agrediram, 76 por cento admitiram que agiram mal; 14 por cento disseram que agiram bem e 10 por cento se mostraram indecisos. Perguntados se bateriam de novo, em suas companheiras, 56 por cento disseram que não, 15 por cento disseram que sim e 29 por cento não souberam responder.

Autor(a): Nilton Pereira

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